Múmias com línguas de ouro são encontradas no Egito em sítio arqueológico raro e revelam prática funerária pouco comum.
Em 2021, arqueólogos que atuavam no sítio de Taposiris Magna, sob coordenação do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, anunciaram a descoberta de múmias que apresentavam um elemento incomum: lâminas de ouro posicionadas no lugar da língua. A descoberta foi amplamente repercutida por veículos internacionais como a National Geographic e o Smithsonian Magazine.
O dado mais impactante é que essas múmias, enterradas há mais de 2.000 anos, preservavam folhas de ouro colocadas diretamente na boca dos indivíduos, substituindo simbolicamente a língua. Esse tipo de prática é considerado raro e não aparece com frequência em escavações arqueológicas egípcias. A descoberta reforça a complexidade dos rituais funerários praticados no Egito durante o período greco-romano.
Sítio arqueológico de Taposiris Magna tem histórico de achados relevantes
O local onde as múmias foram encontradas, Taposiris Magna, é um importante sítio arqueológico localizado a oeste de Alexandria. A região foi fundada durante o período ptolemaico e apresenta forte influência cultural greco-romana.
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Escavações realizadas na área já revelaram templos, túmulos e estruturas funerárias associadas a elites locais. A presença de múmias com elementos diferenciados reforça a importância do sítio como centro de práticas funerárias complexas.
A descoberta das línguas de ouro ocorreu dentro de uma necrópole, onde múltiplos indivíduos foram enterrados em diferentes condições de preservação. Esse contexto sugere que a prática pode ter sido restrita a determinados grupos ou períodos específicos.
Lâminas de ouro eram finas e moldadas para encaixe na boca
Diferente da ideia de objetos maciços, as línguas de ouro encontradas eram compostas por folhas finas do metal, cuidadosamente moldadas para se ajustar à cavidade bucal.
Essas lâminas eram posicionadas no interior da boca antes do processo de mumificação ser finalizado. Em alguns casos, foram encontradas ainda intactas, preservadas ao longo de milênios.

A utilização do ouro, um material altamente resistente à corrosão, contribuiu para a conservação dessas estruturas ao longo do tempo.
Esse tipo de aplicação demonstra um nível elevado de detalhamento nos procedimentos funerários da época.
Prática é considerada rara dentro da arqueologia egípcia
Embora o uso de ouro em rituais funerários egípcios seja bem documentado, a presença de línguas de ouro é considerada incomum.
A maioria das múmias apresenta outros tipos de adornos, como máscaras funerárias, amuletos e ornamentos corporais. A substituição simbólica da língua por ouro aparece em um número limitado de casos.
Essa raridade aumenta o valor arqueológico da descoberta e amplia o entendimento sobre variações culturais dentro do Egito antigo.
Pesquisadores indicam que esse tipo de prática pode estar associado a influências externas ou a crenças específicas de determinados períodos.
Período greco-romano influenciou práticas funerárias no Egito
As múmias com línguas de ouro datam do período greco-romano, fase em que o Egito estava sob influência de culturas estrangeiras, especialmente após a conquista de Alexandre, o Grande.
Durante esse período, práticas egípcias tradicionais passaram a se misturar com elementos culturais gregos e romanos, criando rituais híbridos.
A presença de elementos incomuns, como as línguas de ouro, pode refletir essa fusão cultural e a adaptação de crenças funerárias.
Esse contexto histórico é essencial para compreender a diversidade de práticas encontradas nas escavações.
Estado de preservação permite análises detalhadas
As condições ambientais do Egito, caracterizadas por clima seco e estável, favorecem a preservação de materiais orgânicos e inorgânicos.

No caso das múmias encontradas em Taposiris Magna, a combinação entre técnicas de mumificação e ambiente contribuiu para a conservação dos corpos e dos objetos associados.
Isso permitiu aos pesquisadores analisar não apenas a presença do ouro, mas também detalhes da estrutura óssea, tecidos e posicionamento dos elementos funerários.
Essas informações são fundamentais para reconstruir práticas e costumes da época.
Descoberta amplia conhecimento sobre rituais funerários antigos
Cada nova escavação no Egito contribui para expandir o entendimento sobre a complexidade dos rituais funerários praticados ao longo de milênios.
A presença de línguas de ouro adiciona um novo elemento ao conjunto de práticas conhecidas, indicando que havia variações regionais e temporais.
Essas descobertas mostram que os rituais não eram uniformes, mas adaptados a contextos culturais específicos. O estudo contínuo desses achados permite aprofundar o conhecimento sobre a sociedade egípcia antiga.
Importância do ouro na cultura egípcia vai além do valor material
O ouro sempre ocupou posição central na cultura egípcia, sendo associado à imortalidade e à eternidade. Sua resistência à corrosão e brilho duradouro o tornavam símbolo de permanência.
No contexto funerário, o uso do ouro estava frequentemente ligado à preservação e à continuidade da existência após a morte.
A aplicação do material em diferentes partes do corpo indica a importância atribuída a elementos específicos dentro das crenças funerárias. No caso das línguas de ouro, a escolha do material reforça o caráter simbólico da prática.

A identificação de múmias com línguas de ouro em Taposiris Magna representa um avanço significativo na arqueologia egípcia, ao revelar uma prática rara e pouco documentada.
Mais do que um achado curioso, a descoberta amplia a compreensão sobre a diversidade de rituais funerários e a complexidade cultural do Egito durante o período greco-romano.
Com cada nova escavação, evidências como essa continuam a redefinir o conhecimento sobre uma das civilizações mais estudadas da história, mostrando que ainda há muito a ser descoberto sob as areias do Egito.

