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Arqueólogos descobrem tesouro submerso gigante com mais de 2.300 peças

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 24/02/2026 às 14:00
Atualizado em 24/02/2026 às 14:02
Tesouro submerso com 3,5 toneladas de cerâmica revela comércio ativo em Singapura no século XIV antes de 1819.
Tesouro submerso com 3,5 toneladas de cerâmica revela comércio ativo em Singapura no século XIV antes de 1819.
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Descoberta do tesouro submerso perto de Pedra Branca reúne 3,5 toneladas de cerâmica do século XIV, incluindo 2.350 porcelanas raras da Dinastia Yuan, reforçando evidências de que Temasek era um centro ativo no comércio marítimo asiático muito antes de 1819

Arqueólogos marinhos recuperaram 3,5 toneladas de cerâmica do século XIV no chamado Naufrágio Temasek, primeiro naufrágio antigo identificado em Singapura, revelando um tesouro submerso com 2.350 peças de porcelana azul e branca da Dinastia Yuan e novas evidências sobre o comércio antes de 1819.

Tesouro submerso revela carga recorde da Dinastia Yuan

A escavação foi liderada pelo Dr. Michael Flecker, da HeritageSG e do Instituto ISEAS-Yusof Ishak. O sítio está localizado próximo a Pedra Branca, área rochosa na entrada leste do Estreito de Singapura. A operação ocorreu em etapas entre 2016 e 2019.

Entre os detritos, foram identificadas mais de 2.350 peças de porcelana azul e branca rara, produzidas durante a Dinastia Yuan, que governou entre 1271 e 1368. Trata-se da maior quantidade já registrada desse tipo de porcelana em um naufrágio documentado no mundo.

Embora esse estilo tenha se tornado comum posteriormente, em meados do século XIV era considerado artigo de luxo. A escala da descoberta desafia a visão de que a antiga Singapura era apenas uma vila de pescadores.

Ligação comercial entre Quanzhou e Temasek

O estudo indica que o navio provavelmente era um junco chinês que partiu do porto de Quanzhou entre 1340 e 1352. A composição da carga reforça essa hipótese, especialmente pelo perfil dos itens transportados.

O naufrágio não continha grandes pratos de 50 centímetros, populares no Oriente Médio e na Índia. Em vez disso, predominavam pratos e tigelas menores, com menos de 35 centímetros, alinhados aos gostos e necessidades regionais.

Esses objetos correspondem a artefatos já encontrados em sítios terrestres como o Parque Fort Canning e o Rio Singapura. A correlação sugere que Temasek era o destino final da embarcação.

As mercadorias parecem ter sido destinadas às elites locais, e não ao comércio em direção mais a oeste. Esse padrão reforça a interpretação de um porto ativo conectando o sul da China ao Sudeste Asiático.

Diversidade de cerâmicas no tesouro submerso

Além das porcelanas azul e branca, o sítio revelou ampla variedade de outras cerâmicas. O celadon de Longquan representava quase metade do total recuperado.

Também foram encontrados exemplares de qingbai e shufu, conhecidos como Conselho Privado, produzidos em Jingdezhen. A coleção inclui ainda cerâmica branca de Dehua e cerâmica verde de Fujian.

Segundo o Dr. Flecker, a descoberta é transformadora por registrar o movimento de mercadorias por um porto estratégico. Ele afirmou que o local documenta conexões comerciais entre o sul da China e o Sudeste Asiático.

Preservação e conservação dos artefatos

Embora a porcelana tenha resistido ao tempo, o casco de madeira da embarcação não sobreviveu. A estrutura foi provavelmente corroída ao longo dos séculos pela ação da vida marinha.

A recuperação enfrentou desafios operacionais, incluindo fortes correntes e a profundidade do local. Ainda assim, a equipe conseguiu retirar o material de forma gradual.

O Conselho Nacional do Patrimônio, NHB, supervisiona atualmente o processo de dessalinização e conservação. A remoção completa do sal é necessária para evitar que o esmalte cerâmico se quebre.

Após a conclusão desse processo, as peças deverão ser exibidas nos museus nacionais de Singapura. A expectativa é oferecer ao público um vislumbre autêntico de 700 anos de história da cidade-estado.

O estudo sobre o Naufrágio Temasek foi publicado no Journal of International Ceramic Studies, consolidando a relevância científica do achado e registrando formalmente o conjunto recuperado.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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