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Arqueólogos abrem câmara selada por 40.000 anos em Gibraltar e revelam evidências diretas de que neandertais

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 02/02/2026 às 19:03 Atualizado em 02/02/2026 às 19:04
Câmara selada em Gibraltar revela que neandertais exploravam o litoral, produziam cola vegetal e deixaram gravuras rupestres no Paleolítico.
Câmara selada em Gibraltar revela que neandertais exploravam o litoral, produziam cola vegetal e deixaram gravuras rupestres no Paleolítico.
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Descoberta de uma câmara selada por aproximadamente 40.000 anos na Caverna Vanguard, em Gibraltar, fornece novas evidências arqueológicas sobre o modo de vida dos neandertais, incluindo exploração sistemática de recursos costeiros, produção controlada de cola vegetal e possíveis comportamentos simbólicos no Paleolítico

Os neandertais deixaram novas evidências de comportamento complexo após arqueólogos abrirem uma câmara de 13 metros selada por cerca de 40.000 anos na Caverna Vanguard, em Gibraltar, revelando práticas de subsistência costeira, tecnologia de fabricação de cola e possíveis expressões simbólicas em um contexto ambiental em transformação.

Uma câmara isolada no complexo de Gorham

A descoberta ocorreu no Complexo de Cavernas de Gorham, localizado na Reserva Natural de Gibraltar e reconhecido como Património Mundial da UNESCO desde 2016. O conjunto é considerado um dos últimos refúgios conhecidos de neandertais na Europa, com ocupações que podem ter se estendido até cerca de 28.000 anos atrás.

Durante escavações conduzidas pelo Museu Nacional de Gibraltar, pesquisadores removeram um antigo bloqueio de areia na parte posterior da Caverna Vanguard. Atrás desse selo natural, encontraram uma câmara elevada que permaneceu inacessível por dezenas de milênios, preservando sedimentos e vestígios raros do uso do espaço.

O piso da câmara continha ossos de lince, hiena e abutre-grifo, além de marcas de arranhões produzidas por carnívoros. Esses indícios sugerem que o local foi frequentado por animais antes ou depois da presença humana, compondo um registro ambiental diverso e bem conservado.

Entre esses restos, surgiu um elemento inesperado: a concha de um búzio-do-mar. O molusco não teria como alcançar a câmara sozinho, indicando transporte deliberado por neandertais, possivelmente como alimento trazido da costa para o interior da caverna.

Um litoral desaparecido sob o Mediterrâneo

Atualmente, a entrada da caverna está próxima ao nível do mar, acessível por uma área marinha protegida. Durante a última Era do Gelo, no entanto, o cenário era radicalmente diferente. Estudos no complexo indicam que os neandertais observavam uma plataforma continental exposta que se estendia até 4,5 quilômetros além das cavernas.

Essa planície costeira incluía dunas de areia, áreas de pinhal, arbustos mediterrâneos, lagos sazonais e abundante fauna terrestre. Pesquisadores a descreveram como um “Serengeti Mediterrâneo”, destacando a riqueza ecológica disponível para caça e coleta.

Com o fim do período glacial e a elevação gradual do nível do mar, essa paisagem foi submersa, restando apenas os penhascos atuais. A transição documentada em Gibraltar ilustra como mudanças ambientais de longo prazo remodelaram habitats usados pelos neandertais.

O registro preservado na câmara selada funciona como um marcador temporal desse processo, conectando evidências arqueológicas a transformações costeiras que ocorreram ao longo de milhares de anos, em um contexto de litoral dinâmico e instável.

Frutos do mar, fogo e uso simbólico do espaço

Escavações anteriores nas cavernas de Gorham e Vanguard já indicavam que os neandertais da região exploravam recursos marinhos de forma sistemática. Depósitos arqueológicos incluem grandes quantidades de conchas de mexilhão, além de ossos de peixes, focas-monge e golfinhos.

Muitos desses restos apresentam marcas de corte feitas com ferramentas de pedra, demonstrando preparo intencional dos alimentos.

Os materiais eram levados para o interior das cavernas, onde eram processados e consumidos, indicando organização do espaço doméstico.

Além da alimentação, o local preserva profundas gravuras em forma de hachura esculpidas diretamente na rocha. Essas marcas sugerem comportamentos simbólicos ou formas iniciais de expressão artística, ampliando o entendimento sobre as capacidades cognitivas dos neandertais.

O conjunto de evidências aponta para grupos costeiros que combinavam caça terrestre, coleta marinha, domínio do fogo e possível produção simbólica, integrados a um ecossistema que fornecia recursos variados ao longo do ano.

Produção de cola vegetal em ambiente controlado

Uma das descobertas mais relevantes associadas à Caverna Vanguard foi descrita em 2024 por uma equipe internacional. Trata-se de uma fogueira em forma de poço, datada de cerca de 60.000 anos, utilizada pelos neandertais para produzir alcatrão vegetal empregado como cola.

A estrutura revela um processo controlado de aquecimento de fragmentos vegetais enterrados, em ambiente com pouco oxigênio, para extrair resina pegajosa. Esse método difere da simples queima a céu aberto e indica conhecimento técnico específico.

Análises sugerem o uso de esteva, um arbusto comum em habitats mediterrâneos, em vez de bétula, rara na região. O alcatrão resultante permitia fixar pontas de pedra em cabos de madeira, formando lanças adequadas à caça por emboscada.

A preservação dessa lareira só foi possível porque uma duna de areia em rápido movimento selou o sítio, juntamente com pólen e esporos que registram o ambiente externo. O achado conecta ecologia vegetal, tecnologia e comportamento dos neandertais em um único contexto sedimentar.

Reconhecimento científico e implicações atuais

Segundo John Cortes, ministro do Patrimônio de Gibraltar, o Complexo de Cavernas de Gorham continua recebendo reconhecimento internacional, e os estudos oferecem novas perspectivas sobre o desenvolvimento cognitivo dos neandertais.

Embora a maioria das pessoas nunca visite a Caverna Vanguard, as evidências ali preservadas dialogam com questões contemporâneas. A história registrada sob o rochedo mostra que ambientes costeiros sempre foram sujeitos a mudanças graduais e profundas.

Os neandertais responderam a essas transformações ampliando suas dietas, explorando novos materiais e utilizando intensivamente os recursos disponíveis. Essa adaptação, no entanto, não impediu o desaparecimento de sua espécie.

Ainda assim, a engenhosidade documentada em Gibraltar reforça a importância dos ecossistemas costeiros como espaços fundamentais para a sobrevivência humana ao longo do tempo, destacando o valor científico e ambiental dessas áreas hoje protegidas.

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Digo
Digo
08/02/2026 07:13

Leiam e imaginem! Quer foto, vai lá tirar!

Vinicius
Vinicius
07/02/2026 10:43

Que matéria ****, feita por um site de cópia de outras matérias gringas e ainda aparentando ser pobremente traduzida. Site de baixa relevância que lota a página de propagandas e usa IA para encobrir a preguiça do redator.

Josi
Josi
06/02/2026 12:56

E as imagens??? Queremos as imagens!

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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