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Areia do deserto, antes inútil, vira “Sandcrete”: pesquisadores na Noruega e no Japão usam resíduos de madeira e pressão para criar blocos sem cimento, aliviando a crise global da areia e do CO₂ do concreto

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Escrito por Carla Teles Publicado em 08/02/2026 às 16:02 Atualizado em 08/02/2026 às 16:03
Areia do deserto, antes inútil, vira “Sandcrete” pesquisadores na Noruega e no Japão usam resíduos de madeira e pressão para criar blocos sem cimento, aliviando a crise global
Areia do deserto vira Sandcrete; concreto ecológico com resíduos de madeira cria blocos de pavimentação para calçadas sem cimento.
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Areia do deserto entra no radar da construção quando pesquisadores na Noruega e no Japão usam resíduos de madeira e pressão para produzir pavimentação sem cimento clássico

A areia do deserto sempre esteve em excesso no planeta, mas por muito tempo foi tratada como inútil para o concreto convencional. Agora, pesquisadores na Noruega e no Japão mostram que a virada pode estar no material certo, não na areia certa: areia do deserto combinada com resíduos orgânicos e prensagem vira blocos de pavimentação sem cimento tradicional.

Essa mudança ganha peso porque o concreto é o material de construção mais usado no mundo, perdendo apenas para a água, e a fabricação de cimento está associada a cerca de 8% das emissões globais de CO₂. Ao mesmo tempo, a disponibilidade de areia adequada está diminuindo. O Sandcrete aparece como uma resposta pragmática para dois gargalos ao mesmo tempo: areia e carbono.

Por que a areia do deserto era considerada “inútil” para o concreto

Não basta ter areia. Para o concreto funcionar no modelo tradicional, os grãos precisam de tamanho e formato específicos.

A areia do deserto costuma ser fina demais e arredondada demais pelo vento, o que a torna inadequada para o concreto convencional.

Esse é o paradoxo: areia do deserto é abundante a ponto de ser excessiva, mas, durante anos, foi vista como um resíduo geológico sem valor para a construção. A pergunta inevitável surge: e se o problema não fosse a areia, mas o tipo de concreto?

A crise global de areia e o custo ambiental do concreto

A escassez de areia adequada pressiona ecossistemas onde o material “compatível” é encontrado. Por isso, rios são escavados, deltas são dragados e montanhas são trituradas para obter agregados.

O resultado é conhecido: erosão acelerada, perda de biodiversidade, conflitos sociais e pressão crescente sobre ecossistemas frágeis.

Somando a isso, a escala do cimento impressiona: mais de 4 bilhões de toneladas são produzidas anualmente, com um custo climático associado a CO₂.

O que é Sandcrete e por que a areia do deserto entra no jogo

O Sandcrete é descrito como um concreto ecológico que reutiliza areia do deserto e resíduos orgânicos, especialmente pó de madeira.

Em vez de tentar “forçar” a areia do deserto a imitar um agregado clássico, o material é projetado considerando suas limitações.

A proposta rompe dogmas da construção tradicional: biomateriais e pressão, sem cimento clássico. A lógica é simples na ideia e exigente no controle do processo.

Como o Sandcrete é produzido sem cimento tradicional

Areia do deserto vira Sandcrete; concreto ecológico com resíduos de madeira cria blocos de pavimentação para calçadas sem cimento.

O segredo está em combinar areia ultrafina do deserto com aditivos de origem vegetal, principalmente pó de madeira, e aplicar pressão e calor. Não é um processo de despejar e esperar secar como no concreto convencional.

Aqui, o material é compactado, quase como um processo industrial mais próximo de painéis de madeira engenheirada ou cerâmica.

Em laboratório, os pesquisadores testaram temperatura, pressão, tempo de prensagem, proporções e tipos de areia. Sem tratamentos químicos complexos, o material atinge resistência suficiente para usos práticos, ao menos em aplicações não estruturais.

Para que serve primeiro: blocos de pavimentação e calçadas

As aplicações iniciais planejadas são claras e realistas: pavimentação externa, calçadas, áreas de pedestres e calçamento.

São espaços que exigem resistência mecânica, durabilidade e estabilidade, mas não o nível extremo de exigência de estruturas de edifícios.

Testes comparativos indicam que esse concreto botânico pode competir com materiais convencionais em densidade e resistência, desde que o processo seja cuidadosamente controlado.

A areia do deserto, nesse cenário, deixa de ser “areia errada” e vira insumo de um produto certo para o uso certo.

Produção local: o detalhe que decide se a ideia é sustentável

O potencial ambiental aumenta quando a areia do deserto é processada localmente. Se parte da demanda por agregados for atendida perto de áreas desérticas, a necessidade de extrair areia de rio ou britar rochas em larga escala tende a cair.

A equipe enfatiza um ponto decisivo: o benefício ambiental só existe se o material for usado onde é encontrado. Transportar areia por milhares de quilômetros seria incoerente com a lógica climática. Aqui, proximidade é fundamental e evita criar novos problemas de logística e emissões.

O que ainda falta provar fora do laboratório

O avanço ainda está em fase de laboratório, o que não diminui seu valor. Pelo contrário: permite ajustar parâmetros antes de pensar em escala industrial.

Ainda há trabalho a ser feito, incluindo testes de resistência a ciclos de frio, umidade prolongada, desgaste e envelhecimento em condições reais.

O Sandcrete não se propõe a substituir o concreto tradicional amanhã, mas abre caminho para reduzir dependência, diversificar opções e adaptar a construção aos recursos do território.

Quando areia do deserto deixa de ser obstáculo e vira recurso

Em muitas regiões áridas, a areia é vista como obstáculo à infraestrutura e à vida cotidiana. Transformá-la em matéria-prima para construção local muda a percepção: de problema a recurso.

A longo prazo, a combinação de materiais locais, aditivos biológicos e processos industriais simples pode mudar como a construção sustentável é pensada.

Às vezes, o progresso é olhar para o que sempre esteve ali de um jeito diferente, até mesmo para a areia do deserto.

Você acha que areia do deserto tem potencial real para virar padrão em calçadas e pavimentação, ou ainda é cedo para confiar nesse tipo de material?

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Kristy
Kristy
09/02/2026 21:59

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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