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Arábia Saudita lança mega-projeto agrícola para multiplicar por 10 a produção de café: investimento bilionário, expansão de áreas irrigadas e ambição de virar potência global do grão

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 26/11/2025 às 12:02
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Arábia Saudita lança mega-projeto agrícola para multiplicar por 10 a produção de café: investimento bilionário, expansão de áreas irrigadas e ambição de virar potência global do grão
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Arábia Saudita investe bilhões para multiplicar por 10 a produção de café até 2030, expandindo áreas irrigadas, usando tecnologia extrema e mirando o mercado premium mundial.

A Arábia Saudita, tradicionalmente associada ao petróleo e ao poder energético global, está iniciando uma das viradas mais ousadas da sua história moderna: tornar-se um produtor relevante de café em escala industrial. O movimento, que pode multiplicar por 10 a produção nacional de 800 toneladas para 7.000 toneladas até 2030 que integra o plano “Visão Saudita 2030”, o mais ambicioso projeto econômico do país para reduzir a dependência do petróleo e criar novos pilares estratégicos de desenvolvimento.

O governo saudita, apoiado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), está estruturando uma revolução agrícola em pleno deserto. A meta não é apenas agronômica é cultural, econômica e geopolítica. Um país que consome café em escala gigantesca, mas importa 95% do que bebe, agora quer construir uma cadeia produtiva própria, gerar empregos, padronizar blends premium e colocar seu nome no mapa mundial do grão.

Produção multiplicada por 10: o plano bilionário para criar uma nova potência cafeeira

O programa Saudi Reef, carro-chefe da expansão agrícola saudita, prevê uma transformação acelerada da cadeia do café. Entre as metas já confirmadas estão:

• plantio de 50 mil novas mudas;
• aumento de 30% na produtividade até 2025;
• incentivos para jovens produtores ingressarem na atividade;
• criação de torrefações próprias e certificações nacionais;
• expansão da produção nas montanhas de Jazan, berço do café Khawlani;
• assistência técnica internacional e pesquisas climáticas em parceria com a FAO.

A aposta vai além do cultivo: o país quer industrializar, embalar, certificar e vender o “café saudita” como um produto próprio, com identidade e narrativa, algo essencial para competir no mercado premium.

Por que o reino decidiu entrar para valer no jogo do café?

A Arábia Saudita sempre foi um consumidor profundo de café, símbolo de hospitalidade, tradição e religiosidade. Entretanto, o país tinha participação quase nula na produção global.

Agora, o governo quer mudar completamente essa dinâmica. Se atingir a meta, o país sairá de apenas 0,5% de autossuficiência para cerca de 4,4%, um salto gigantesco para um território desértico, que precisa de soluções extremas para cultivar um produto sensível como o café.

Café no deserto: tecnologia extrema para produzir em clima adverso

Para viabilizar o cultivo em ambientes quentes e áridos, o reino está investindo em uma agricultura de altíssima precisão, com uso intensivo de:

irrigação de última geração, com sensores e gotejamento inteligente;
sombreamento estratégico para reduzir o estresse térmico;
melhoramento genético de variedades tolerantes ao calor;
drones, automação e inteligência artificial no manejo;
• pesquisas específicas sobre resistência fisiológica da planta em ambientes extremos.

O objetivo não é apenas produzir café é provar que o deserto pode gerar café de qualidade premium, um feito que teria repercussão global.

Impacto global: como a virada saudita mexe com preços, comércio e até com o Brasil

A entrada da Arábia Saudita no setor não ameaça gigantes como Brasil ou Vietnã, mas pode reorganizar fatores importantes no mercado:

A demanda por cafés especiais deve disparar

O país quer expandir cafeterias, torrefações artesanais e blends próprios e para isso precisará importar cafés de altíssima qualidade. O Brasil, maior fornecedor mundial, se beneficia diretamente.

O reino seguirá altamente dependente das importações

Mesmo multiplicando sua produção, a autossuficiência continuará baixa, mantendo o Brasil como parceiro-chave.

Tecnologias brasileiras ganham espaço

Sistemas de irrigação, bioinsumos, manejo em altas temperaturas e modelos produtivos adaptados ao semiárido tornam o Brasil um fornecedor natural de know-how.

4. O mercado árabe segue crescendo e pagando bem

Com renda elevada, consumo cultural forte e expansão de cafeterias premium, o Oriente Médio se consolida como um dos mercados mais lucrativos para o café brasileiro.

Jazan e o café Khawlani: tradição centenária como base para o “café saudita”

A Arábia Saudita está recuperando uma riqueza esquecida: o café Khawlani, cultivado há séculos nas montanhas de Jazan. É um dos cafés mais antigos do mundo, preservado por famílias que mantêm o cultivo por gerações.

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Essa história será usada como base de branding, turismo rural e marketing global — uma narrativa perfeita para o mercado de cafés especiais.

Os desafios de produzir café no deserto e por que o país acredita que vai vencer

Plantar café na Arábia Saudita não é simples:

• a chuva é escassa,
• a irrigação é extremamente cara,
• a mão de obra agrícola é limitada,
• a produtividade inicial é baixa.

Mesmo assim, o país tem algo que muitos concorrentes não têm: dinheiro, tecnologia e planejamento estatal de longo prazo.

O governo não está improvisando — está construindo uma nova cadeia agroindustrial do zero, com base científica, apoio institucional e metas claras até 2030.

O que esperar até 2030: a nova geografia do café no Oriente Médio

Se o plano for cumprido, a Arábia Saudita deve:

• multiplicar propriedades cafeeiras,
• gerar empregos rurais,
• completar a industrialização da cadeia,
• criar certificações próprias,
• entrar no circuito internacional de cafés premium,
• reduzir parte da dependência externa,
• e se tornar referência regional em café de alto valor agregado.

Não será uma revolução rápida, mas será profunda — e altamente estratégica.

O reino do petróleo agora quer ser também o reino do café

No mundo do café, ninguém ameaça o Brasil. Mas alguns países estão entrando no tabuleiro e poucos com tamanho investimento, ambição e tecnologia quanto a Arábia Saudita.

O país está fazendo algo raro: criando uma nova fronteira agrícola em pleno deserto, incorporando tradição, pesquisa e visão de longo prazo para ocupar um espaço que até então não existia.

E se a meta for alcançada, o reino terá construído uma das viradas mais impressionantes da agricultura mundial.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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