INPC volta a subir em setembro, com alta de 0,82% e acumulado de 4,29% em 12 meses. Salário mínimo, aposentadorias acima do piso e seguro-desemprego de 2027 ainda dependem de novos resultados do IBGE.
A inflação que serve de referência para reajustes de salários e de benefícios previdenciários voltou a acelerar. O INPC subiu 0,82% em setembro de 2026 e passou a acumular 4,29% em 12 meses, segundo os números divulgados pelo IBGE em 9 de outubro. O novo resultado entra nas contas acompanhadas por trabalhadores, aposentados e famílias que precisam proteger o rendimento contra a alta dos preços.
A mudança foi expressiva em apenas um mês. Em agosto, o indicador havia registrado queda de 0,32%; em setembro, avançou 1,14 ponto percentual na comparação mensal. A inflação acumulada em 12 meses passou de 3,98% para 4,29%, e a elevação desde janeiro chegou a 4,01%. O resultado já é conhecido, mas os reajustes de 2027 ainda dependem das próximas medições e das regras de cada pagamento.
Depois de um mês de queda, alimentos e outros gastos voltam a subir juntos
O INPC acompanha a variação de preços para famílias com renda de um a cinco salários mínimos e cujo chefe é assalariado. O IBGE reúne valores pagos por produtos e serviços comprados por essa parcela da população, com atenção ao peso que cada despesa ocupa no orçamento.
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Em setembro, os alimentos subiram 0,80%, depois de terem recuado 0,34% em agosto. Entre os produtos não alimentícios, a variação passou de queda de 0,31% para alta de 0,83%. As duas parcelas voltaram a pressionar o resultado no mesmo mês.
Para quem usa boa parte do salário em mercado, contas da casa e transporte, os aumentos de preços restringem a renda disponível para outras compras. A inflação de cada família pode ser maior ou menor que a média nacional, dependendo de quais produtos consome e dos preços encontrados na cidade onde mora.

Salário mínimo de 2027 ainda depende da inflação medida até novembro
O acumulado de 4,29% é o retrato dos 12 meses terminados em setembro, e não é o percentual oficial de reajuste do salário mínimo de 2027. A parcela inflacionária utilizada para definir o piso nacional considera o INPC acumulado até novembro. A fórmula também segue as regras legais de valorização e os limites estabelecidos para o crescimento real.
Faltam os resultados de outubro e novembro para completar o período de referência. Se os preços acelerarem ou recuarem nesses meses, a inflação que entrará na conta do salário mínimo será diferente da divulgada em outubro. A definição do valor em reais depende do cálculo completo e da oficialização pelo governo.
O piso nacional em 2026 é de R$ 1.621. O reajuste do mínimo repercute sobre o pagamento de quem recebe o piso no trabalho e também sobre benefícios previdenciários e assistenciais vinculados a esse valor, de acordo com as regras aplicáveis a cada modalidade.
Aposentadorias acima do piso e teto do INSS esperam o resultado de dezembro
Quem recebe aposentadoria ou pensão acima de um salário mínimo acompanha outro fechamento. O reajuste anual desses benefícios, assim como a atualização do teto previdenciário e os parâmetros associados ao seguro-desemprego, tem o INPC acumulado até dezembro como referência, respeitadas as normas próprias de cada caso.
São calendários diferentes. O salário mínimo utiliza a inflação acumulada até novembro. Os benefícios previdenciários acima do piso dependem do fechamento de dezembro, cuja taxa se torna conhecida no início do ano seguinte. Por esse motivo, dois pagamentos reajustados com referência no INPC podem seguir percentuais ou critérios diferentes.

No emprego formal, outra distinção merece atenção. Muitas categorias profissionais negociam aumentos em acordos ou convenções coletivas, com uma data-base própria. O INPC de 12 meses pode fazer parte dessas negociações, mas o resultado de 4,29% não gera automaticamente o mesmo aumento para todos os trabalhadores.
Belo Horizonte tem INPC de 1,09% e Fortaleza registra 0,59% em setembro
A inflação nacional de 0,82% reúne situações bastante distintas. Entre as localidades pesquisadas pelo IBGE, Belo Horizonte apresentou a maior variação regional do INPC, de 1,09%, influenciada pelas altas de 6,53% da energia elétrica residencial e de 3,79% da gasolina.
Em Fortaleza, o indicador avançou 0,59%, o menor resultado regional em setembro. Quedas de 6,44% no preço do frango inteiro e de 2,39% na roupa feminina ajudaram a conter a inflação medida na capital cearense.
Esses contrastes aparecem porque a trajetória dos preços muda conforme a localidade. O aumento da energia em uma capital ou a redução de um alimento em outra pode alterar o índice regional, mesmo que ambos os resultados façam parte da mesma taxa nacional.
IPCA também sobe 0,82%, mas acumula 4,58% em 12 meses
Na divulgação de 9 de outubro, o IBGE apresentou ainda o IPCA, usado como medida da inflação oficial do país. A alta mensal também foi de 0,82%, mas o acumulado de um ano chegou a 4,58%, acima dos 4,29% apurados pelo INPC.
Os dois levantamentos consideram perfis de consumo diferentes. O INPC mede a cesta das famílias assalariadas com rendimentos entre um e cinco salários mínimos. O IPCA abrange famílias com renda de um a 40 salários mínimos, independentemente de sua fonte.
No INPC, a alimentação representa aproximadamente 25% da composição do índice, ante cerca de 21% no IPCA, conforme a explicação divulgada pela Agência Brasil com base no IBGE. Famílias de renda mais baixa costumam destinar uma parcela proporcionalmente maior do orçamento à compra de alimentos.
A diferença entre as cestas ajuda a explicar por que os indicadores, embora tenham registrado a mesma variação em setembro, apresentam taxas distintas no acumulado de 12 meses. Para calcular salários e benefícios, é preciso observar qual dos dois índices a legislação ou o contrato utiliza.
Próximos resultados do IBGE completarão a conta dos aumentos de 2027
O dado confirmado até aqui é o INPC de setembro: 0,82% no mês, 4,01% no ano e 4,29% em 12 meses. A divulgação de outubro e a de novembro completarão a referência inflacionária usada no salário mínimo do próximo ano. A medição de dezembro fechará o período para outras correções anuais, como a de benefícios previdenciários acima do piso.
Trabalhadores podem acompanhar as negociações de sua categoria e a data-base prevista no acordo coletivo. Aposentados e pensionistas podem consultar os comunicados do INSS quando os índices anuais forem fechados. Quem acompanha salário mínimo, seguro-desemprego ou aposentadoria deve observar os calendários próprios antes de calcular quanto receberá em 2027.
O que mais pesa no orçamento da sua casa hoje: supermercado, conta de luz ou transporte? Compartilhe esta reportagem com quem acompanha os reajustes de salário e de aposentadoria para entender por que o percentual de setembro ainda pode mudar até o fechamento do ano.
