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Apelidado informalmente de Estrela da Morte pelo seu porte e poder de fogo, o cruzador nuclear russo Admiral Nakhimov entrou na fase final dos testes de mar e se aproxima do retorno ao serviço, após mais de uma década de modernização que pode torná-lo um dos navios de guerra mais armados do mundo

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 02/06/2026 às 16:43
Atualizado em 02/06/2026 às 16:50
O cruzador nuclear russo Admiral Nakhimov, apelidado de Estrela da Morte, entrou na fase final dos testes de mar e deve voltar ao serviço em 2026 após décadas.
O cruzador nuclear russo Admiral Nakhimov, apelidado de Estrela da Morte, entrou na fase final dos testes de mar e deve voltar ao serviço em 2026 após décadas.
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Parado desde os anos 1990, o gigante de 28 mil toneladas voltou ao mar para os testes finais antes de reentrar em operação, prevista para 2026. A reforma custou mais de US$ 5 bilhões e levou décadas. Mas analistas dividem opiniões: para alguns, ele já nasce vulnerável na era dos drones e mísseis.

Apelidado informalmente de “Estrela da Morte” por causa de seu porte colossal e do volume de armas, o cruzador nuclear russo Admiral Nakhimov entrou na fase final de seus testes de mar e se aproxima do retorno ao serviço ativo. Após mais de uma década de uma profunda modernização, a embarcação pode se tornar um dos navios de guerra de superfície mais armados do mundo, segundo estimativas baseadas em fontes abertas, ainda que muitos de seus dados não sejam confirmados oficialmente.

A informação foi divulgada em 2 de junho de 2026 pelo portal especializado Naval, e o retorno do navio à ativa está previsto para este ano de 2026. Antes de detalhar suas capacidades, é importante esclarecer dois pontos: o apelido “Estrela da Morte” é informal, surgido em publicações e redes sociais, e boa parte das informações sobre seu armamento vem de relatos e análises de fontes abertas, não de dados oficialmente confirmados pela Marinha russa, o que pede cautela na leitura dos números.

O que são os testes de mar e em que fase está o navio

O cruzador nuclear russo Admiral Nakhimov, apelidado de Estrela da Morte, entrou na fase final dos testes de mar e deve voltar ao serviço em 2026 após décadas.
A etapa atual é decisiva, mas ainda não é a última. 

A fase final dos testes de mar de fábrica tem como objetivo validar os sistemas de propulsão, geração de energia, navegação, comunicações, sensores e a integração dos sistemas de combate do cruzador, antes de sua eventual entrega formal à Marinha da Rússia, que ainda dependerá de avaliações adicionais.

Os testes começaram em meados de 2025, quando o navio deixou o estaleiro Sevmash, no norte da Rússia, e voltou ao mar por força própria pela primeira vez em quase três décadas, com seus dois reatores nucleares religados.

A conclusão dessa etapa é um marco importante, mas vale lembrar que, em projetos navais dessa complexidade, é comum haver novos ajustes e até atrasos antes da entrada efetiva em operação.

De navio soviético da Guerra Fria a combatente moderno

A trajetória do Admiral Nakhimov atravessa épocas distintas da história militar. 

Lançado em 1986 com o nome Kalinin e comissionado em 1988, ainda na Marinha Soviética, o cruzador foi renomeado Admiral Nakhimov em 1992, após o colapso da União Soviética, e deixou o serviço ativo no fim da década de 1990, ficando anos parado em Severodvinsk antes do início de sua reconstrução.

A modernização, conduzida no estaleiro Sevmash e acelerada por volta de 2013, buscou transformar uma plataforma concebida na Guerra Fria em um combatente adaptado à guerra naval contemporânea, com novos sistemas de armas, sensores e controle de combate.

O navio foi relançado ao mar em 2020, e o processo todo, somando o longo período parado, custou mais de US$ 5 bilhões e se estendeu por mais de duas décadas, segundo relatos da imprensa especializada.

Um arsenal de fazer inveja, segundo as estimativas

O cruzador nuclear russo Admiral Nakhimov, apelidado de Estrela da Morte, entrou na fase final dos testes de mar e deve voltar ao serviço em 2026 após décadas.
É no armamento que reside boa parte da fama do navio, embora os números precisem de cautela. 

Relatos de fontes abertas indicam que o cruzador modernizado poderá contar com algo entre 174 e 176 células de lançamento vertical, mais do que destróieres e cruzadores modernos dos Estados Unidos e da China, permitindo empregar um mix de mísseis de cruzeiro Kalibr, antinavio Oniks e, possivelmente, hipersônicos Tsirkon, além de sistemas antiaéreos de longo alcance.

Para efeito de comparação, os modernos destróieres Type 055 da China carregam 112 células, e os cruzadores da classe Ticonderoga dos EUA, 122.

Vale ressaltar, porém, que o míssil hipersônico Tsirkon só foi declarado operacional em outros navios russos até agora, e que essas capacidades ainda precisam ser comprovadas na prática a bordo do Nakhimov.

São, portanto, projeções baseadas em informações divulgadas, e não certezas operacionais.

O contraponto: um gigante já obsoleto?

Apesar de impressionar pelos números, o navio divide opiniões entre os especialistas, e é justo registrar o ceticismo. 

Analistas militares ocidentais questionam se uma plataforma de superfície tão grande e cara não estaria ultrapassada na era dos drones e dos mísseis de longo alcance, na qual um alvo desse porte poderia ser relativamente vulnerável, levantando dúvidas sobre se o investimento bilionário valeu a pena.

Vários especialistas apontam ainda que o verdadeiro trunfo naval da Rússia em alto-mar hoje está nos submarinos nucleares, capazes de disparar os mesmos mísseis de forma muito mais furtiva, e não em grandes navios de superfície.

Além disso, os sucessivos atrasos do programa expõem os limites e as prioridades da construção naval russa, pressionada por sanções e restrições orçamentárias. Trata-se, portanto, de um debate em aberto, sem consenso entre os analistas.

O valor militar e simbólico para Moscou

Para além da capacidade de combate, o navio carrega um peso político. 

A volta do Admiral Nakhimov é considerada importante para a Frota do Norte, que concentra os principais meios estratégicos da Marinha russa, e o cruzador deverá se tornar uma espécie de nau capitânia, complementando ou substituindo capacidades hoje associadas ao Pyotr Velikiy, outro cruzador nuclear da mesma classe, cujo futuro é incerto.

Em termos operacionais, dependendo de onde for posicionado, o navio poderia ampliar a capacidade russa de projeção de poder em áreas como o Ártico, o Atlântico Norte, o Mediterrâneo e o Pacífico.

Em termos simbólicos, representa a tentativa de Moscou de preservar e atualizar um dos legados mais ambiciosos da engenharia naval soviética, num momento de tensões com o Ocidente.

Esta matéria, vale frisar, apenas descreve esse contexto, sem tomar partido em disputas geopolíticas.

O retorno do cruzador nuclear russo Admiral Nakhimov, o gigante apelidado de “Estrela da Morte”, é um daqueles acontecimentos que misturam impressionante engenharia naval, estratégia militar e simbolismo político.

Se as estimativas sobre seu arsenal se confirmarem, ele será um dos navios de guerra de superfície mais armados do planeta, mas, como mostram analistas, ainda paira a dúvida sobre sua real utilidade na guerra moderna.

Entre o orgulho de uma potência naval e o ceticismo dos especialistas, o navio simboliza tanto a ambição quanto os desafios da Rússia em manter viva uma herança militar concebida em outra era.

E você, o que acha do retorno desse colossal cruzador nuclear? Acredita que navios de guerra gigantes ainda fazem sentido na era dos drones e mísseis, ou são alvos caros demais? Deixe seu comentário, com respeito às diferentes opiniões, conte o que achou dessa façanha da engenharia naval e compartilhe a matéria com quem se interessa por defesa, tecnologia militar e geopolítica.

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