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Aos 89 anos, homem vive sozinho há quase 30 anos no topo de uma montanha a 1.900 metros, em templo antigo perdido na mata, inacessível, misterioso e cercado por lendas ancestrais

Publicado em 22/11/2025 às 12:57
Aos 89 anos, homem que vive na montanha em templo antigo na montanha isolada revela vida simples na montanha e mistérios de uma montanha cercada de lendas.
Aos 89 anos, homem que vive na montanha em templo antigo na montanha isolada revela vida simples na montanha e mistérios de uma montanha cercada de lendas.
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Em Guizhou, um idoso transforma uma montanha de 1.900 metros em casa definitiva, vivendo quase três décadas recluso em um templo de pedra, sem estrada, sem vizinhos, com acesso difícil, rotina simples, poucas posses, muita fé, lembranças da família e o horizonte como companhia diária todas as manhãs e noites.

Viver sozinho no topo de uma montanha a 1.900 metros de altitude, cercado por mata virgem, neblina e silêncio, não é cenário de lenda, é a vida real de um homem de 89 anos que há quase 30 anos decidiu ficar ali em cima. Longe de cidade, longe de buzina, longe de qualquer rotina comum, ele transformou um templo antigo esquecido em casa, abrigo e universo particular.

Enquanto muita gente sonha em sair da cidade para um sítio, ele foi ainda mais longe. Subiu a montanha, entrou na floresta fechada, atravessou trilhas íngremes e bambuzais intermináveis e nunca mais desceu de vez. A montanha virou fronteira, templo e espelho, onde o tempo passa devagar e o mundo parece existir só lá embaixo, distante.

A montanha que esconde um templo e um morador solitário

Vista de cima, a montanha parece esconder o que existe no topo. De drone, o que se vê são camadas de montanhas onduladas e uma floresta tão fechada que apaga qualquer sinal de caminho.

No meio desse cenário, uma casa e um templo antigo aparecem como um pequeno ponto perdido no alto.

A região é isolada, com mata virgem densa, galhos e folhas que se sobrepõem como se formassem uma rede natural para bloquear a passagem.

Não há estrada, não há placa, não há acesso fácil. O próprio morador, quase aos 90 anos, vive ali como se o resto do mundo tivesse ficado em outra era.

Trilha íngreme, bambuzal fechado e três horas até o topo

Para alcançar o topo da montanha, é preciso começar por uma trilha discreta indicada por moradores locais. Nada de escadaria turística ou mirante sinalizado.

O caminho atravessa uma floresta de bambu, com chão molhado, trechos escorregadios e uma sensação constante de estar em um labirinto verde.

Quase três horas de montanha contínua, com desníveis fortes, penhascos ao lado da trilha, riachos cruzando o caminho e trechos em que só se enxerga bambu para todos os lados.

Em dias de neblina, a visibilidade despenca e a montanha parece ainda mais fechada.

No meio do percurso, a sensação é de estar entrando em uma montanha esquecida, onde o tempo não tem pressa.

Não há sinal de celular, não há barulho de carro, apenas vento, água correndo e o som das folhas. É o tipo de caminho que afasta curiosos por cansaço, medo ou simplesmente por respeito ao esforço.

O templo antigo de pedra no alto da montanha

Depois de horas de subida, a trilha abre e o templo aparece. Um conjunto de construções de pedra, com pátio interno, paredes marcadas pela ferrugem do tempo e colunas esculpidas com figuras de animais e seres míticos.

No centro do pátio, uma grande piscina recolhe a água da chuva que cai do telhado, escoando por valas discretas.

Tudo ali respira antiguidade. Paredes de pedra com manchas, rachaduras e inscrições já quase apagadas, pilares construídos com técnica de encaixe e espiga, sem concreto moderno, e detalhes que remetem a períodos históricos antigos.

O morador conta que o lugar é o Templo Sanjie, na Montanha Sanjie, ligado a histórias que atravessam dinastias e lendas.

Na parte interna, há um salão principal com estátuas de deuses, onde ele pede respeito e prefere que não haja fotos.

Uma escada íngreme leva a um segundo nível, de onde se vê o pátio de cima, a estrutura completa do templo e, ao fundo, o desenho da montanha se espalhando em camadas até perder de vista.

A rotina mínima de quem escolheu ficar

O homem se apresenta como vovô Jia. Ele diz que subiu a montanha por volta dos 64 ou 65 anos e desde então vive no templo.

Isso significa quase três décadas morando sozinho no alto da montanha, sem vizinhos e sem vida urbana.

A rotina é simples e direta. Ele desce a montanha em média a cada meio mês para comprar o básico. Cada descida é uma operação, e cada subida de volta é uma prova de resistência, muitas vezes carregando comida e mantimentos nas costas por três ou quatro horas de montanha íngreme.

Na cozinha, o cenário é de minimalismo extremo. Um fogão simples, um armário com tigelas, alguns utensílios e uma tábua com um pedaço de repolho.

Ele conta rindo que às vezes cozinha uma tigela de arroz por dia e não consegue terminar, jogando o resto para os pássaros. Comida, para ele, deixou de ser prazer e virou apenas sustento básico.

Ele não usa celular, não passa o dia em telas, não tem distrações digitais. A vida dele se resume ao templo, às pequenas tarefas diárias, à horta que tenta manter ali em cima e ao olhar constante para a montanha e o céu, que mudam um pouco a cada dia, mas nunca deixam de estar presentes.

Lenda, espiritualidade e o “rei da montanha”

O vovô Jia fala da montanha como se ela fosse um ser vivo, quase uma divindade. Ele menciona que o templo teria origens ligadas à Dinastia Han e que o formato atual teria alguns séculos de existência, embora muitas inscrições já não possam ser lidas.

Para ele, ali é uma espécie de escola espiritual, um lugar de prática e disciplina.

Moradores da região o tratam como uma figura quase mística, algo entre guardião do templo e “Bodhisattva Rei da Montanha”. Ele ri disso, mas também assume que fez uma escolha radical.

Em vez de envelhecer cercado pela família na cidade, preferiu ficar no alto da montanha, em paz com a própria decisão.

A família tentou trazê-lo de volta. Parentes o convidaram para morar em Guiyang ou voltar para a cidade natal de Anchang, oferecendo casa, cuidado e companhia.

Ele recusou. Diz que não quer ser peso para ninguém, que ali em cima é o lugar dele, que descer significaria abandonar a vida que escolheu construir.

Vista de três regiões e uma varanda para o mundo

Atrás do templo, há uma espécie de plataforma natural, um mirante de pedra. De lá, ele explica que a Montanha Sanjie marca o encontro de três regiões: Nanchuan, em Chongqing, e Tongzi e Zheng’an, em Guizhou. É como se a montanha fosse um ponto de costura entre três mundos diferentes.

Do mirante, a paisagem é quase irreal. Montanhas em camadas, vales profundos, florestas densas e uma neblina que, ao cair da tarde, sobe devagar, engolindo tudo.

Em dias mais claros, é possível ver muito longe. Nos dias fechados, a sensação é de estar flutuando em um mar de nuvens.

Para quem vive ali há décadas, essa vista não é passeio, é rotina. A montanha é janela, relógio e calendário, marcando a passagem das estações pelo jeito como a névoa se forma, pelo som do vento, pelo brilho da luz batendo nas pedras.

O que fica é a imagem de um homem de 89 anos que escolheu viver quase 30 anos sozinho, em um templo antigo no alto de uma montanha isolada, com pouco conforto material, nenhum luxo e uma paz que poucas pessoas topariam buscar nesse nível.

Entre a cidade e a montanha, ele escolheu a montanha sem olhar para trás.

Pensando na vida desse ancião, você se vê subindo uma montanha assim para viver em silêncio e isolamento, ou acredita que nunca abriria mão da vida embaixo, cheia de gente, barulho e movimento?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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