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Ela começou em 1986 com uma pequena malharia de moletons e camisetas básicas em Brusque e viu a Colcci virar febre nacional e ícone das passarelas, com mais de 110 franquias e cerca de 1.200 pontos multimarcas em 2008

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 05/08/2026 às 15:42 Atualizado em 05/08/2026 às 16:03
Colcci nasceu em 1986 como pequena malharia de moletons em Brusque e virou ícone das passarelas. Veja quem fundou, quando foi vendida e o que mudou depois.
Colcci nasceu em 1986 como pequena malharia de moletons em Brusque e virou ícone das passarelas. Veja quem fundou, quando foi vendida e o que mudou depois.
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Lila Colzani fundou a marca ao lado do empresário Jorge Colzani, produzindo peças simples e baratas. A empresa foi vendida ao grupo AMC Têxtil no início dos anos 2000, e ela permaneceu como diretora de estilo até 2006, quando pediu demissão e se mudou para São Paulo.

Começou com moletom, camiseta e shortinho. Nada mais que isso. A Colcci nasceu em 1986, em Brusque, no Vale do Itajaí catarinense, como uma pequena malharia voltada a peças básicas de boa qualidade e preço acessível, fundada pela estilista Lila Colzani ao lado do empresário Jorge Colzani.

O salto para o mundo fashion levou quase duas décadas. Em junho de 2008, a rede somava mais de 110 franquias e cerca de 1.200 pontos multimarcas, segundo levantamento publicado pelo portal Sua Franquia, e a marca já havia se tornado presença fixa nas passarelas brasileiras.

O que a marca vendia no começo

Colcci nasceu em 1986 como pequena malharia de moletons em Brusque e virou ícone das passarelas. Veja quem fundou, quando foi vendida e o que mudou depois.
Colcci nasceu em 1986 como pequena malharia de moletons em Brusque e virou ícone das passarelas. Veja quem fundou, quando foi vendida e o que mudou depois.

A proposta inicial era modesta e explicitamente popular. A produção se concentrava em moletons, camisetas e alguns shortinhos, com o objetivo de oferecer peças de qualidade a preço acessível.

Até o logotipo seguia essa lógica funcional. Ele estampava as etiquetas dos produtos e a fachada do estabelecimento, cumprindo o papel básico de nomear e identificar o negócio, sem nenhuma pretensão de moda. Era uma malharia entre tantas em uma cidade que já vivia do setor têxtil.

Por que Brusque

A escolha da cidade não é acaso, e o contexto local ajuda a explicar o resto da história. Brusque fica no Vale do Itajaí e integra um dos maiores polos têxteis do país, ao lado de municípios como Blumenau e Jaraguá do Sul.

A região concentra desde grandes indústrias até pequenas malharias familiares, com mão de obra especializada, fornecedores de tecido e maquinário disponíveis a poucos quilômetros. Montar uma confecção ali significava ter toda a cadeia produtiva ao alcance, o que reduz custo e encurta prazo de produção.

A virada dos anos 1990

Durante a década de 1990, a marca cresceu rápido, principalmente por meio de franquias. Foi esse modelo que garantiu presença nacional e a levou a shoppings de todo o país.

O catálogo também se ampliou. Além das peças básicas iniciais, passaram a sair vestidos de tecidos leves, jaquetas, calças e bermudas jeans, blusas e uma linha de acessórios que incluía carteiras, necessaires, bolsas e toalhas. Foi no fim daquela década que a direção começou a apostar em produtos mais trabalhados, voltados ao universo da moda propriamente dita, e não apenas ao vestuário básico.

A venda para o grupo catarinense

O ponto de inflexão foi a mudança de controle. A marca foi adquirida pelo grupo AMC Têxtil, dos Menegotti, também de Santa Catarina, que passou a comandar a reestruturação.

Aqui vale registrar uma divergência de data entre publicações. O jornal O Município, de Brusque, o portal Cultura Mix e um estudo acadêmico sobre a marca apontam a venda em 2000. Já o portal Mineral Fashion Store informa 2004, e a Wikipédia em inglês registra apenas início dos anos 2000. A reestruturação conduzida pelo novo controlador se estendeu por cerca de quatro anos.

O que mudou depois da compra

A estratégia foi reposicionar a marca de forma agressiva. O grupo definiu com precisão o público que queria atingir, elevou os preços, investiu em design, em pontos de venda e em marketing.

O símbolo dessa virada tem nome. A partir de 2004, a modelo Gisele Bündchen passou a estrelar as campanhas da marca, associação que se tornou uma das mais reconhecíveis da moda brasileira. A empresa também firmou presença nas semanas de moda, encerrando desfiles e transformando a passarela em vitrine principal. O grupo controlador seguiu comprando: em 2008, adquiriu o grupo TF, dono das marcas Forum, Tufi Duek e Triton.

O que aconteceu com a fundadora

A criadora da marca acompanhou parte dessa transformação de dentro. Após a venda ao grupo, Lila Colzani permaneceu no cargo de diretora de estilo até 2006, quando pediu demissão e se mudou para São Paulo.

Ela ficou 15 anos na capital paulista e retornou a Brusque, sua cidade natal, em 2021. Ao explicar a decisão, disse que o único plano era sair de São Paulo e se aproximar da família. Levou consigo a marca de moda infantil Pistol Star e passou a atuar também como consultora do setor, marcando reuniões com empresários locais para entender a economia da cidade. Ela deixou claro que não considerava aquilo uma despedida definitiva da capital.

Os números não batem entre as fontes

Aqui é preciso cuidado com as cifras que circulam. O portal Sua Franquia, em junho de 2008, registrou mais de 110 franquias e cerca de 1.200 pontos multimarcas.

Outra publicação informa 102 lojas franqueadas e 1.500 lojas no Brasil, além de operação em 31 países, com 1.650 lojas de etiqueta e nove franquias no exterior, com presença em mercados como Guatemala, Espanha, Arábia Saudita, França, Itália, Reino Unido, Áustria, Suíça, Holanda, Portugal e Japão. A Wikipédia em inglês registra 2.600 funcionários em 2009 e sinaliza que o verbete precisa de atualização. Nenhum desses números é recente, e todos correspondem ao intervalo entre 2008 e 2009.

O tamanho do grupo por trás da marca

A dimensão da operação fica mais clara quando se olha o conjunto. O grupo controlador reúne, além da Colcci, marcas como Malhas Menegotti, Sommer, Carmelitas e a linha de vestuário licenciada da Coca-Cola.

Com a compra do grupo TF, em 2008, o conglomerado passou a ser apontado como um dos maiores detentores e gestores de marcas de vestuário da América Latina. Levantamento da mesma época indica produção anual de 2,8 milhões de peças de vestuário e consumo de 10.200 toneladas de tecido, considerando todas as marcas do grupo.

O que a história mostra

O percurso descrito aqui tem um padrão que se repete no setor têxtil brasileiro. Uma confecção pequena nasce em polo regional, cresce por franquia, chega ao limite do próprio modelo e é comprada por um grupo maior que faz o reposicionamento.

A diferença é o que veio depois. A marca deixou de competir por preço e passou a competir por desejo, movimento que exigiu campanhas caras, presença em semana de moda e associação com nome de peso internacional. De moletom básico a encerramento de desfile levou cerca de vinte anos, e a fundadora participou apenas da primeira metade desse caminho.

E você, lembra de ter usado alguma peça dessa marca na adolescência? Conta aqui nos comentários qual era e em que época foi, e diga se acha que marca de moda que sobe de preço perde o público que a construiu.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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