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Dono da megaloja Havan enterrou R$ 250 milhões numa obra que não é loja nenhuma, e R$ 150 milhões desse valor foram só para uma máquina instalada no litoral norte de Santa Catarina

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 02/08/2026 às 10:51 Atualizado em 02/08/2026 às 11:08
Dono da megaloja Havan aplicou R$ 250 milhões em Barra Velha, e R$ 150 milhões foram só para um transelevador robótico.
Dono da megaloja Havan aplicou R$ 250 milhões em Barra Velha, e R$ 150 milhões foram só para um transelevador robótico.
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A ampliação do Centro de Distribuição em Barra Velha começou no início de 2026 e está sendo concluída neste mês de agosto. São 50 mil metros quadrados a mais e um transelevador robótico que custou 60% de todo o investimento. O galpão passa a ter 250 mil metros quadrados.

Quando uma empresa de varejo anuncia investimento bilionário, a expectativa é de loja nova. Desta vez não é. O dono da megaloja Havan, Luciano Hang, aplicou R$ 250 milhões na ampliação do Centro de Distribuição da rede em Barra Velha, no litoral norte de Santa Catarina, conforme reportagem de Matheus Chaves publicada pelo portal ABC Mais em 1º de agosto de 2026 e cobertura anterior de veículos catarinenses e da Gazeta do Povo.

A divisão do dinheiro chama atenção mais que o total. Foram R$ 100 milhões para as obras civis e R$ 150 milhões para um único equipamento, um transelevador robótico usado para armazenar e movimentar mercadorias. Ou seja, 60% do investimento não foi para tijolo, concreto ou telhado, e sim para automação.

O que é essa máquina de R$ 150 milhões

Dono da megaloja Havan aplicou R$ 250 milhões em Barra Velha, e R$ 150 milhões foram só para um transelevador robótico.
Dono da megaloja Havan aplicou R$ 250 milhões em Barra Velha, e R$ 150 milhões foram só para um transelevador robótico.

Transelevador é o nome técnico de um sistema robótico de armazenagem vertical. Ele desliza por corredores estreitos entre prateleiras muito altas, retira e deposita paletes e caixas em posições determinadas por software, sem operador humano dentro do corredor.

A vantagem não está apenas na velocidade. O equipamento permite aproveitar altura que uma empilhadeira convencional não alcança com segurança, o que multiplica a capacidade de estocagem sem aumentar a área de piso. Some se a isso a precisão no controle de estoque e a redução de erros na separação de pedidos. Vale registrar que este não é o primeiro transelevador do complexo, e sim mais um somado a uma estrutura que já opera com outros equipamentos do tipo e com quilômetros de esteiras automatizadas.

O tamanho do galpão depois da obra

A ampliação partiu da compra de um terreno vizinho ao complexo existente. Com a incorporação dessa área, o Centro de Distribuição passa de aproximadamente 200 mil metros quadrados para 250 mil metros quadrados de área construída.

Para dimensionar o que isso significa, a comparação usada pela imprensa catarinense é com campos de futebol: o complexo fica equivalente a cerca de 35 campos oficiais. A empresa apresenta a estrutura como o maior centro de distribuição da América Latina, classificação que parte da própria companhia e é repetida por veículos que cobrem o setor.

Quando a obra começou e quando termina

Dono da megaloja Havan aplicou R$ 250 milhões em Barra Velha, e R$ 150 milhões foram só para um transelevador robótico.
Dono da megaloja Havan aplicou R$ 250 milhões em Barra Velha, e R$ 150 milhões foram só para um transelevador robótico.

A cronologia ajuda a entender por que o assunto voltou ao noticiário agora. O anúncio do investimento foi feito por Hang em julho de 2025. As obras começaram efetivamente no início de 2026, e a conclusão está prevista para agosto de 2026, mês em que a matéria original foi publicada.

Ou seja, o que está sendo noticiado neste momento não é um anúncio novo, é a entrega de um projeto anunciado no ano anterior. A confusão entre anúncio e entrega é comum em pautas de investimento empresarial, e nesse caso os dois momentos estão separados por cerca de treze meses.

Por que Barra Velha virou o centro da operação

A escolha da cidade não é aleatória e tem a ver com posição no mapa. Barra Velha fica no litoral norte catarinense, com acesso às principais rodovias que ligam o Sul ao Sudeste do país, região onde se concentra a maior parte do consumo brasileiro.

É de lá que sai tudo o que abastece as lojas da rede espalhadas pelo território nacional. A operação funciona como coração logístico da empresa, e é por isso que a companhia trata o complexo como estrutura estratégica. Uma rede com quase duzentas lojas não se sustenta apenas abrindo pontos de venda, precisa de capacidade de reposição que acompanhe o crescimento, e é exatamente esse gargalo que o investimento pretende resolver.

O volume que passa por lá todo dia

O número que descreve o movimento diário do complexo varia conforme a publicação, e vale registrar essa divergência. Reportagem da Gazeta do Povo aponta cerca de um milhão de produtos por dia. Já matéria do Jornal JC, de maio de 2026, cita quase três milhões de produtos diários percorrendo sete quilômetros de esteiras automatizadas.

Qualquer que seja o número correto, a ordem de grandeza explica a lógica do investimento. Movimentação nessa escala torna cada segundo economizado em separação de pedido um ganho relevante ao longo do ano. É por isso que automação, em centro de distribuição, costuma se pagar mais rápido do que ampliação de área.

Quantas pessoas trabalham no complexo

O contingente humano continua grande, apesar da automação. Segundo o empresário, o centro reúne cerca de 2,5 mil colaboradores diretos, sendo aproximadamente mil motoristas de caminhão e 1,5 mil pessoas na operação interna.

A meta divulgada é chegar a 3,5 mil trabalhadores ao fim da ampliação, número que inclui os motoristas da Transben, empresa responsável pelo transporte de cargas da varejista. Só para a fase atual da obra, a companhia informou ter contratado 300 pessoas. A empresa mantém ainda uma linha de ônibus própria para levar funcionários ao trabalho, com trajeto passando por Penha, Piçarras, Barra Velha, São João do Itaperiú e Balneário Barra do Sul.

A cidade que cresceu junto

Existe um dado que Hang costuma repetir ao falar de Barra Velha e que dá dimensão do impacto local. Segundo ele, quando a Havan chegou ao município, há cerca de 15 anos, a cidade tinha aproximadamente 20 mil habitantes.

Hoje a população se aproxima de 60 mil, e o empresário descreve o local como uma das cidades que mais crescem no Brasil. Ele atribui parte relevante desse crescimento à presença da companhia. Vale tratar essa leitura pelo que ela é, uma avaliação do próprio investidor, ainda que o efeito de um complexo logístico com milhares de empregos sobre uma cidade desse porte seja inegável. Uma operação que emprega 2,5 mil pessoas em um município de 60 mil habitantes redesenha o mercado de trabalho local, com efeito também sobre moradia, comércio e serviços.

Onde essa obra entra no plano maior

O aporte em Barra Velha não é peça isolada. Ele integra um pacote de investimentos de quase R$ 2 bilhões aplicados pela empresa entre 2025 e 2026, distribuídos entre compra de terrenos, construção de lojas e reforço da estrutura logística.

O calendário comercial explica a pressa. A rede projeta encerrar 2026 com 200 megalojas e cerca de 25 mil funcionários, no ano em que completa 40 anos de fundação. Em junho de 2026, a companhia contava 193 unidades em operação e planejava abrir mais 15 até dezembro, incluindo estreias em estados onde ainda não atuava, como Ceará, Amapá e Roraima.

Por que expandir estoque antes de abrir loja

A ordem das etapas revela a estratégia. Abrir 15 lojas em um semestre significa aumentar a demanda por reposição em toda a malha, e uma loja sem produto na prateleira é prejuízo em vez de receita.

É por isso que a expansão logística precisa vir antes ou junto da expansão comercial, nunca depois. O modelo de loja de departamentos trabalha com mix muito amplo, o que multiplica o número de itens diferentes que precisam ser separados, embalados e despachados. Nesse formato, a capacidade do centro de distribuição é o teto real de crescimento da rede, mais até do que o número de pontos de venda.

O que a empresa diz e o que já vem depois

Ao comentar o investimento, Hang classificou o centro de distribuição como o coração da companhia e afirmou que o aporte garante eficiência e qualidade no atendimento. Ele também informou que a rede cresceu 20% no primeiro trimestre de 2026 e declarou satisfação com os resultados da operação catarinense.

Há ainda um recado sobre o futuro. O empresário sinalizou que a fase atual não encerra os planos para o município e afirmou que uma nova ampliação do complexo está prevista para começar em breve, sem detalhar valor, prazo ou dimensão. Isso significa que o número de 250 mil metros quadrados pode não ser o teto, e que a rodada concluída neste mês tende a ser mais um capítulo do que um ponto final.

O que esse tipo de investimento diz sobre o varejo

Existe uma leitura setorial nesse movimento que ultrapassa a marca envolvida. Grandes redes brasileiras vêm concentrando capital em automação de armazém e em capacidade logística, e não apenas em novos pontos de venda.

A razão é econômica. Custo logístico pesa cada vez mais na formação do preço final, especialmente em um país com distâncias continentais e malha rodoviária como espinha dorsal do transporte. Quem reduz tempo de separação, erro de estoque e ruptura de abastecimento ganha margem sem precisar aumentar preço. A conta que sustenta um transelevador de R$ 150 milhões é essa, e ela vale para qualquer varejista de porte nacional, independentemente do formato de loja.

E você, imaginava que uma única máquina dentro de um galpão pudesse custar mais que a construção inteira? Conta aqui nos comentários se você acha que automação desse tipo tira ou cria emprego na região onde é instalada, e se já esperou muito tempo por um produto que estava em falta na loja.

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Bruno Teles

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