Estudante gaúcha de 18 anos encerra três anos de preparação intensa, garante vaga em uma das universidades mais seletivas do mundo e terá todos os custos pagos durante a graduação nos Estados Unidos
Quando a tela do computador finalmente carregou e a palavra “aprovada” apareceu, o silêncio do quarto rapidamente se transformou em emoção. Aos 18 anos, a estudante Mariana Chaves, aluna do Colégio Militar de Santa Maria, descobriu que havia sido aceita com bolsa integral na Universidade Harvard, uma das instituições de ensino superior mais concorridas e prestigiadas do planeta.
A conquista representa o resultado de pelo menos três anos de preparação intensa, marcada por atividades acadêmicas, projetos extracurriculares e participação em iniciativas de impacto social. Além disso, a aprovação garantiu à estudante uma bolsa integral, que cobre despesas como alimentação, transporte, moradia nos dormitórios universitários e seguro-saúde durante toda a graduação.
A confirmação da vaga foi divulgada oficialmente pela própria universidade. A informação foi divulgada pelo portal g1, com confirmação da Universidade Harvard, que informou que Mariana está entre os brasileiros aceitos para a turma do Harvard College de 2030, cujo início das aulas ocorre em agosto, quando a jovem embarca para os Estados Unidos.
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Como funciona o processo seletivo para Harvard
Ingressar em Harvard exige muito mais do que boas notas. De acordo com informações oficiais da universidade, o comitê de admissão avalia diversos fatores, como desempenho acadêmico no ensino médio, liderança, impacto social e participação em atividades extracurriculares relevantes.
Durante os últimos três anos, Mariana construiu um perfil acadêmico competitivo. Entre as atividades que fortaleceram sua candidatura estão:
- Voluntariado no Interact Club, onde trabalhou diretamente com comunidades em situação de vulnerabilidade;
- Pesquisa acadêmica, que despertou seu interesse pela área econômica;
- Mentoria da Fundação Estudar, que acompanhou todo o processo de candidatura;
- Participação em simulações da ONU, voltadas para diplomacia, negociação e oratória.
Segundo Mariana, as simulações da ONU tiveram um papel importante em sua formação intelectual. Esses encontros simulam debates internacionais e colocam os estudantes no papel de representantes de diferentes países para discutir problemas globais e soluções diplomáticas.
Além dessas atividades, o processo de candidatura também exige diversas etapas formais. Entre elas estão o envio de histórico escolar, cartas de recomendação de professores, redação pessoal, lista de atividades extracurriculares e respostas a perguntas suplementares da universidade.
Outro detalhe importante é que Harvard não exige que o estudante escolha o curso antes da admissão, já que a chamada declaração de concentração — equivalente à escolha definitiva da área de formação — acontece apenas no segundo ano da graduação.
Trajetória escolar passou por quatro redes de ensino
A trajetória educacional de Mariana também chama atenção por ter passado por quatro modelos diferentes de ensino no Rio Grande do Sul.
Nos primeiros anos da educação básica, ela estudou em escolas públicas municipais da cidade de Santiago. Posteriormente, cursou parte do ensino fundamental na rede estadual e, mais tarde, também teve experiência na rede privada.
Por fim, concluiu o ensino médio no Colégio Militar de Santa Maria, instituição que oferece diversos projetos acadêmicos e atividades complementares voltadas ao desenvolvimento de liderança e pensamento crítico.
Segundo a estudante, cada uma dessas experiências contribuiu para ampliar sua visão de mundo.
Da escola pública, ela afirma ter aprendido sobre diversidade social e convivência com diferentes realidades, algo que mais tarde influenciou sua decisão de participar de atividades de voluntariado.
Já no Colégio Militar, Mariana encontrou oportunidades de participar de projetos acadêmicos, clubes estudantis e viagens educacionais, iniciativas que ajudaram a fortalecer seu currículo internacional.
O sonho de estudar em Harvard começou no ensino fundamental
O desejo de tentar uma vaga em uma universidade norte-americana surgiu ainda cedo. Mariana conta que ouviu falar pela primeira vez sobre o processo de admissão para universidades internacionais quando estava no 8º ano do ensino fundamental.
Entretanto, foi apenas no 9º ano que ela decidiu transformar esse sonho em um objetivo concreto.
Uma das inspirações foi uma ex-aluna do Colégio Militar de Santa Maria que havia sido aceita em Harvard anos antes, mostrando que o caminho, embora difícil, era possível.
A partir desse momento, Mariana começou a construir um currículo competitivo, investindo em atividades acadêmicas, projetos de pesquisa e iniciativas de impacto social que demonstrassem não apenas desempenho escolar, mas também propósito e liderança.
Mesmo assim, ela admite que o processo foi desafiador.
Segundo a estudante, o caminho para universidades estrangeiras ainda é pouco conhecido em muitas regiões do Brasil, especialmente no interior do país.
Por isso, durante o processo, ela também decidiu prestar ENEM e vestibulares brasileiros, garantindo alternativas caso a aprovação internacional não acontecesse.
Equilíbrio entre estudo, amizades e saúde mental

Durante o período de preparação para a candidatura, Mariana adotou uma estratégia que considera essencial para o sucesso: equilíbrio entre dedicação acadêmica e vida pessoal.
Embora estudasse intensamente durante a semana, ela reservava momentos para descanso, lazer e convivência com amigos nos fins de semana.
Para a jovem, esse equilíbrio foi fundamental para manter a saúde mental e a motivação ao longo de um processo tão competitivo.
Além disso, o apoio da família também teve papel decisivo na conquista.
Desde cedo, os pais incentivaram a participação da estudante em atividades extracurriculares, projetos acadêmicos e iniciativas de impacto social, criando uma base sólida para sua formação.
Agora, com a mudança para os Estados Unidos marcada para agosto, um novo desafio começa: viver longe da família enquanto inicia a graduação em uma das universidades mais prestigiadas do mundo.
Planos para o futuro incluem políticas públicas e impacto social
Em Harvard, Mariana pretende estudar Governo e Economia, áreas que despertaram seu interesse ainda durante o ensino médio.
Uma experiência marcante foi a participação em uma pesquisa em economia comportamental realizada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que ajudou a consolidar seu interesse pela área.
Apesar da oportunidade internacional, a estudante afirma que tem um objetivo claro para o futuro: retornar ao Brasil após a graduação.
Seu plano é atuar na área de políticas públicas, especialmente em temas ligados a orçamento público, transparência e gestão econômica, com foco em melhorar a vida das pessoas.
Segundo ela, o propósito é utilizar o conhecimento adquirido para impactar vidas através da economia.
Repercussão nas redes sociais surpreendeu a estudante
Após o anúncio da aprovação, Mariana passou a receber diversas mensagens de estudantes de diferentes partes do país.
Muitas delas vieram de meninas que estudam em escolas públicas e buscam informações sobre como estudar no exterior.
Embora ainda esteja assimilando o tamanho da conquista, a jovem afirma que pretende ajudar outros estudantes interessados em seguir o mesmo caminho.
Segundo Mariana, tornar esse processo mais acessível e compreensível para outros brasileiros pode abrir portas para novas histórias semelhantes no futuro.
Histórias como a de Mariana mostram que é possível chegar longe. Na sua opinião, o que falta para mais jovens brasileiros seguirem esse caminho?


Oportunidade, acesso, apoio e pessoas dispostas a ajudar fazem toda a diferença nessa trajetória difícil, porém possível.