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Antártica emite “eco impossível” a 1,5 km sob o gelo: radar da NASA detecta sinais incompatíveis com gelo comum e levanta hipótese de calor e água ocultos no continente

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 02/01/2026 às 20:11
Assista o vídeoAntártica emite “eco impossível” a 1,5 km sob o gelo: radar da NASA detecta sinais incompatíveis com gelo comum e levanta hipótese de calor e água ocultos no continente
Antártica emite “eco impossível” a 1,5 km sob o gelo: radar da NASA detecta sinais incompatíveis com gelo comum e levanta hipótese de calor e água ocultos no continente
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Radares da NASA detectaram reflexões anômalas a 1,5 km sob o gelo da Antártica, indicando possível água líquida e calor interno capazes de acelerar o degelo.

Muito além da superfície branca e aparentemente imóvel, a Antártica começa a revelar sinais de um comportamento interno muito mais dinâmico do que a ciência imaginava até poucos anos atrás. Dados coletados por radares de penetração no gelo da NASA identificaram reflexões extremamente incomuns a cerca de 1,5 quilômetro abaixo da superfície, um sinal que não corresponde ao padrão esperado de gelo sólido. Entre os pesquisadores, o fenômeno passou a ser descrito como um verdadeiro “eco impossível”, algo que simplesmente não deveria existir naquela profundidade segundo os modelos tradicionais.

A descoberta não surgiu de uma única medição isolada. Ela apareceu de forma consistente em campanhas de mapeamento conduzidas por missões como a Operation IceBridge e complementadas por análises de satélites como o ICESat-2, que monitoram espessura, estrutura interna e variações do gelo antártico com precisão inédita.

O que os radares da NASA realmente encontraram sob o gelo

Os radares utilizados pela NASA são projetados para diferenciar gelo, rocha e água com base na forma como o sinal eletromagnético é refletido. O gelo sólido apresenta uma assinatura bem conhecida, com retorno fraco e previsível. Já a água líquida reflete o sinal de maneira muito mais intensa.

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O problema é que, a 1,5 km de profundidade, o radar registrou reflexividade excepcionalmente alta, incompatível com gelo puro. Em termos técnicos, o retorno do sinal se assemelha mais ao de água líquida ou sedimentos saturados, algo extremamente inesperado em uma região onde as temperaturas deveriam manter tudo congelado.

Esse tipo de assinatura já foi associado anteriormente a lagos subglaciais, mas o local e a intensidade do eco chamaram atenção por ocorrerem em uma área onde tais estruturas não eram previstas.

Por que esse “eco impossível” desafia os modelos climáticos atuais

Durante décadas, os modelos climáticos assumiram que o degelo antártico ocorre majoritariamente de duas formas: na superfície, por influência da temperatura do ar, e na base das plataformas de gelo em contato com o oceano. O que os novos dados sugerem é um terceiro mecanismo relevante: o derretimento vindo de baixo para cima, impulsionado por processos internos da Terra.

Se grandes áreas do gelo estiverem sendo aquecidas internamente, isso significa que os modelos atuais podem estar subestimando a velocidade de perda de massa do continente. Esse fator é especialmente crítico porque a Antártica armazena cerca de 90% do gelo do planeta e é hoje a maior fonte de incerteza nas projeções de elevação do nível do mar do IPCC.

A hipótese do calor geotérmico sob a Antártica

Uma das explicações mais debatidas envolve o fluxo geotérmico, o calor natural que sobe do interior da Terra. Pesquisas publicadas em periódicos como Nature Geoscience indicam que partes da Antártica Oriental repousam sobre uma crosta mais fina e geologicamente ativa do que se pensava.

Esse calor, embora invisível na superfície, pode ser suficiente para manter bolsas de água líquida sob enorme pressão, mesmo em temperaturas abaixo de zero. Quando combinada com sais e sedimentos, essa água altera drasticamente a resposta do radar e cria exatamente o tipo de “eco” observado.

Lagos subglaciais: um sistema oculto sob o continente branco

A Antártica não é um bloco de gelo uniforme. Hoje, a ciência já mapeou mais de 400 lagos subglaciais, alguns com dezenas de quilômetros de extensão, como o famoso Lago Vostok. Esses lagos permanecem líquidos graças à pressão do gelo e ao calor geotérmico.

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O diferencial do novo achado está no fato de que o sinal aparece em uma região onde não se esperava a presença de grandes volumes de água. Além disso, estudos mostram que alguns lagos subglaciais podem drenar e se reabastecer rapidamente, alterando a pressão na base do gelo e facilitando o deslizamento das geleiras em direção ao oceano.

O impacto direto no nível do mar global

Mesmo sem representar um colapso imediato, o fenômeno tem implicações profundas. A presença de água líquida sob o gelo funciona como um lubrificante natural, reduzindo o atrito entre o gelo e a rocha. Isso pode acelerar o escoamento de grandes massas de gelo para o mar.

Relatórios recentes do IPCC já indicam que pequenas mudanças na dinâmica da Antártica podem resultar em elevação de dezenas de centímetros no nível do mar ao longo deste século. Processos ocultos como esse ampliam ainda mais o risco, justamente por serem difíceis de monitorar e modelar.

Como os cientistas pretendem investigar o que existe a 1,5 km de profundidade

Confirmar a natureza exata desse “eco impossível” não é simples. Perfurações profundas na Antártica exigem logística extrema, custos milionários e anos de planejamento. Ainda assim, os pesquisadores defendem uma combinação de estratégias:

  • Novas campanhas aéreas com radares de maior resolução
  • Cruzamento de dados com sensores gravitacionais e térmicos
  • Estudos sísmicos para mapear estruturas da crosta
  • Perfurações direcionadas em pontos críticos

Cada avanço nesse tipo de investigação ajuda a refinar os modelos climáticos globais e a reduzir as incertezas sobre o futuro do planeta.

Um continente que ainda esconde segredos fundamentais

O achado reforça uma conclusão incômoda: sabemos muito pouco sobre o que acontece sob o maior reservatório de gelo da Terra. A Antártica não é apenas um deserto congelado, mas um sistema ativo, influenciado por processos internos, geológicos e hidrológicos que desafiam previsões simplistas.

O “eco impossível” detectado a 1,5 km de profundidade é mais do que uma curiosidade científica. Ele pode ser a chave para entender por que algumas regiões do gelo antártico estão acelerando seu movimento e como fatores invisíveis estão moldando o futuro do nível do mar.

E quanto mais os instrumentos avançam, mais claro fica que o continente branco ainda guarda respostas capazes de redefinir não apenas a ciência polar, mas o próprio equilíbrio climático do planeta.

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EDI JOSE
EDI JOSE(@edilasiojose310)
03/01/2026 11:24

Muito boa a reportagem.

EDI JOSE
EDI JOSE(@edilasiojose310)
03/01/2026 11:23

Até quando esses imbecis, vão esconder que existe vidas extraterrestres nesses locais?

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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