Suspensão comercial da hidrelétrica UHE Jacuí foi publicada em 9 de outubro de 2025 após mais de 12 meses de indisponibilidade causada pelas cheias de maio de 2024; subestação e casa de força alagadas pararam seis unidades, total 180 MW, e obras de modernização seguem até 2027 no RS agora
A hidrelétrica UHE Jacuí, em Salto do Jacuí, no Rio Grande do Sul, teve a operação comercial suspensa pela Aneel depois de ficar mais de 12 meses sem gerar energia, em consequência direta das enchentes históricas de maio de 2024 que inundaram estruturas essenciais do complexo.
Com seis unidades geradoras desativadas e 180 MW de potência instalada fora do sistema, a usina operada pela CEEE-G, controlada pela CSN Energia, entrou em um processo de modernização e repotenciação. Enquanto isso, a empresa pode ter de comprar energia no mercado para cumprir contratos, até a conclusão das obras prevista para 2027.
O que aconteceu nas enchentes de maio de 2024 e por que a usina parou

As cheias históricas de maio de 2024 atingiram o setor elétrico gaúcho e, no caso da UHE Jacuí, o efeito foi direto: a inundação alcançou a subestação e a casa de força, comprometendo a capacidade de geração e tornando a operação inviável.
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A partir desse evento, a empresa comunicou oficialmente à Aneel e ao Operador Nacional do Sistema, o ONS, a indisponibilidade operacional. O resultado prático foi a paralisação de seis unidades geradoras, retirando 180 MW da capacidade instalada do empreendimento.
Fiscalização da Aneel em setembro de 2024 e a avaliação técnica
Em setembro de 2024, técnicos da Aneel realizaram fiscalização presencial na hidrelétrica. O relatório apontou que intervenções parciais não garantiriam segurança nem confiabilidade, e a recomendação foi de modernização completa do complexo.
A avaliação técnica pesou porque existe um limite regulatório: a indisponibilidade pode ser desconsiderada por um período, mas, ao fim do prazo de 12 meses, a usina passa a ser tratada como indisponível para fins de operação comercial quando não há geração.
A decisão de outubro de 2025 e a publicação no Diário Oficial
Com o fim do prazo regulatório de 12 meses, a Aneel decidiu suspender formalmente a operação comercial da hidrelétrica. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União em 9 de outubro de 2025.
A agência também negou o pedido de medida cautelar da CEEE-G, que buscava manter o status operacional até o fim das obras. Na prática, a suspensão reconhece tecnicamente a indisponibilidade, em vez de manter a usina como se estivesse apta a gerar.
O que muda na prática para a empresa e para os contratos de energia
Segundo a Aneel, a medida não tem caráter punitivo. Trata-se de um reconhecimento técnico de que a usina está indisponível para geração de energia elétrica. A suspensão não reduz a garantia física do empreendimento e não exclui a UHE Jacuí do Mecanismo de Realocação de Energia, o MRE.
Mesmo assim, há impacto operacional e comercial. Enquanto não gera energia, a usina deixa de receber alocação de energia no sistema. Se precisar cumprir contratos de venda, a empresa pode ter que adquirir energia de terceiros, atuando de forma semelhante a um comercializador durante o período de indisponibilidade.
Efeito das chuvas extremas de 2024 no setor elétrico do RS
As chuvas extremas de 2024 afetaram severamente o setor elétrico no Rio Grande do Sul. Na época, a Aneel acompanhou 426 empreendimentos de geração no estado, incluindo hidrelétricas, térmicas, eólicas e solares.
Dentro desse conjunto, 44 hidrelétricas passaram por fiscalização detalhada devido a riscos operacionais ou de segurança. A agência destacou que, mesmo em casos de força maior, como eventos climáticos extremos, a suspensão da operação comercial é aplicada quando existe indisponibilidade prolongada não prevista no cálculo da garantia física.
Cronograma até 2027 e o tempo total sem geração desde 2024
De acordo com o cronograma apresentado pela própria CEEE-G, a UHE Jacuí deve permanecer fora de operação até 2027, período necessário para a conclusão da modernização.
Isso significa que, desde 2024, a usina ficará cerca de quatro anos sem gerar energia, com seis turbinas paradas e 180 MW indisponíveis, enquanto a operação comercial permanece suspensa e a empresa precisa administrar contratos com compra de energia no mercado.
Na sua opinião, a suspensão da operação comercial em casos de enchente extrema deveria ter regras mais flexíveis, ou o critério de 12 meses sem geração precisa ser mantido como está?

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