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Alerta de vírus na pequena ilha: Tristão da Cunha, sem aeroporto e com só 216 moradores, agora em atenção por hantavírus

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 10/05/2026 às 11:07 Atualizado em 10/05/2026 às 11:09
Tristão da Cunha, Hantavírus
Imagem: Divulgação
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Caso suspeito em cidadão britânico amplia rastreamento após surto no MV Hondius, com seis confirmações, e chama atenção para Tristão da Cunha, ilha remota do Atlântico Sul sem aeroporto e com 216 moradores

Um caso suspeito de hantavírus acendeu alerta em Tristão da Cunha, ilha remota do Atlântico Sul, após surto ligado ao navio MV Hondius, que passou pelo local em 15 de abril.

Surto ligado ao MV Hondius

O possível infectado é um cidadão britânico. A informação foi divulgada na sexta-feira (8) pela agência sanitária do Reino Unido.

As autoridades rastreiam passageiros do cruzeiro MV Hondius e pessoas que tiveram contato com eles após o surto. Dos oito casos suspeitos identificados, seis já foram confirmados.

O episódio chama atenção pelo avanço do hantavírus e pelo local envolvido. Tristão da Cunha é uma das regiões habitadas isoladas do planeta.

Onde fica Tristão da Cunha

Tristão da Cunha integra o território britânico ultramarino de Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha. A ilha fica em área isolada do Atlântico Sul.

A terra habitada mais próxima é Santa Helena, cerca de 2.400 quilômetros. A África do Sul está aproximadamente 2.800 quilômetros a leste.

Com 98 km², Tristão da Cunha é cerca de 220 vezes menor que Sergipe, o menor estado brasileiro, com aproximadamente 21,9 mil km².

Não há aeroporto na ilha. A única forma de chegar é pelo mar, em viagens que partem de Cidade do Cabo cerca de dez vezes por ano.

A travessia pode levar quase uma semana. O isolamento faz o conjunto de ilhotas ser considerado o local mais isolado do mundo.

Povoado reúne 216 moradores

Toda a população vive em Edinburgh of the Seven Seas. Dados do site oficial da administração do arquipélago indicam que a ilha tem 216 moradores.

Muitos habitantes descendem de um pequeno grupo de colonos estabelecido no século XIX. A comunidade mantém regras próprias para organizar a vida local.

Todas as terras pertencem coletivamente à comunidade. As normas buscam evitar desigualdades econômicas entre moradores e preservar o equilíbrio local.

A criação de animais é controlada para proteger áreas de pastagem e impedir concentração de riqueza. Estrangeiros não podem comprar terras nem morar permanentemente na ilha.

Economia pequena e turismo reduzido

A economia local é baseada em agricultura de subsistência, pesca e venda de selos e moedas comemorativas para colecionadores.

O turismo existe, mas em escala reduzida. Visitantes costumam buscar experiências ligadas à natureza e ao isolamento extremo do arquipélago.

Entre as atrações está o vulcão Queen Mary’s Peak. Em 1961, uma erupção obrigou a população a ser evacuada temporariamente para o Reino Unido.

Meses depois, parte dos moradores decidiu retornar ao arquipélago.

O que é o hantavírus

Indentificado em ao menos seis pessoas a bordo do navio, o hantavírus causa a hantavirose. Em humanos, ela pode se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, conhecida pela sigla SCPH.

Informações do Ministério da Saúde brasileiro indicam que a infecção em humanos pode levar a comprometimento cardíaco.

Entre os sintomas estão fadiga, febre, dores musculares, dores de cabeça, tonturas, calafrios e problemas abdominais.

Em quadros graves, a doença pode causar problemas pulmonares e cardiovasculares severos, com evolução possível para a síndrome da angústia respiratória, chamada SARA.

O hantavírus fica em roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Esses animais podem carregar o vírus por toda a vida sem adocer.

A forma mais comum de infecção humana é pela inalação de aerossóis formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados.

O vírus também pode passar por corte causado por roedores, contato com mucosa dos olhos, boca ou nariz por mãos contaminadas e transmissão entre pessoas, relatada na Argentina e Chile, associada ao hantavírus Andes.

Com informações de G1 e Reuters.

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Romário Pereira de Carvalho

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