Com nova usina no Pará, a Agropalma revoluciona o mercado de biocombustíveis e reforça o uso da palma como fonte de energia renovável.
A Agropalma anunciou nesta terça-feira (05/11/2021) a retomada de sua produção de biodiesel no Pará, marcando um novo ciclo de investimentos da companhia após 15 anos fora do segmento.
A nova planta industrial, instalada na capital paraense, será a primeira do Estado a operar com reação 100% enzimática, um avanço que elimina o uso de produtos químicos e transforma resíduos oleosos em matéria-prima limpa e reaproveitável.
Nova usina reforça compromisso da Agropalma com os biocombustíveis
Com capacidade autorizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para produzir até 36 mil m³ de biodiesel por ano, a Agropalma pretende iniciar as operações com 19 mil m³ anuais, voltados principalmente para atender a crescente demanda do mercado local.
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O investimento faz parte da estratégia da empresa em consolidar o Pará como referência na produção sustentável de biocombustíveis.
Segundo a Agropalma, o projeto é uma resposta direta à elevação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel nacional, que subiu de 10% em 2022 para 15% neste ano, e deverá chegar a 20% até 2030.
Essa mudança regulatória fortaleceu o interesse de empresas do setor agro e de energia em expandir a capacidade produtiva e adotar tecnologias mais limpas.
Expansão do consumo de biodiesel no Pará impulsiona o setor agroindustrial
De acordo com as projeções da companhia, o consumo de biodiesel no Estado deve crescer 50% nos próximos cinco anos, saltando de 448 milhões para 674 milhões de litros anuais.
O aumento reflete não apenas o avanço do agronegócio local, mas também o esforço das autoridades em incentivar o uso de fontes renováveis e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
“Estamos muito contentes por retornar ao ramo do biodiesel em um momento que existe um direcionamento e crescimento desse setor”, afirmou André Gasparini, diretor Comercial, de Marketing e P&D da Agropalma.
Segundo ele, o avanço tecnológico e a clareza regulatória foram fatores decisivos para o investimento.
Produção sustentável e redução de emissões
A usina da Agropalma utilizará resíduos do próprio processo de extração e refino do óleo de palma, como ácidos graxos e óleos de lagoa.
Essa prática, além de reduzir custos, reforça o compromisso da empresa com a sustentabilidade e a economia circular dentro do setor agroindustrial.
De acordo com estimativas da companhia, o uso desses subprodutos permitirá reduzir cerca de 39 mil toneladas de CO₂ por ano, o equivalente à retirada de 19,7 mil carros das ruas.
O processo 100% enzimático elimina a necessidade de reagentes químicos, tornando o biodiesel de palma um dos mais limpos do país.
“O biodiesel possibilita reciclar resíduos em escala industrial e gerar um combustível limpo, contribuindo para o desenvolvimento da região”, destacou Fabrício Menezes de Souza, coordenador da nova unidade, em nota oficial.
Tecnologia enzimática e inovação no setor de biocombustíveis
A tecnologia adotada pela Agropalma representa um marco para a indústria de biocombustíveis no Brasil.
O processo de reação enzimática utiliza catalisadores biológicos em vez de químicos, o que permite melhor aproveitamento das matérias-primas e menor geração de resíduos.
Além disso, essa inovação garante maior eficiência energética e um produto final de melhor qualidade.
Com a nova planta, a Agropalma consolida-se como referência no uso sustentável da palma, uma das culturas mais produtivas em termos de óleo vegetal por hectare.
A empresa reafirma, assim, sua aposta em um modelo de produção alinhado à transição energética e à preservação ambiental, pilares centrais do desenvolvimento do setor agro no país.
Perspectivas para o futuro do biodiesel no Brasil
A retomada da Agropalma ocorre em um momento estratégico para o mercado nacional de biocombustíveis, que vive um ciclo de retomada impulsionado por políticas públicas e demanda crescente por energia limpa.
A meta do governo de atingir uma mistura de 20% de biodiesel até 2030 deve movimentar bilhões em investimentos e gerar novos empregos no campo e na indústria.
Com a usina de Belém em plena operação, o Pará assume protagonismo na produção de biodiesel de palma, fortalecendo a economia regional e posicionando o Estado como referência nacional em energia sustentável.
