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Aeroporto poderia ter 100 MIL passageiros por ano, mas amarga clima de deserto após decisão da Petrobras

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 11/10/2025 às 18:10
Aeroporto de Itanhaém perde movimento após decisão da Petrobras e opera muito abaixo da capacidade, apesar da estrutura moderna.
Aeroporto de Itanhaém perde movimento após decisão da Petrobras e opera muito abaixo da capacidade, apesar da estrutura moderna.
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O aeroporto de Itanhaém, que já teve movimento intenso e impulsionou a economia do Litoral Sul, hoje opera em ritmo reduzido após a transferência das operações da Petrobras para o Rio de Janeiro. A estrutura segue moderna, mas subutilizada.

O Aeroporto Antônio Ribeiro Nogueira Júnior, em Itanhaém, já teve dias de intenso movimento, com aeronaves decolando e pousando em ritmo constante e a economia local crescendo ao redor.

Hoje, porém, o terminal litorâneo vive uma realidade bem diferente.

Após a decisão da Petrobras de concentrar os voos de transporte de trabalhadores e suprimentos das plataformas da Bacia de Santos no estado do Rio de Janeiro, o aeroporto passou a operar muito abaixo de sua capacidade.

Potencial do aeroporto de Itanhaém

Localizado às margens da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, o aeroporto foi inaugurado em meados do século passado e chegou a registrar dezenas de milhares de operações por ano.

Naquele período, o crescimento da aviação regional impulsionava também o comércio e os serviços da cidade, atraindo novas empresas e movimentando empregos.

Estudos de entidades do setor indicam que a estrutura poderia atender mais de 100 mil passageiros por ano, considerando o porte da pista e o fluxo regional.

No entanto, o número atual de embarques e desembarques representa apenas uma fração desse potencial.

O terminal, que chegou a movimentar cerca de 19 mil passageiros em seu auge, hoje funciona quase como um aeroporto fantasma, limitado a voos executivos e de instrução.

Aeroporto de Itanhaém perde movimento após decisão da Petrobras e opera muito abaixo da capacidade, apesar da estrutura moderna.
Aeroporto de Itanhaém perde movimento após decisão da Petrobras e opera muito abaixo da capacidade, apesar da estrutura moderna.

Decisão da Petrobras mudou o cenário

A reconfiguração logística da Petrobras alterou o cenário de vez.

Ao transferir para aeroportos fluminenses — como Maricá e Jacarepaguá — as operações ligadas à Bacia de Santos, a empresa reduziu drasticamente o volume de voos em Itanhaém.

A estatal afirma que a redistribuição das bases aéreas visa otimizar a segurança e a eficiência operacional, avaliando continuamente as necessidades logísticas de suas unidades offshore.

Com isso, o deslocamento dos trabalhadores passou a ser feito de forma mais longa e custosa.

Funcionários que moram na Baixada Santista agora precisam viajar até Congonhas, em São Paulo, e de lá embarcar para o Rio de Janeiro.

Terceirizados, por sua vez, seguem por via terrestre até as cidades fluminenses onde acontecem os embarques para as plataformas.

Impactos econômicos no Litoral Sul

O impacto foi imediato para a economia da cidade.

Hotéis, restaurantes e pequenos prestadores de serviço, que antes dependiam do fluxo de profissionais ligados à indústria do petróleo, viram o movimento cair vertiginosamente.

Em nota, a Prefeitura de Itanhaém reconhece que a decisão da Petrobras causou prejuízos diretos à rede hoteleira, ao comércio e à prestação de serviços.

A ausência dos voos regulares também freou investimentos privados no entorno do aeroporto.

Empresários do setor aéreo e de logística apontam que a ociosidade da pista representa um desperdício de infraestrutura em uma das regiões com maior potencial turístico e industrial do litoral paulista.

Estrutura pronta, mas sem uso comercial

O aeroporto passou por reformas e recebeu investimentos significativos tanto da Petrobras quanto do governo estadual.

Foram aplicados milhões de reais em obras de segurança, sinalização e melhorias no terminal de passageiros.

A gestão do espaço foi transferida para a Rede Voa SP, concessionária que administra outros aeroportos regionais paulistas.

Com uma pista que permite receber aeronaves de médio porte — como os Boeings 737 —, o terminal tem condições técnicas para operar voos comerciais com até 100 passageiros.

Aeroporto de Itanhaém perde movimento após decisão da Petrobras e opera muito abaixo da capacidade, apesar da estrutura moderna.
Aeroporto de Itanhaém perde movimento após decisão da Petrobras e opera muito abaixo da capacidade, apesar da estrutura moderna.

Mesmo assim, a ausência de demanda corporativa e de rotas regulares mantém o local subutilizado.

Segundo a administração da Rede Voa, o aeroporto continua ativo para aviação geral, helicópteros e táxis aéreos, mas sem volume suficiente para retomar a rotina dos anos mais prósperos.

Indústria do petróleo e esvaziamento regional

Para representantes da Federação Nacional dos Petroleiros, o declínio das operações está ligado não apenas à escolha logística da Petrobras, mas também à redução das exigências de conteúdo local na cadeia do petróleo.

Segundo o secretário-geral Adaedson Costa, quando havia obrigatoriedade de contratação de serviços brasileiros, a atividade em Itanhaém era intensa e havia projeções de expansão.

Com o fim dessa política, a empresa concentrou suas bases em outros estados e esvaziou parte da operação paulista.

Essa mudança de política industrial afetou a dinâmica econômica da região, que perdeu contratos, fornecedores e empregos indiretos ligados ao setor naval e aéreo.

A centralização das atividades no Rio também levou para lá parte da arrecadação e do investimento que antes ficavam no Litoral Sul paulista.

Futuro incerto e potencial adormecido

Especialistas do setor aéreo afirmam que o aeroporto possui todas as condições técnicas para voltar a receber grandes operações, caso surja nova demanda corporativa ou turística.

O crescimento da aviação regional em São Paulo e o avanço de polos logísticos próximos podem reacender o interesse de empresas em utilizar a estrutura.

Enquanto isso, o terminal segue operando de forma modesta, sustentado por voos particulares, treinamentos e manutenções.

A paisagem, que já foi marcada por helicópteros da Petrobras cruzando o céu rumo ao pré-sal, hoje é mais silenciosa, simbolizando uma mudança de ciclo na economia da cidade.

A Petrobras, por sua vez, mantém a posição de que revisa periodicamente sua malha de transporte aéreo e que qualquer ampliação de base depende de critérios técnicos e de segurança.

A prefeitura e entidades locais ainda buscam alternativas para atrair novos investimentos e diversificar o uso do espaço.

Diante do potencial logístico e da infraestrutura disponível, o que seria necessário para que o aeroporto de Itanhaém volte a decolar e recupere o movimento que um dia impulsionou toda a região?

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Bianco Breque
Bianco Breque
30/10/2025 18:57

É difícil passar um avião por aqui, em Itanhaém: é isso que dá a descentralização da economia pois visa apenas interesses individuais e o todo fica prejudicado. Mas Deus é grande e a Petrobrás também!

Rosa Maria Ramos de Mesquita
Rosa Maria Ramos de Mesquita
13/10/2025 14:09

Isso é que dá, a centralização de recursos, no eixo sul-sudeste do país. O pior de tudo e, que os recursos aplicados nessas regiões é jogado lixo. Recursos que poderiam ser aplicados em outras regiões; como o nordeste e região norte, Esse lado do país, tão esquecido pelos e, nossos governantes. Isso é um absurdo ! Só as regiões do sul-sudeste, tem o direito à essas benesses. De Fortaleza- Ceará.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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