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Mergulhadores descem ao fundo do mar e encontram nas Bahamas os primeiros naufrágios ligados a piratas reais do Caribe, com canhões, balas de mosquete, casco queimado e pistas da Era de Ouro da Pirataria

Publicado em 05/06/2026 às 11:04
Atualizado em 05/06/2026 às 11:08
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Imagem: Iustração artística
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Expedição autorizada nas Bahamas identificou seis naufrágios em Nassau e arredores, incluindo três ligados à Era de Ouro da Pirataria, com casco queimado, canhões, munições e vestígios associados aos verdadeiros piratas do Caribe

Seis naufrágios foram encontrados em Nassau e nos arredores da capital de New Providence, nas Bahamas, em uma expedição que identificou, pela primeira vez, destroços associados aos verdadeiros piratas do Caribe. Três embarcações são ligadas à Era de Ouro da Pirataria, período em que Nassau foi base de figuras como Barba Negra, Calico Jack Rackham, Henry Avery, Benjamin Hornigold e Anne Bonny.

Naufrágios históricos encontrados
A equipe de mergulhadores descobriu uma pedra de amolar, usada para afiar espadas. O arqueólogo marinho Sean Kingsley documentou a descoberta.
(Crédito da imagem: Chris Atkins, © Wreckwatch TV)

Achado inédito no antigo centro dos piratas do Caribe

A descoberta foi feita por arqueólogos, cineastas e mergulhadores ligados à New Providence Pirates Expedition e ao canal Wreckwatch TV.

A equipe recebeu autorização da Corporação de Antiguidades, Monumentos e Museus das Bahamas para mergulhar em uma zona fechada do porto de Nassau.

Os trabalhos ocorreram em setembro e outubro de 2025. Até então, nenhum dos navios associados à presença pirata na região havia sido escavado, apesar dos registros históricos sobre embarcações destruídas e afundadas perto de Nassau.

No auge da Era de Ouro da Pirataria, em 1718, Woodes Rogers, governador de New Providence, avistou 40 navios naufragados, queimados e afundados por piratas ao largo da costa de Nassau.

Casco queimado reforça tática usada para esconder crimes

Um dos naufrágios foi encontrado no porto de Nassau e consiste principalmente em pedras de lastro. Esse material era usado para estabilizar embarcações e apareceu sobre restos submersos de um casco de madeira queimado.

Segundo o relatório da equipe para a autoridade de antiguidades das Bahamas, os vestígios incluem tábuas, cavernas e cavilhas de madeira.

O uso dessas cavilhas, semelhantes a pregos de madeira, indica que a embarcação foi construída no século XVIII.

Michael Pateman, diretor do Museu Marítimo das Bahamas em Grand Bahama, afirmou que piratas costumavam incendiar navios até a linha d’água depois de retirar carga, canhões e acessórios. A prática servia para apagar vestígios dos crimes diante das autoridades.

Para Pateman, o casco encontrado em Nassau apresenta sinais compatíveis com essa ação pirata. O dado é importante porque conecta a descoberta não apenas a um naufrágio antigo, mas a uma prática descrita para o período.

Naufrágios históricos encontrados
Um canhão no Forte Montagu protege a entrada do porto pirata de Nassau, na Ilha de New Providence, nas Bahamas.

(Crédito da imagem: Sean Kingsley, © Wreckwatch TV)

Canhão, munição e ausência de carga chamam atenção

Outro naufrágio ligado à Era de Ouro da Pirataria foi localizado a cerca de 35 quilômetros a leste de Nassau. A embarcação provavelmente era uma chalupa armada do início do século XVIII, com um único mastro.

No local, os mergulhadores encontraram uma pilha de lastro, um grande canhão de convés e um canhão giratório de ferro.

Também foram identificadas uma pedra de amolar para afiar espadas, balas de mosquete de chumbo e três balas de canhão.

Sean Kingsley, arqueólogo marinho, codiretor da Expedição aos Piratas de New Providence e fundador da revista Wreckwatch, afirmou que os objetos ligados à guerra e o estilo do canhão giratório sugerem duas possibilidades.

A embarcação pode ter sido um navio pirata da Era de Ouro ou um barco marítimo da mesma época preparado para se defender de ataques. A ausência de vestígios de carga torna o cenário de navio pirata mais provável, segundo Kingsley.

Terceiro naufrágio apareceu sob antiga ponte de Nassau

O terceiro naufrágio foi avistado após uma denúncia e fica sob a antiga ponte de Nassau. O relatório menciona que a área é habitada por um tubarão-touro descrito como muito mal-humorado.

No local, a equipe encontrou dois cascos mal preservados. Um deles foi perfurado por um oleoduto moderno, mas ainda foi possível identificar cordame, garrafas de vidro, tábuas do casco e tijolos da cozinha.

Kingsley informou que o navio provavelmente afundou depois de atingir um banco de areia subaquático durante uma tempestade. A equipe também encontrou restos de contêineres e dezenas de cachimbos de barro com o brasão britânico.

Esses cachimbos provavelmente foram fabricados em Londres nas décadas de 1740 ou 1750. O navio também era provavelmente inglês e chegou a New Providence pouco depois de a pirataria deixar de ser uma ameaça.

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Expedição também investigou a vida em Nassau

Além dos mergulhos, a equipe estudou mapas antigos e documentos de 300 anos. Os pesquisadores também investigaram cavernas de piratas, uma plantação com pessoas escravizadas e uma torre de vigia onde, segundo rumores, Barba Negra teria vivido.

Kingsley afirmou que Nassau na Era de Ouro da Pirataria não se parecia com a fantasia de Hollywood. Para ele, a cidade pirata era mais próxima de uma mistura entre uma cidadezinha do Velho Oeste e um acampamento de férias do século XVIII.

Chris Atkins, explorador e cineasta do projeto, destacou que o porto de Nassau é enorme e tem correntes perigosas provocadas pelas marés duas vezes por dia. Ele também citou a presença de grupos de tubarões como parte do risco da expedição.

Os resultados preliminares serão divulgados pela revista Wreckwatch. Kingsley e Atkins também produziram uma série documental para o Wreckwatch TV sobre as descobertas realizadas nas Bahamas.

Esta matéria foi elaborada com base em informações de Live Science, New Providence Pirates Expedition, Wreckwatch TV e declarações de Michael Pateman, Sean Kingsley e Chris Atkins, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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