Acelen recebe apoio do BNDES para megabiorrefinaria na Bahia focada em combustíveis sustentáveis e diesel verde.
A aprovação de R$ 503,04 milhões pelo BNDES para a Acelen marca um novo avanço da indústria brasileira de energia renovável. O financiamento será utilizado na implantação de uma megabiorrefinaria em São Francisco do Conde, na Bahia, com foco na produção de combustíveis sustentáveis de baixa emissão.
Segundo informações do BNDES no dia 21 de maio de 2026, projeto integra um pacote de investimentos estimado em R$ 7 bilhões e prevê início das operações em 2029. A expectativa é produzir até 1 bilhão de litros anuais de SAF, o combustível sustentável de aviação, além de HVO, conhecido como diesel verde. A iniciativa também reforça o papel estratégico da Bahia na transição energética brasileira.
BNDES libera R$ 503 milhões para megabiorrefinaria da Acelen na Bahia
O apoio aprovado pelo BNDES será concedido por meio da linha BNDES Finem – Meio Ambiente, voltada ao incentivo de projetos sustentáveis e de descarbonização industrial.
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A operação reúne um consórcio formado por doze instituições financeiras, lideradas pelo HSBC e pela IFC, instituição ligada ao Grupo Banco Mundial. O objetivo é garantir financiamento de longo prazo para acelerar a implantação da megabiorrefinaria da Acelen na Bahia.
Segundo Leonardo Yamamoto, sócio do Mubadala Capital, o Brasil possui características favoráveis para liderar o avanço global dos combustíveis renováveis, principalmente pela combinação entre produção agrícola, matriz energética limpa e capacidade industrial.
Tecnologia HEFA transforma resíduos em combustíveis sustentáveis
A nova megabiorrefinaria utilizará a tecnologia HEFA, considerada uma das principais rotas industriais do mundo para produção de SAF e HVO. O sistema permite transformar biomassa em combustíveis renováveis com menor emissão de gases de efeito estufa.
Inicialmente, a unidade utilizará:
- Óleo de cozinha usado
- Óleo de soja
- Biomassa vegetal
- Futuramente, derivados da macaúba
A macaúba, inclusive, é vista como uma matéria-prima estratégica para o futuro dos combustíveis sustentáveis no Brasil. O projeto agroindustrial da companhia prevê plantação, extração e beneficiamento da cultura para ampliar a produção renovável nos próximos anos.
Além da tecnologia avançada, a localização do empreendimento também chama atenção. A planta ficará ao lado da Refinaria de Mataripe, aproveitando a infraestrutura logística já existente e o acesso ao Terminal de Madre de Deus.
Bahia ganha força em investimentos ligados à transição energética
A escolha da Bahia para receber a megabiorrefinaria reforça a transformação do estado em um dos principais polos brasileiros de energia renovável.
O projeto da Acelen prevê o cultivo de aproximadamente 144 mil hectares em áreas degradadas. Parte dessas áreas será destinada a parcerias com agricultura familiar e pequenos produtores rurais.
Segundo a empresa, cerca de 20% da área planejada será integrada a produtores parceiros, criando um modelo que mistura regeneração produtiva, inclusão social e desenvolvimento sustentável.
Os investimentos também podem fortalecer diferentes setores da economia regional, como:
- Infraestrutura
- Logística
- Agricultura
- Tecnologia
- Transporte
- Cadeia industrial de combustíveis
Outro diferencial é o foco internacional do projeto. A estrutura logística da região aumenta a competitividade da produção brasileira no mercado externo, especialmente no setor de combustíveis sustentáveis para aviação.
Megabiorrefinaria deve gerar 3.600 empregos e movimentar bilhões
A implantação da megabiorrefinaria deve gerar cerca de 3.600 empregos durante a fase de construção na Bahia. Após o início das operações, previsto para 2029, a estimativa é de aproximadamente 300 empregos diretos e indiretos permanentes.
Os impactos econômicos podem ir muito além da operação industrial. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que a cadeia integrada do projeto pode movimentar até US$ 40 bilhões na economia brasileira ao longo da próxima década.
A pesquisa também estima potencial de geração de aproximadamente 85 mil empregos diretos e indiretos relacionados à cadeia de biocombustíveis e energia renovável.
Luiz de Mendonça, CEO da Acelen Renováveis, destacou que a estrutura financeira construída para o projeto demonstra a robustez técnica, econômica e socioambiental da iniciativa.
Acelen acelera produção de combustíveis de baixa emissão
O mercado global de combustíveis sustentáveis vive um momento de forte expansão, principalmente após o aumento das metas internacionais de redução de carbono.
No setor aéreo, o SAF aparece como uma das principais soluções para diminuir as emissões sem necessidade imediata de troca das aeronaves atuais. Já o HVO vem ganhando espaço como alternativa ao diesel fóssil tradicional.
Atualmente, cerca de 90% da comercialização futura dos combustíveis produzidos pela megabiorrefinaria já possui estrutura negociada, fator que aumenta a segurança econômica do projeto.
A participação da IFC na estruturação financeira também adiciona credibilidade internacional ao empreendimento. A instituição realizou análises técnicas, ambientais e sociais antes de participar da operação ao lado do BNDES.
O projeto seguirá padrões globais de sustentabilidade, governança e responsabilidade socioambiental utilizados em grandes iniciativas internacionais de infraestrutura e transição energética.
O que o projeto representa para o futuro da energia no Brasil
A megabiorrefinaria da Acelen surge como um dos maiores projetos industriais ligados à transição energética em desenvolvimento no país. O aporte aprovado pelo BNDES fortalece a estratégia brasileira de ampliar a produção de combustíveis renováveis e reduzir emissões no setor de transportes.
Com investimentos bilionários, tecnologia avançada e potencial de geração de empregos, o empreendimento amplia a relevância da Bahia na nova economia verde.
A combinação entre biomassa, infraestrutura logística e produção em larga escala coloca o Brasil em posição estratégica no mercado internacional de combustíveis sustentáveis, especialmente em um cenário global cada vez mais voltado à descarbonização e ao desenvolvimento de energia limpa.
Com informações de BNDES.


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