No Túmulo de Cérbero, em Giugliano, análises de DNA, pólen e tecidos ajudam a reconstruir rituais funerários e traços sociais da Nápoles de 2.000 anos
Especialistas abriram em 2024 um sarcófago de 2.000 anos no Túmulo de Cérbero, em Giugliano, no noroeste de Nápoles, e encontraram um corpo de bruços em excelente preservação, cercado por objetos funerários analisados.
Abertura do sarcófago
A abertura ocorreu após uma microcâmera ser inserida na estrutura funerária. As imagens iniciais mostraram condições promisoras e levaram a equipe arqueológica a avançar até acessar o túmulo selado pela primeira vez em milênios.
Quando a passagem foi aberta, o impacto foi imediato. No sarcófago, os profissionais localizaram um indivíduo deitado de bruços.
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A Superintendência de Arqueologia, Belas Artes e Paisagem da Área Metropolitana de Nápoles classificou a conservação como excelente.
O trabalho foi conduzido por uma equipe liderada pela arqueóloga Simona Formola, responsável pelas investigações na área situada no noroeste de Nápoles, na Itália.

Objetos
O corpo estava envolto em um sudário e cercado por potes de pomada e instrumentos ligados à limpeza e à preparação do cadáver.
Esses itens eram empregados nos rituais funerários praticados naquele período.
O cuidado na disposição do corpo e na escolha dos objetos levou os pesquisadores a concluir que o sepultado provavelmente era o membro da família para quem o mausoléu havia sido originalmente construído.
O sítio arqueológico chamava atenção por sua relevância na região flegreana, próxima à antiga Liternum.
Para Marian Nuzzo, do Ministério da Cultura italiano, o local segue fornecendo dados valiosos sobre o passado local.
Sudário
As amostras retiradas do sepultamento e do leito onde o corpo foi depositado revelaram informações sobre o tratamento dado ao falecido e os rituais mortuários adotados há dois milênios.
Um dos pontos mais notáveis é o estado do sudário. A equipe avalia que o tecido pode ter passado por mineralização favorecida pelas condições climáticas específicas dentro da câmara funerária selada.
A análise têxtil ainda está em andamento. Os arqueólogos esperam identificar a estrutura do tecido, o tipo de fio empregado e sua qualidade, em busca de pistas sobre o status social do indivíduo e as técnicas da época.
DNA
Exames de DNA estão em curso para tentar definir características biológicas do sepultado, como ancestralidade e possíveis vínculos familiares com outros enterros da necrópole.
A equipe analisa substâncias orgânicas, resíduos vegetais e grãos de pólen achados no sarcófago.
Os primeiros resultados indicam que o corpo pode ter sido tratado com cremes à base de Chenopodium, conhecido como pé de ganso, e absinto.
Essas substâncias teriam sido aplicadas para retardar a decomposição e melhorar a preservação do cadáver.
O Ministério da Cultura italiano espera que a continuidade das análises e da coleta de amostras permita compreender este sepultamento e o contexto da necrópole, reconstruindo aspectos da composição social, crenças e práticas culturais da Nápoles de 2.000 anos atrás.
Com informações de Aventuras na História.

