O relatório anual da Organização Meteorológica Mundial revelou que o desequilíbrio energético do planeta atingiu nível recorde em 2025, com mais de 91% do calor extra sendo absorvido pelos oceanos, e o secretário-geral da ONU descreveu a situação como emergência ao afirmar que o planeta está sendo levado além de seus limites, com consequências que podem durar séculos
O planeta está retendo mais calor do que libera, e a diferença acaba de atingir um recorde. A última avaliação anual da Organização Meteorológica Mundial (OMM) revelou que o desequilíbrio energético da Terra chegou ao nível mais alto já registrado em 2025. Pela primeira vez, o relatório trata esse desequilíbrio como um indicador climático fundamental, ao lado de medidas tradicionais como temperatura e nível do mar, reconhecendo que o planeta está acumulando uma dívida térmica que pode cobrar consequências por séculos.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu a situação como emergência e declarou que o planeta está sendo levado além de seus limites. Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, alertou que as atividades humanas estão perturbando cada vez mais o equilíbrio natural do planeta. Os anos de 2015 a 2025 foram os onze mais quentes já registrados na história do planeta, sendo 2024 o mais quente de todos e 2025 o segundo ou terceiro. Em 2025, a temperatura global estava cerca de 1,4 grau Celsius acima da média de 1850 a 1900.
O que significa dizer que o planeta está em desequilíbrio energético

O desequilíbrio energético do planeta acontece quando entra mais energia solar no sistema terrestre do que a quantidade de calor que escapa de volta para o espaço. Os gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, funcionam como um cobertor extra que retarda a velocidade com que o calor sai da atmosfera e do oceano.
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Uma pequena diferença, distribuída por todo o planeta, se acumula ao longo dos anos e cria uma reserva de calor que precisa ser armazenada em algum lugar.
Um estudo de 2021 liderado por Norman Loeb no Centro de Pesquisa Langley da NASA descobriu que o desequilíbrio energético do planeta praticamente dobrou entre 2005 e 2019.
O estudo comparou medições de satélite da energia entrando e saindo da Terra com estimativas da velocidade de aquecimento dos oceanos.
Se os satélites indicam que o planeta está ganhando energia, os oceanos também deveriam estar ganhando calor, e foi exatamente isso que os dados confirmaram.
Os oceanos absorveram 91% do calor extra que o planeta reteve
Mais de 91% do excesso de calor que o planeta retém fica armazenado nos oceanos. Apenas cerca de 1% aquece o ar próximo à superfície, que é o calor que as pessoas sentem no dia a dia. O conteúdo de calor dos oceanos, medido até 2 quilômetros de profundidade, atingiu novo recorde em 2025.
Cerca de 90% da superfície dos oceanos registrou pelo menos uma onda de calor marinha em 2025, e o ritmo de aquecimento mais que dobrou quando se compara o período de 2005 a 2025 com o de 1960 a 2005.
O relatório calcula que, em aproximadamente duas décadas, o oceano absorveu calor equivalente a 18 vezes a energia que os humanos consomem em um ano.
Oceanos mais quentes não ficam quietos: contribuem para tempestades tropicais mais intensas, prejudicam ecossistemas marinhos que sustentam a pesca e, com o tempo, enfraquecem a capacidade do oceano de absorver carbono.
O planeta está literalmente esquentando de dentro para fora, e a maior parte desse calor está escondida debaixo da superfície do mar.
Como a dívida térmica do planeta se transforma em ondas de calor e tempestades
Embora o ar na superfície retenha apenas uma fração do calor extra do planeta, é essa fração que molda o cotidiano das pessoas. Ar mais quente retém mais vapor de água, o que pode aumentar a probabilidade de chuvas mais intensas em tempestades.
Solo mais quente seca mais rápido, o que contribui para secas, risco de incêndios e crises de abastecimento de água em regiões que já enfrentam estresse hídrico.
Os eventos extremos provocados pelo calor acumulado no planeta se manifestam como combinações de problemas: uma onda de calor prolongada sobrecarrega redes elétricas e eleva custos de refrigeração, enquanto chuvas intensas saturam sistemas de drenagem projetados para um clima diferente.
O desequilíbrio energético do planeta significa que esses eventos tendem a se tornar mais frequentes e mais intensos à medida que a dívida térmica se acumula, e o pior é que parte desse calor já armazenado nos oceanos vai continuar afetando o clima por séculos, mesmo que as emissões fossem zeradas amanhã.
O nível do mar sobe e o gelo derrete enquanto o planeta acumula calor
Com o aquecimento da água do mar, ela se expande fisicamente e o derretimento do gelo terrestre adiciona mais volume, fazendo o nível do mar subir continuamente. O relatório da OMM indica que o nível médio global do mar em 2025 permaneceu próximo a recordes e estava cerca de 11 centímetros mais alto que em 1993, quando as medições por satélite começaram.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas alerta que o aquecimento das profundezas oceânicas e o derretimento das calotas polares podem manter o nível do mar subindo por séculos, mesmo com redução de emissões.
O derretimento do gelo também altera a quantidade de luz solar que o planeta reflete. Gelo brilhante funciona como espelho, e quando encolhe, o oceano e a terra mais escuros absorvem mais energia, o que acelera o aquecimento.
Esse ciclo de retroalimentação é uma das razões pelas quais as mudanças polares se propagam e afetam o planeta inteiro, criando um efeito cascata que conecta o gelo do Ártico às inundações costeiras em cidades tropicais.
Um recorde silencioso que pode cobrar a conta por séculos
O planeta está retendo mais calor do que nunca, os oceanos absorveram 91% desse excesso, e a ONU trata o desequilíbrio como emergência.
A dívida térmica acumulada pelo planeta não vai desaparecer rapidamente: o calor já armazenado nos oceanos continuará provocando ondas de calor, tempestades mais fortes e elevação do nível do mar por séculos, mesmo que as emissões de carbono sejam drasticamente reduzidas.
É um recorde que quase ninguém percebeu, mas que define o clima que nossos filhos e netos vão enfrentar. O planeta está cobrando uma conta que a humanidade ainda não terminou de calcular.
Você sabia que o planeta está retendo calor em nível recorde? Percebeu que as ondas de calor e tempestades estão ficando mais frequentes na sua região? Acha que é possível reverter essa dívida térmica ou já é tarde demais? Deixe nos comentários e compartilhe este artigo com quem precisa entender o que está acontecendo com o clima.

E possivel minimizar globalmente uma parte significativa desse aquecimento e até tirar partido, controlando as precipitações, o dificil é ter confiança que algum governo no mundo não venha a utilizar isso em proveito proprio em estratégia comercial, ou como arma mundial