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Maria Branyas Morera viveu até os 117 anos comendo três iogurtes por dia sem desenvolver câncer nem demência e quando cientistas analisaram seu DNA encontraram um segredo que ninguém esperava: seus relógios biológicos marcavam uma idade duas décadas menor que a real

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 30/03/2026 às 22:47
Atualizado em 30/03/2026 às 22:49
Maria Branyas Morera viveu 117 anos sem câncer nem demência. Comia 3 iogurtes por dia. Seu DNA revelou relógios biológicos 20 anos mais jovens. Entenda o estudo.
Maria Branyas Morera viveu 117 anos sem câncer nem demência. Comia 3 iogurtes por dia. Seu DNA revelou relógios biológicos 20 anos mais jovens. Entenda o estudo.
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Maria Branyas Morera viveu 117 anos e 168 dias sem desenvolver câncer, demência ou doença cardíaca grave, e quando uma equipe internacional de cientistas analisou seu sangue, genoma e bactérias intestinais, descobriu que seus relógios epigenéticos indicavam uma idade biológica cerca de duas décadas menor que a real, com níveis excepcionais de colesterol bom e bactérias intestinais que normalmente desaparecem com a idade

Maria Branyas Morera detinha o título de pessoa mais velha do mundo quando faleceu enquanto dormia em agosto de 2024, aos 117 anos e 168 dias. Nascida em 1907 em São Francisco, filha de pais espanhóis, ela se mudou para Barcelona na infância e passou suas últimas décadas em um lar para idosos na cidade de Olot, na Catalunha. O que tornou Maria Branyas Morera um caso extraordinário para a ciência não foi apenas a idade, mas o fato de que ela nunca desenvolveu câncer, demência ou qualquer doença neurodegenerativa diagnosticada ao longo de toda a sua vida.

Uma equipe internacional liderada por Eloy Santos Pujol e pela autora sênior Manel Esteller analisou praticamente todas as camadas da biologia de Maria Branyas Morera: genes, metabolismo, bactérias intestinais e relógios epigenéticos. O estudo, publicado na revista Cell Reports Medicine, revelou que, embora o corpo de Maria Branyas Morera apresentasse marcas clássicas de idade avançada, seus indicadores biológicos pareciam muito mais jovens, e seus relógios epigenéticos marcavam uma idade cerca de duas décadas menor que a real.

O DNA de Maria Branyas Morera e o paradoxo dos telômeros mais curtos do laboratório

Maria Branyas Morera viveu 117 anos sem câncer nem demência. Comia 3 iogurtes por dia. Seu DNA revelou relógios biológicos 20 anos mais jovens. Entenda o estudo.

Os cientistas mediram os telômeros de Maria Branyas Morera usando uma técnica chamada Q FISH de alto rendimento. Telômeros são estruturas protetoras nas extremidades dos cromossomos que encurtam a cada divisão celular.

Os dela estavam entre os mais curtos já registrados pelo laboratório em voluntários saudáveis. Telômeros curtos normalmente estão associados a maior risco de câncer e doenças da idade, mas Maria Branyas Morera nunca desenvolveu nenhuma dessas condições.

Os pesquisadores sugerem que, no caso de Maria Branyas Morera, a perda de telômeros funcionou mais como um relógio preciso da idade do que como um gatilho para doenças. A hipótese é que os telômeros curtos podem ter limitado a capacidade de potenciais células tumorais de continuarem se dividindo.

O sangue dela também apresentava mutações em genes como SF3B1 e TET2, comuns em idosos e frequentemente observadas como sinais precoces de cânceres sanguíneos, mas ela permaneceu livre de tumores durante toda a vida.

O corpo de Maria Branyas Morera envelheceu, mas as doenças que normalmente acompanham o envelhecimento simplesmente não vieram.

O perfil genético e metabólico que protegeu Maria Branyas Morera por 117 anos

O sequenciamento completo do genoma de Maria Branyas Morera revelou milhares de variantes genéticas raras, incluindo um conjunto que não foi encontrado em nenhuma das 75 mulheres ibéricas usadas como grupo de comparação.

Várias dessas variantes estão localizadas em genes ligados ao controle imunológico, proteção cerebral, desenvolvimento cardíaco e produção de energia nas mitocôndrias, e ela possuía versões favoráveis de genes associados à longevidade sem carregar formas de alto risco do gene APOE.

O sangue de Maria Branyas Morera mostrou níveis extremamente baixos de triglicerídeos e lipoproteínas de baixa densidade, junto com níveis altos de HDL, o chamado colesterol bom. Os marcadores de inflamação crônica (GlycA e GlycB) também estavam baixos.

Na prática, isso significa que o corpo de Maria Branyas Morera não estava preso no processo inflamatório lento que aumenta o risco de ataques cardíacos e diabetes na maioria dos idosos.

Apenas alguns marcadores, como lactato e creatinina elevados, indicavam que seus órgãos estavam finalmente atingindo seus limites perto do fim da vida.

Os três iogurtes por dia e as bactérias intestinais que desafiam a idade

Quando os cientistas analisaram as bactérias intestinais de Maria Branyas Morera, encontraram níveis excepcionalmente altos de Bifidobacterium, um grupo de bactérias que normalmente diminui com a idade mas que permanece abundante em centenários e supercentenários.

Essas bactérias são associadas a efeitos anti-inflamatórios e a um metabolismo de gordura mais saudável, exatamente o perfil que Maria Branyas Morera apresentava em seus exames de sangue.

O hábito que sustentava essa flora intestinal era simples: Maria Branyas Morera consumia cerca de três iogurtes por dia contendo bactérias que promovem o crescimento de Bifidobacterium.

Não era medicina de alta tecnologia. Era um hábito diário que, segundo os pesquisadores, corrobora evidências de que um padrão alimentar mediterrâneo pode influenciar o microbioma intestinal a favorecer espécies que contribuem para um envelhecimento saudável. Três iogurtes por dia durante décadas. Simples assim.

Os relógios epigenéticos que mostravam Maria Branyas Morera duas décadas mais jovem

Testes epigenéticos que leem padrões de marcadores químicos no DNA mostraram que o genoma de Maria Branyas Morera apresentava muitas alterações relacionadas à idade, como esperado. Mas seções repetitivas do DNA permaneceram rigorosamente controladas, o que pode ajudar a manter o genoma estável.

Em diversos relógios epigenéticos, incluindo um relógio de DNA ribossômico, a idade biológica de Maria Branyas Morera aparecia cerca de duas décadas menor que sua idade cronológica.

Os pesquisadores descrevem isso como uma dualidade fascinante: marcas claras de envelhecimento extremo coexistindo com fortes indícios de longevidade saudável. O caso de Maria Branyas Morera mostra que idade e doença nem sempre estão tão ligadas quanto se presume.

Suas células podiam sentir-se mais jovens do que o calendário indicava, e a biologia conseguiu prolongar a fase saudável da vida sem escapar completamente das marcas do envelhecimento.

117 anos, três iogurtes por dia e um corpo que se recusou a adoecer

Maria Branyas Morera viveu 117 anos sem câncer, sem demência e sem doença cardíaca grave. Seu DNA carregava variantes genéticas raras de proteção.

Seu sangue tinha colesterol bom em níveis excepcionais e inflamação crônica praticamente inexistente. Suas bactérias intestinais pareciam de alguém décadas mais jovem.

E seus relógios biológicos confirmavam: o corpo de Maria Branyas Morera era biologicamente cerca de 20 anos mais jovem do que sua idade real, sustentado por uma combinação de genética favorável, metabolismo eficiente e um hábito tão simples quanto comer três iogurtes por dia durante a vida inteira.

Você come iogurte regularmente? Acha que a longevidade de Maria Branyas Morera é genética, hábito ou sorte? O que faria se soubesse que seu relógio biológico marca 20 anos a menos? Deixe nos comentários e compartilhe este artigo com quem se interessa por longevidade e saúde.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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