Ronaldo Coutinho confirmou que estragos em São Joaquim na Serra Catarinense foram causados por tornado de fraco a moderado com ventos intensos, chuvas e raios durante 30 minutos que arrancaram telhados e destruíram plantações, enquanto Piter Scheuer aponta influência do El Niño no fenômeno que atingiu o município neste sábado (2).
Um tornado atingiu São Joaquim, na Serra Catarinense, durante a madrugada deste sábado (2) e deixou rastro de destruição que o meteorologista Ronaldo Coutinho confirmou ao ND Mais como sendo obra da tempestade mais violenta que a natureza produz. O tornado foi classificado na escala de fraco para moderado, mas essa classificação não diminui os danos que o fenômeno provocou em poucas dezenas de minutos: plantações foram arrasadas, casas ficaram destelhadas, outdoors foram arrancados pelos ventos e estradas da cidade sofreram estragos que expõem a vulnerabilidade de uma região serrana que não costuma associar sua realidade climática a fenômenos dessa magnitude. A forte tempestade combinou ventos intensos com chuvas pesadas e raios ao longo de aproximadamente 30 minutos, intervalo curto que foi suficiente para transformar a paisagem de áreas rurais e urbanas do município.
O que torna este tornado particularmente preocupante é o que ele revela sobre o clima nos próximos meses. O meteorologista Piter Scheuer afirmou ao ND Mais que a tempestade que gerou o tornado teve influência da atuação inicial do El Niño, fenômeno oceânico-atmosférico que aquece as águas do Pacífico e altera padrões climáticos em todo o planeta, e que historicamente intensifica eventos extremos no Sul do Brasil. Se o tornado em São Joaquim é amostra do que o El Niño pode provocar no estágio inicial, os meses seguintes exigem atenção redobrada de moradores, produtores rurais e autoridades de defesa civil em toda a região.
Como o tornado se formou na Serra Catarinense
A formação de um tornado depende de combinação atmosférica específica que nem sempre é previsível com antecedência. O fenômeno nasce quando ocorre redução súbita na pressão dentro de um sistema convectivo, processo em que o ar quente e menos denso sobe rapidamente, é resfriado nas camadas superiores e forma nuvens carregadas que são as principais responsáveis pelas chuvas intensas. A mudança repentina na pressão faz com que o ar comece a girar ao redor dos pontos onde a pressão é menor, e a rotação crescente cria formato de cone que se estende da base da nuvem em direção ao solo.
-
Apenas 28% do fundo dos oceanos foi mapeado com precisão, menos do que já se conhece da superfície de Marte e da Lua, e cientistas apontam o tema como estratégico para o Brasil, com meta global de mapear tudo até 2030
-
Japão quer enterrar uma “esteira de carga” de 500 km entre Tóquio e Osaka para substituir até 25 mil caminhões por dia, mover mercadorias por túneis e corredores automatizados sem motoristas e evitar um colapso logístico em país cada vez mais envelhecido
-
Vietnã despeja areia no Mar do Sul da China e transforma recifes disputados em ilhas artificiais com área equivalente a mais de 1,5 mil campos de futebol, ergue 15 portos nas Spratly e amplia bases no oceano enquanto desafia a pressão chinesa em uma das regiões marítimas mais tensas do planeta
-
Rosie dos Jetsons está virando realidade? China testa “faxineiros robôs” com inteligência artificial dentro de casas por R$ 114, capazes de recolher lixo, dobrar roupas e mapear apartamentos, transformando faxina doméstica em laboratório vivo para empresas que querem ensinar máquinas a agir como humanos
Quando esse cone rotativo atinge a superfície, o evento é oficialmente classificado como tornado. No caso de São Joaquim, o tornado tocou o solo com intensidade que Coutinho classificou entre fraca e moderada, faixa que já é capaz de arrancar telhados de construções leves, derrubar árvores e destruir plantações expostas, mas que não atinge o potencial devastador dos graus mais elevados que podem arrasar estruturas sólidas e provocar mortes. A Serra Catarinense não é região tradicionalmente associada a esse tipo de fenômeno, o que significa que a infraestrutura local e a preparação da população para lidar com um tornado são limitadas em comparação com áreas que enfrentam o evento com maior frequência.
O que o tornado destruiu em São Joaquim durante a madrugada
Os danos provocados pelo tornado se espalharam por áreas rurais e urbanas de São Joaquim. Nas lavouras, plantações inteiras foram arrasadas pelos ventos que acompanharam o fenômeno, prejuízo que para produtores da Serra Catarinense se soma a um ano já difícil marcado por instabilidades climáticas que afetaram safras e que agora culminam na destruição provocada por um tornado que ninguém esperava. Os produtores que perderam cultivos terão que contabilizar danos que podem levar meses para recuperar, e a proximidade do inverno reduz as possibilidades de replantio imediato.
Na área urbana, casas destelhadas e outdoors arrancados compõem o cenário que o tornado deixou. A força dos ventos foi suficiente para remover coberturas de construções e projetar estruturas publicitárias a distâncias que evidenciam a potência do fenômeno mesmo em sua classificação mais branda. Estradas da cidade também sofreram estragos com acúmulo de detritos, queda de árvores e erosão provocada pela combinação entre vento e chuva intensa, condição que dificultou o acesso de equipes de socorro nas primeiras horas após o tornado e que demonstra a necessidade de planos de contingência para eventos que antes pareciam improváveis na região.
O que o El Niño tem a ver com o tornado na Serra Catarinense
A conexão entre o tornado em São Joaquim e o El Niño é o elemento que transforma um evento localizado em alerta para todo o Sul do Brasil. O El Niño aquece as águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial e provoca alterações nos padrões de circulação atmosférica que no Sul brasileiro se traduzem em aumento de chuvas, maior frequência de tempestades severas e condições mais favoráveis à formação de fenômenos extremos como o tornado que atingiu a Serra. Piter Scheuer apontou que a atuação inicial do El Niño já influenciou a tempestade que gerou o tornado, indicação de que o fenômeno oceânico está operando em estágio que afeta o clima regional antes mesmo de atingir seu pico de intensidade.
Se o El Niño se confirmar com força nos próximos meses, o Sul do Brasil pode enfrentar temporada de eventos extremos mais intensa do que a habitual. Historicamente, anos de El Niño forte no Sul brasileiro são marcados por enchentes, deslizamentos, vendavais e tempestades que causam prejuízos bilionários e perdas humanas, e o tornado em São Joaquim funciona como aviso de que a atmosfera já está configurada para produzir esses eventos com frequência e intensidade acima do normal. A preparação que cidades serranas e litorâneas precisam fazer não é apenas para o frio do inverno: é para a instabilidade que o El Niño potencializa em cada sistema frontal que cruza a região.
O que moradores do Sul devem fazer diante do risco de novos episódios como o tornado
A confirmação de um tornado em região que não costuma registrar o fenômeno exige reavaliação da percepção de risco por parte da população. Moradores da Serra Catarinense e de outras regiões do Sul precisam incorporar à sua rotina de preparação para eventos climáticos a possibilidade de fenômenos que antes pareciam exclusivos de outras latitudes, e isso inclui identificar áreas seguras dentro de casa para se abrigar durante tempestades severas, manter documentos e itens essenciais acessíveis para evacuação rápida e acompanhar alertas meteorológicos com a mesma atenção que dedicam à previsão de geada. O tornado que varreu São Joaquim prova que a Serra não está imune a eventos que transformam o cenário em minutos.
Para produtores rurais, a proteção das lavouras contra fenômenos como o tornado é desafio que exige investimento em infraestrutura e seguros. Cultivos a céu aberto são os mais vulneráveis a ventos que acompanham esse tipo de tempestade, e a diversificação de áreas de plantio pode reduzir o risco de perda total quando um evento concentrado atinge região específica da propriedade. O tornado em São Joaquim é lembrete de que o clima não pede permissão para mudar e que o El Niño pode estar apenas começando a mostrar o que reserva para o Sul do Brasil nesta temporada.
E você, já presenciou um tornado ou tempestade severa na Serra Catarinense? Acha que as cidades estão preparadas? Deixe sua opinião nos comentários.


Enquanto isso, muitos ainda continuam negando a crise climática.