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A suposta descoberta de petróleo no sertão do Ceará é um caso que ainda vai durar um bom tempo: só agora a ANP abriu uma investigação para analisar a fundo a situação em Tabuleiro do Norte

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 26/02/2026 às 12:39
Assista o vídeoA ANP abriu processo administrativo para investigar possível achado de petróleo em Tabuleiro do Norte (CE). Substância encontrada por agricultor tem características semelhantes às da Bacia Potiguar.
A ANP abriu processo administrativo para investigar possível achado de petróleo em Tabuleiro do Norte (CE). Substância encontrada por agricultor tem características semelhantes às da Bacia Potiguar.
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A ANP abriu processo administrativo para investigar possível achado de petróleo em Tabuleiro do Norte (CE). Substância encontrada por agricultor tem características semelhantes às da Bacia Potiguar.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que vai abrir um processo administrativo para investigar um possível achado de petróleo no município de Tabuleiro do Norte, no sertão cearense.

A substância foi descoberta em novembro de 2024 por um agricultor que perfurava o solo em busca de água para abastecer os animais da propriedade. No lugar da água, surgiu um líquido escuro, com odor forte e características semelhantes às do petróleo.

A família comunicou o caso às autoridades. Meses depois, a ANP confirmou que recebeu a notificação e que dará início às apurações formais.

Análises apontam semelhança com petróleo da Bacia Potiguar

Antes da manifestação oficial da ANP, o caso já vinha sendo estudado pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE).

O engenheiro químico Adriano Lima, agente de inovação do campus de Tabuleiro do Norte, recebeu uma amostra do material em 2025. Posteriormente, ele recorreu ao Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró (RN), onde foram feitas análises físico-químicas.

Segundo o pesquisador, os testes indicaram forte semelhança com petróleo extraído na região próxima da Bacia Potiguar.

“Conseguimos perceber que realmente se tratava de uma mistura de hidrocarbonetos [tipo de compostos químicos dos quais o petróleo faz parte] muito característica, com propriedades muito similares ao petróleo da região onshore [em terra] da Bacia Potiguar”, disse o engenheiro.

Ainda assim, apesar das evidências laboratoriais, a confirmação oficial só pode ser feita pela ANP, por meio de laboratório credenciado.

Área não está em bloco de exploração, mas proximidade chama atenção

Embora o território de Tabuleiro do Norte não esteja inserido atualmente em nenhum bloco de exploração de petróleo, a área da descoberta fica a apenas 11 quilômetros do bloco mais próximo da Bacia Potiguar.

Esse fator aumenta a curiosidade sobre o caso. No entanto, especialistas alertam que identificar hidrocarbonetos não significa, automaticamente, a existência de uma jazida economicamente viável.

Não se sabe a quantidade disponível. Nem a qualidade do material. Muito menos se seria possível extrair de forma rentável.

Processo pode levar anos e envolve estudos complexos

A ANP é responsável por regular e fiscalizar todas as etapas da exploração de petróleo no Brasil. Quando há indício de uma nova área produtiva, o caminho é longo.

Primeiro, são feitos estudos geológicos e análises do subsolo. Depois, avalia-se impacto ambiental e viabilidade econômica. Só então a área pode ser transformada em bloco e incluída em leilão.

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“Algumas regiões eles já têm muito bem mapeado. Regiões que existem estudos, especialmente os estudos geológicos, onde eles fazem análises físicas para ver o fato, como é que está o subsolo, para avaliar o tamanho do poço, do reservatório. Quando eles reúnem essas informações, informações econômicas, de impacto ambiental, eles tramitam um processo de enquadramento daquela área, como um novo bloco a ser colocado em operação”, explica o engenheiro Adriano Lima.

Mesmo quando um bloco é ofertado, não há garantia de interesse das empresas. Em junho de 2025, por exemplo, a ANP tentou leiloar blocos da Bacia Potiguar pela terceira vez, mas nenhuma empresa apresentou proposta.

“O custo de se montar uma unidade de produção numa região tem que ser equivalente ao retorno que a operação vai ter. Então, pra empresa, por exemplo, arrematar um bloco no semiárido nordestino, em cima da Chapada do Apodi, considerando os cálculos de custos ambientais, impactos ambientais, custos econômicos de operação, tem que ser proporcional ao retorno que ele vai ter daquele material que ele vai extrair. O retorno tem que estar relacionado à qualidade do óleo que ele vai extrair e à quantidade, à duração, o tempo que ele vai conseguir produzir”, avalia o pesquisador.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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