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A Rússia vai construir 10 instalações para reciclar resíduos de obras civis até 2030 incluindo uma fábrica de 462 mil toneladas por ano na região de Kirov que vai transformar entulho em painéis de madeira laminada no maior projeto do tipo já planejado no país

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 08/05/2026 às 23:46 Atualizado em 08/05/2026 às 23:50
Rússia vai construir 10 instalações para reciclar resíduos de obras até 2030. Fábrica em Kirov processará 462 mil toneladas de entulho por ano.
Rússia vai construir 10 instalações para reciclar resíduos de obras até 2030. Fábrica em Kirov processará 462 mil toneladas de entulho por ano.
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A Rússia planeja construir 10 instalações especializadas em reciclagem de resíduos de obras civis até 2030, dentro do projeto nacional “Bem-estar Ecológico” coordenado pelo Ministério dos Recursos Naturais, segundo o TV Brics. A maior unidade ficará na região de Kirov, com capacidade de 462 mil toneladas por ano, e produzirá painéis de madeira laminada a partir de materiais reciclados. Outras instalações serão distribuídas por regiões como Arkhangelsk, Basquiristão, Chuváchia, Saratov, Udmúrtia, Perm, Sverdlovsk, Nenets e Tartaristão, com capacidades que variam de 10 mil a 310 mil toneladas anuais.

A Rússia anunciou que vai construir 10 instalações para reciclar resíduos de obras civis até 2030, e o projeto mais ambicioso da lista é uma fábrica na região de Kirov com capacidade de 462 mil toneladas por ano que vai transformar entulho de construção em painéis de madeira laminada. As iniciativas integram o programa nacional “Bem-estar Ecológico”, segundo informou o Ministério dos Recursos Naturais do país, e representam a maior expansão de infraestrutura de reciclagem de resíduos da construção civil já planejada pela Rússia.

O que torna o plano relevante não é apenas a escala, mas a diversidade de soluções. As 10 instalações não são cópias umas das outras: cada uma foi projetada para processar tipos diferentes de resíduos e gerar produtos distintos, desde brita reciclada para pavimentação de estradas até painéis de madeira laminada para a indústria da construção. A primeira unidade, em Arkhangelsk, deve entrar em operação já em 2026 com capacidade de 80 mil toneladas por ano, focada em resíduos de obras e demolições.

O mapa das 10 instalações e o que cada uma vai produzir

A distribuição das 10 instalações pelo território russo reflete tanto a demanda regional por reciclagem quanto a disponibilidade de resíduos da construção civil. Na região de Arkhangelsk, a primeira unidade terá capacidade de 80 mil toneladas por ano e foco em resíduos de obras e demolições, com previsão de operação em 2026. No Basquiristão, até 2028, uma instalação produzirá brita reciclada com capacidade de 50 mil toneladas anuais.

Na Chuváchia, até 2030, entrará em funcionamento um complexo de processamento de resíduos de engenharia civil com 30 mil toneladas por ano. Em Saratov, prevista para 2027, uma unidade de 120 mil toneladas anuais produzirá brita reciclada, sucata metálica e material triturado utilizado em recuperação de aterros, nivelamento de terrenos e pavimentação. A Udmúrtia receberá instalação de 10 mil toneladas anuais voltada ao reaproveitamento de vidro e resíduos de obras por processos termoquímicos de decomposição em baixa temperatura.

A fábrica de Kirov: 462 mil toneladas de entulho viram painéis de madeira

imagem: photllurg / iStock/ TV Brics

O destaque do programa é a fábrica na região de Kirov, planejada para processar 462 mil toneladas de resíduos por ano e convertê-los em painéis de madeira laminada. É o maior projeto individual entre as 10 instalações e um dos maiores do mundo em reciclagem de resíduos da construção civil para produção de materiais estruturais. A madeira laminada produzida a partir de materiais reciclados pode ser usada em divisórias, revestimentos e elementos construtivos, substituindo produtos fabricados com matéria-prima virgem.

Paralelamente, na região de Perm, está prevista uma unidade com capacidade de 310 mil toneladas anuais para reaproveitamento de resíduos da construção. Juntas, Kirov e Perm representam mais de 70% da capacidade total do programa, concentrando a maior parte do volume processado em duas grandes fábricas industriais. Projetos adicionais nas regiões de Sverdlovsk, no Distrito Autônomo de Nenets e no Tartaristão completam o mapa das 10 instalações.

Por que a Rússia precisa reciclar resíduos de obras agora

A construção civil é uma das atividades que mais gera resíduos sólidos em qualquer país, e a Rússia não é exceção. Demolições de edifícios soviéticos, reformas urbanas e novos projetos de infraestrutura produzem milhões de toneladas de entulho por ano, material que historicamente era despejado em aterros sem tratamento. O problema é ambiental (contaminação do solo e da água subterrânea) e econômico (desperdício de materiais que poderiam ser reaproveitados).

O programa “Bem-estar Ecológico” é a resposta institucional russa a essa pressão. A meta de criar 10 instalações até 2030 indica que o governo trata a reciclagem de resíduos da construção como política pública, não como iniciativa pontual. Para a indústria da construção russa, que enfrenta restrições de importação de materiais devido a sanções internacionais, a reciclagem doméstica de entulho ganha relevância extra: produzir brita, painéis e materiais de pavimentação internamente reduz a dependência de insumos importados.

O que o Brasil pode aprender com o plano russo

O Brasil enfrenta desafio semelhante com resíduos da construção civil. Segundo a Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), o país gera cerca de 84 milhões de metros cúbicos de entulho por ano, dos quais apenas uma fração é reciclada. A maior parte vai para aterros, terrenos baldios ou é descartada irregularmente em rios e áreas de proteção ambiental.

A diferença é de escala institucional. Enquanto a Rússia planeja 10 instalações industriais com capacidades de até 462 mil toneladas por ano, o Brasil não tem programa federal equivalente que centralize investimento em reciclagem de resíduos de obras em escala nacional. As iniciativas existentes são municipais ou privadas, fragmentadas e insuficientes para o volume gerado. Para um país que tem déficit habitacional de milhões de unidades e precisa construir intensamente nas próximas décadas, a reciclagem de entulho em materiais reutilizáveis deveria ser prioridade, não exceção.

Os desafios do programa russo e o prazo até 2030

O plano é ambicioso, mas executá-lo em quatro anos exige superar obstáculos concretos. A tecnologia de transformar resíduos de construção em painéis de madeira laminada, como proposto em Kirov, não é trivial: demanda equipamentos especializados, controle de qualidade rigoroso e cadeia logística que colete, transporte e processe o entulho em volume suficiente para manter a fábrica operando a 462 mil toneladas anuais.

As sanções internacionais contra a Rússia adicionam camada de complexidade. Equipamentos industriais de alta tecnologia, que em condições normais seriam importados da Europa ou do Japão, agora precisam ser fabricados internamente ou adquiridos de fornecedores alternativos, como China e Índia. Se a Rússia conseguir entregar as 10 instalações no prazo, o programa será referência global em reciclagem de resíduos de obras civis. Se atrasar, será mais um plano ambicioso que esbarrou na realidade logística de um país continental sob pressão geopolítica.

Você acha que o Brasil deveria copiar o plano russo e criar instalações industriais para reciclar entulho de obras, ou o país tem prioridades mais urgentes? Conte nos comentários se já viu entulho despejado irregularmente na sua cidade e o que pensa sobre transformar resíduo de construção em material reutilizável.

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Shirlei Segundo
Shirlei Segundo
16/05/2026 06:48

Sim deveríamos copiar o modelo russo. Teríamos material para doar para as inúmeras família que não possui moradia. Também poderíamos calçada as estradas que ainda não foram asfaltada.

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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