Poços de até 5.000 metros, reservas comprovadas de 236 bilhões de metros cúbicos e investimentos bilionários colocam Sichuan no centro da estratégia chinesa para ampliar a produção doméstica e reduzir a dependência de importações energéticas
A China está ampliando a exploração de gás de xisto ultraprofundo na Bacia de Sichuan, onde poços chegam a 5.000 metros abaixo da superfície. A Sinopec confirmou 236 bilhões de metros cúbicos em reservas no projeto Ziyang Dongfeng, enquanto o país busca compensar o avanço abaixo do esperado da produção doméstica.
Gás de xisto ultraprofundo avança entre Chengdu e Chongqing
O principal alvo das empresas chinesas é a formação geológica cambriana de Qiongzhusi, localizada entre Chengdu e Chongqing, duas megacidades situadas na região da Bacia de Sichuan.
A Sinopec informou que as reservas comprovadas do projeto Ziyang Dongfeng chegam a 236 bilhões de metros cúbicos de gás natural. O depósito está localizado a aproximadamente 4.500 metros de profundidade.
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A PetroChina também realizou descobertas em um poço próximo, na área de Ziyang, a partir de 2023. As duas estatais passaram a concentrar esforços em formações mais profundas e antigas.
Mais de 100 poços já foram perfurados na região. As empresas estão acelerando o desenvolvimento com investimentos de bilhões de dólares, e a expectativa é iniciar operações comerciais em larga escala nos próximos dois ou três anos.
A área de Qiongzhusi ocupa cerca de 10.000 quilômetros quadrados. Avaliações iniciais indicam que a formação pode conter 10 trilhões de metros cúbicos de gás.
Dependendo das decisões de investimento, o campo teria potencial para fornecer entre 30 bilhões e 50 bilhões de metros cúbicos por ano.

Produção chinesa de gás ficou abaixo das metas estabelecidas
A mudança de foco ocorre porque o gás de xisto representa apenas cerca de 10% da produção total de gás natural da China e não alcançou as metas estabelecidas pelo governo.
A produção comercial começou em 2014 e chegou a 20 bilhões de metros cúbicos em 2020. Esses volumes foram extraídos principalmente de campos situados a profundidades superiores a 3.500 metros.
Nos últimos anos, entretanto, o crescimento desacelerou para aproximadamente 4% ao ano. Um dos fatores apontados é o rápido esgotamento dos campos mais antigos.
Pequim estabeleceu como objetivo produzir entre 80 bilhões e 100 bilhões de metros cúbicos de gás de xisto até 2030. Atualmente, a região de Sichuan produz aproximadamente 27 bilhões de metros cúbicos por ano.
Uma projeção indica que a produção chinesa poderá chegar a cerca de 40 bilhões de metros cúbicos em 2035, volume equivalente a 13% da produção total de gás prevista para o país.
Especialistas da Wood Mackenzie apresentaram uma estimativa mais elevada, de 62 bilhões de metros cúbicos em 2035. Esse resultado representaria 18% da produção nacional projetada.

Poços profundos custam até US$ 14,79 milhões
A exploração de gás de xisto ultraprofundo exige operações em ambientes de alta pressão e temperatura, além de estruturas geológicas complexas.
Os engenheiros também precisam controlar o risco de vazamentos de gás entre poços horizontais de múltiplos estágios, uma dificuldade adicional em projetos realizados a aproximadamente 5.000 metros.
O custo de equilíbrio dos depósitos ultraprofundos é estimado entre US$ 5 e US$ 5,50 por milhão de unidades térmicas britânicas, conhecidas pela sigla mmBtu.
Nos depósitos de xisto mais rasos, esse valor fica próximo de US$ 4 por mmBtu.
A perfuração de um único poço em Qiongzhusi custa entre 90 milhões e 100 milhões de yuans, equivalentes a aproximadamente US$ 13,31 milhões e US$ 14,79 milhões.
O valor representa um aumento de 45% em comparação com poços construídos em profundidades menores.
Executivos do setor defendem que os projetos podem se tornar comercialmente viáveis com avanços tecnológicos, redução de custos, melhoria da eficiência e aumento das taxas de recuperação do gás.
Exploração também busca reduzir pressão das importações
A China é a maior importadora mundial de petróleo e está entre as três maiores importadoras de gás natural. Por isso, ampliar a oferta doméstica também faz parte de sua estratégia energética.
A produção interna pode diminuir a pressão exercida pelas importações de gás natural liquefeito, cujos preços à vista na Ásia registram períodos de forte alta.
O aumento da oferta também pode melhorar a posição chinesa nas negociações para receber gás por gasodutos de países como Rússia e Turcomenistão.
Depois que empresas internacionais como Shell e BP deixaram os projetos porque os resultados iniciais ficaram abaixo das expectativas, a responsabilidade pelo desenvolvimento passou às companhias estatais chinesas.
Fora da China, o único campo de gás de xisto com profundidade semelhante mencionado no material é o Western Haynesville, no Texas, nos Estados Unidos, com aproximadamente 5.200 metros.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações fornecidas no material-base, com dados, números, projeções e declarações preservados conforme o conteúdo consultado.

