Em Montpellier, a torre L’Arbre Blanc usa varandas em balanço de até 7,5 metros, hastes de aço e pergolados para ampliar 113 moradias, criar sombra, abrir áreas de convivência e transformar 17 andares em uma árvore branca gigante.
Uma torre francesa de 17 andares levou as varandas muito além dos limites comuns da fachada. Algumas avançam até 7,5 metros sobre a cidade, criando grandes áreas externas e fazendo o edifício parecer uma árvore coberta por galhos brancos.
A informação foi publicada por Architectural Record, publicação especializada em arquitetura e projetos construídos. Batizado de L’Arbre Blanc, o prédio reúne 113 apartamentos em Montpellier, no sul da França.
O projeto foi criado por uma equipe liderada pelo arquiteto Sou Fujimoto, com participação de Manal Rachdi, Nicolas Laisné e Dimitri Roussel. Os terraços não servem apenas para decorar a construção. Eles ampliam o espaço das moradias, protegem partes da fachada do sol e incentivam a convivência ao ar livre.
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Varandas saem da torre e viram extensões das moradias
As varandas aparecem distribuídas em diferentes alturas e direções. Em vez de acompanhar a fachada como uma faixa estreita, elas se projetam para fora e formam áreas externas ligadas diretamente aos apartamentos.
Alguns imóveis possuem mais de uma varanda. Nos apartamentos de dois pavimentos, existem casos em que escadas externas conectam terraços instalados em níveis diferentes, aumentando a sensação de que os espaços continuam fora do prédio.
Essa distribuição cria a imagem de uma árvore. O corpo curvo da torre funciona como o tronco, enquanto as varandas de até 7,5 metros parecem galhos espalhados ao redor da construção.
Estrutura em balanço precisa controlar peso e deformação
Uma estrutura em balanço surge quando parte de uma construção avança além de seu principal apoio. Quanto maior essa distância, maior é o esforço concentrado na ligação com o prédio.
O peso da estrutura, das pessoas, dos móveis e dos objetos precisa ser levado com segurança até as partes resistentes do edifício. A extremidade mais distante também não pode abaixar além do limite calculado pelos engenheiros.
Esse pequeno movimento recebe o nome de deformação. Não significa que a varanda esteja quebrando, mas indica que os materiais mudam levemente de forma quando recebem peso. Em projeções de até 7,5 metros, controlar essa movimentação é indispensável.
Vento muda a força recebida por cada varanda
As varandas da L’Arbre Blanc apontam para várias direções. Por isso, cada uma recebe o vento de uma maneira diferente, principalmente porque comprimento, posição e altura não são iguais.

Uma superfície longa pode sofrer pressões que empurram sua estrutura em diferentes sentidos. Os cálculos precisam considerar a ação do vento, o peso e a orientação de cada terraço.
A combinação dessas forças explica por que as varandas não poderiam ser apenas grandes lajes de concreto lançadas para fora. O projeto exigiu uma estrutura metálica própria para manter os terraços firmes e ligados ao edifício.
Hastes e perfis de aço prendem os terraços ao prédio
Architectural Record, publicação especializada em arquitetura e projetos construídos, detalhou a montagem das varandas. Elas foram produzidas com peças de aço soldadas e parafusadas a perfis verticais presos às lajes de concreto.
Embora pareçam sustentadas apenas pelo ponto em que encontram a fachada, as estruturas também utilizam hastes metálicas de tração. Essas barras ajudam a transferir os esforços das varandas para o corpo da torre.
Os terraços funcionam como grandes bandejas metálicas. A estrutura recebeu proteção contra incêndio e acabamento com piso de madeira, criando uma superfície adequada ao uso dos moradores.
Pergolados criam sombra e ajudam a aproveitar o exterior
Acima de várias varandas aparecem pergolados metálicos. Eles barram parte da luz direta e criam áreas mais protegidas durante os períodos de maior presença do sol.

As próprias varandas também projetam sombra sobre trechos inferiores da fachada. Essa disposição reduz a exposição direta em determinadas áreas e produz mudanças de luz e sombra ao longo do dia.
Montpellier fica próxima ao Mediterrâneo e possui condições favoráveis ao uso de espaços externos. Por isso, os terraços foram tratados como continuação das salas e dos quartos, permitindo uma ligação mais direta entre o interior e o exterior.
Escala diferencia a torre francesa das sacadas brasileiras
Uma sacada brasileira profunda pode cumprir funções parecidas, como receber mesas, cadeiras, plantas e espaços de descanso. A principal diferença está na escala alcançada pela torre francesa.
Quando uma varanda avança até 7,5 metros, ela deixa de ser percebida apenas como uma faixa presa ao prédio. O espaço passa a funcionar como uma grande área externa suspensa, com dimensão suficiente para mudar a maneira como o apartamento é usado.
A comparação climática também exige cuidado. No Brasil, cada cidade apresenta condições próprias de chuva, calor, umidade, sol e vento. Uma solução semelhante precisaria ser calculada para o local, sem copiar diretamente a estrutura construída em Montpellier.
L’Arbre Blanc une aparência marcante e uso diário
A torre de 17 andares não recebeu grandes varandas apenas para criar uma fachada diferente. Os terraços aumentam a área externa das 113 moradias, oferecem sombra e transformam a relação dos moradores com o espaço fora dos apartamentos.
Você moraria em uma torre onde sua varanda avançasse 7,5 metros sobre a cidade, sustentada por aço e exposta ao vento? Conte nos comentários o que pesaria mais em sua decisão, a vista, o espaço ou a altura.

