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A noite em que a Força Aérea Brasileira caçou óvnis no céu do Brasil: 21 objetos surgiram nos radares, caças F-5 e Mirage decolaram para interceptação e o caso entrou para a história como “Festival dos Discos Voadores”

Escrito por Ana Alice
Publicado em 17/05/2026 às 19:52
Atualizado em 17/05/2026 às 19:56
Assista o vídeoCaças da FAB perseguiram óvnis em 1986 na Noite dos Discos Voadores, episódio registrado por radares e documentos oficiais da Aeronáutica. (Imagem: Ilustrativa)
Caças da FAB perseguiram óvnis em 1986 na Noite dos Discos Voadores, episódio registrado por radares e documentos oficiais da Aeronáutica. (Imagem: Ilustrativa)
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Documentos oficiais relatam uma noite em que radares, pilotos e controladores acompanharam alvos não identificados, mobilizando caças da FAB e deixando registros que ainda alimentam debates sobre a aviação brasileira.

Em 19 de maio de 2026, completaram-se 40 anos de um episódio registrado por documentos oficiais da Aeronáutica e preservado no Arquivo Nacional.

Na noite de 19 para 20 de maio de 1986, radares militares detectaram objetos voadores não identificados, pilotos relataram luzes no céu e a Força Aérea Brasileira acionou caças F-5 e Mirage a partir das bases de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e Anápolis, em Goiás.

O caso passou a ser chamado de “Noite oficial dos óvnis”, “Noite dos discos voadores” ou “Festival dos discos voadores”.

A última expressão aparece associada às comunicações daquela noite e foi atribuída ao controlador de voo Sérgio Mota da Silva, que atuava na torre do aeroporto de São José dos Campos, no interior de São Paulo.

A sigla óvni significa objeto voador não identificado.

Na prática, o termo indica que determinado objeto ou fenômeno visto no céu não foi reconhecido naquele momento.

A classificação não aponta, por si só, origem extraterrestre, tecnologia militar ou fenômeno atmosférico.

Radares da FAB registraram 21 objetos voadores não identificados

Os primeiros alertas partiram da região de São José dos Campos, onde luzes de cores diferentes foram observadas no céu e também acompanhadas por radar, segundo o Arquivo Nacional.

Horas depois, radares em Anápolis, em Goiás, também indicaram a presença de alvos não identificados.

A documentação oficial registra que, ao longo de mais de três horas, 21 óvnis foram detectados.

Em determinado momento da madrugada, os equipamentos chegaram a apontar 13 alvos sem identificação ao mesmo tempo.

Diante da ausência de reconhecimento dos objetos, a operação mobilizou cinco caças.

As aeronaves decolaram com a missão de interceptar e identificar os pontos detectados.

Apesar das tentativas, nenhum dos pilotos conseguiu se aproximar o suficiente para confirmar a natureza dos objetos.

Os relatos descrevem luzes que mudavam de cor, variações de altitude e deslocamentos considerados incomuns pelos militares envolvidos.

Luzes vistas da torre de controle do aeroporto de São José dos Campos (SP), na 'noite oficial dos óvnis'Imagem: Divulgação/Jackson Luiz Camargo
Luzes vistas da torre de controle do aeroporto de São José dos Campos (SP), na ‘noite oficial dos óvnis’Imagem: Divulgação/Jackson Luiz Camargo

Os registros militares mencionam aceleração e desaceleração bruscas.

Em alguns momentos, segundo os documentos, os alvos desapareciam das telas dos radares ou aumentavam a distância em relação aos caças durante as tentativas de aproximação.

Áudios da Noite dos Discos Voadores registraram a operação

Sérgio Mota da Silva, controlador de voo em São José dos Campos, aparece entre os profissionais que relataram as primeiras ocorrências daquela noite.

Ele observou pontos luminosos no céu e comunicou a situação aos centros de controle.

Em uma das gravações atribuídas às comunicações do episódio, Mota afirmou: “Brasília, boa noite e bem-vindos ao festival dos discos voadores! Tá uma loucura isso aqui, cara!”.

A frase passou a ser reproduzida em reportagens e materiais sobre o caso.

Outros áudios preservados pelo Arquivo Nacional também registram o espanto de pilotos e operadores durante a operação.

Em uma das comunicações, um piloto diz: “Pô, eu não posso estar vendo coisas (…) Ainda bem que tem uma testemunha voando aqui”.

Essas falas são relevantes porque integram registros sonoros do episódio e ajudam a reconstruir a sequência de decisões tomadas naquela noite.

Ainda assim, elas não substituem a análise técnica dos documentos, dos radares e dos relatórios oficiais.

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Ozires Silva estava em voo durante os avistamentos

Ozires Silva também aparece nos registros do episódio.

Em maio de 1986, ele havia deixado a presidência da Embraer e estava recém-empossado na presidência da Petrobras.

Engenheiro aeronáutico e militar da reserva, Ozires liderou o grupo que criou a Embraer, em 1969.

Na noite dos avistamentos, ele voltava de Brasília em uma aeronave Xingu, acompanhado do piloto Alcir Pereira da Silva.

Durante a aproximação para São José dos Campos, a torre questionou a tripulação sobre os pontos luminosos observados no céu.

O comandante confirmou a visualização, e a aeronave chegou a tentar acompanhar os objetos, de acordo com a reportagem da Imprensa Nacional baseada em documentos do Arquivo Nacional.

A tentativa não resultou em identificação dos alvos.

A presença de Ozires nos relatos ampliou a visibilidade pública do episódio, especialmente por sua trajetória ligada à aviação brasileira.

O dado, no entanto, não altera a condição técnica do caso: os objetos permaneceram sem identificação oficial.

Relatório da FAB citou comportamento dos objetos

O relatório final da ocorrência foi assinado pelo brigadeiro do ar José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque.

O documento afirmou que os fenômenos observados pareciam sólidos e refletiam “de certa forma inteligência”, expressão usada no texto oficial.

O relatório atribuiu essa avaliação à capacidade dos objetos de acompanhar e manter distância dos observadores, além de voar em formação.

O próprio documento ressalvou que isso não significava, necessariamente, que os objetos fossem tripulados.

A formulação é um dos trechos mais citados do caso porque registra uma avaliação militar sobre o comportamento dos alvos.

Ao mesmo tempo, o relatório não afirma que os objetos tivessem origem extraterrestre nem apresenta uma identificação definitiva.

No dia seguinte aos acontecimentos, o então ministro da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Octávio Júlio Moreira Lima, falou à imprensa ao lado de pilotos que participaram da operação.

Ele confirmou que radares haviam detectado objetos não identificados e que caças da FAB foram acionados.

A entrevista coletiva também contribuiu para que o episódio passasse a ser chamado de “Noite oficial dos óvnis”.

A expressão se consolidou justamente porque a ocorrência foi reconhecida publicamente por autoridades militares, com base em registros de radar e relatos de tripulações.

Documentos sobre óvnis foram preservados no Arquivo Nacional

Relatórios, áudios e outros materiais relacionados ao caso foram incorporados ao acervo do Arquivo Nacional.

Eles fazem parte do conjunto de documentos oficiais sobre objetos voadores não identificados produzidos ou encaminhados por órgãos ligados à Aeronáutica.

O relatório final sobre a ocorrência foi divulgado em 25 de setembro de 2009, depois de mobilização de pesquisadores e entidades dedicadas ao tema.

Desde então, parte do material pode ser consultada por interessados no acervo público.

Mesmo com a liberação de documentos, não há uma explicação oficial definitiva para o que foi registrado naquela noite.

Ao longo dos anos, foram levantadas hipóteses sobre fenômenos atmosféricos, falhas de radar, operações militares sigilosas e origem extraterrestre, mas nenhuma delas foi confirmada oficialmente como resposta para os 21 objetos detectados.

O caso segue citado porque reúne observação visual, registros de radar, comunicações gravadas, pilotos militares, controladores de voo e autoridades da Aeronáutica.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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