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A montadora BYD, líder em carros elétricos no Brasil, entrou para uma lista militar dos Estados Unidos ao lado de Alibaba e Baidu, em uma decisão do Pentágono que ameaça tensionar a frágil trégua comercial entre Trump e Xi Jinping

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 09/06/2026 às 22:46
Atualizado em 09/06/2026 às 22:49
A lista militar do Pentágono passou a incluir a BYD, ao lado de Alibaba e Baidu, e ameaça tensionar a frágil trégua comercial entre Trump e Xi Jinping.
A lista militar do Pentágono passou a incluir a BYD, ao lado de Alibaba e Baidu, e ameaça tensionar a frágil trégua comercial entre Trump e Xi Jinping.
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A lista militar, atualizada pelo Pentágono em 8 de junho de 2026, passou a reunir 188 empresas chinesas. A medida não impõe sanções imediatas, mas proíbe contratos com o Departamento de Defesa e mancha reputações. A Alibaba nega vínculo militar, e Pequim protestou contra o que chamou de repressão.

A fabricante de veículos elétricos BYD foi incluída em uma lista militar dos Estados Unidos, ao lado de gigantes como a Alibaba e a Baidu. A relação foi atualizada pelo Pentágono em 8 de junho de 2026 e reúne empresas que o Departamento de Defesa considera ligadas às forças armadas ou à base industrial de defesa da China. A inclusão da BYD chama atenção por estender o escrutínio americano para além do setor de tecnologia, alcançando a indústria automotiva.

Conhecida formalmente como lista 1260H, a relação passou a reunir 188 entidades chinesas, ante cerca de 130 na versão anterior. Segundo a imprensa internacional, entre os novos nomes estão também a farmacêutica WuXi AppTec, a fabricante de robôs humanoides Unitree e a empresa de sensores RoboSense, além das fabricantes de chips de memória CXMT e YMTC, reincorporadas após terem sido retiradas de uma versão anterior. A atualização ocorre em meio à frágil trégua comercial entre Washington e Pequim.

Quem entrou na lista militar do Pentágono

A lista militar do Pentágono passou a incluir a BYD, ao lado de Alibaba e Baidu, e ameaça tensionar a frágil trégua comercial entre Trump e Xi Jinping.
A nova relação amplia de forma significativa o alcance da lista militar mantida pelo Departamento de Defesa. 

Com a inclusão de Alibaba e Baidu, as três principais empresas chinesas de inteligência artificial passam a figurar no documento, já que a Tencent havia sido adicionada em 2025.

Entram ainda a fabricante de roteadores TP-Link, a montadora de elétricos NIO e a farmacêutica WuXi AppTec, entre outras companhias.

O Pentágono não detalha provas públicas, mas aponta os critérios que usou. 

Segundo o Departamento de Defesa, as empresas se enquadram como contribuintes da chamada fusão militar-civil chinesa, por meio de vínculos com órgãos como a comissão estatal que administra ativos públicos e o ministério da indústria do país.

As fabricantes de memória CXMT, da ChangXin, e YMTC, da Yangtze, voltaram à lista militar depois de ficarem de fora da versão de fevereiro, ausência que havia sido criticada por parlamentares americanos linha-dura em relação à China.

O que a lista militar significa, e o que não significa

A lista militar do Pentágono passou a incluir a BYD, ao lado de Alibaba e Baidu, e ameaça tensionar a frágil trégua comercial entre Trump e Xi Jinping.
É importante esclarecer o alcance real da medida, para não exagerar nem minimizar seus efeitos. 

Estar na lista militar 1260H não significa, por si só, sofrer sanções.

O efeito direto, segundo a Reuters e a CNBC, é que o Departamento de Defesa fica proibido de fechar contratos diretamente com as empresas listadas a partir deste mês e de adquirir seus produtos por meio de terceiros a partir de junho de 2027.

O peso maior, porém, é reputacional e estratégico. 

A designação funciona como um alerta às empresas americanas sobre os riscos de fazer negócios com as companhias citadas, e firmas que entraram nessa lista militar no passado acabaram, com frequência, enfrentando depois controles de exportação e outras restrições.

A inclusão não é necessariamente permanente, e as empresas podem pedir formalmente que o Pentágono reavalie o caso, apresentando documentos e evidências.

A trégua frágil entre Trump e Xi

O momento da divulgação é o que torna o episódio mais delicado. 

A atualização da lista militar vem poucas semanas depois de o presidente Donald Trump se reunir com o líder chinês Xi Jinping em Pequim, encontro no qual os dois países selaram uma trégua comercial.

Uma versão ampliada da relação chegou a ser publicada em fevereiro e foi retirada sem explicações, justamente enquanto a viagem de Trump à China estava sendo organizada.

A reação de Pequim foi imediata. 

O governo chinês criticou o que classificou como repressão injustificada a suas empresas, opôs-se à generalização do conceito de segurança nacional pelos Estados Unidos e pediu que Washington corrija as práticas que considera equivocadas.

Embora os dois lados venham buscando manter a estabilidade na relação bilateral, a nova lista militar pode tensionar essa trégua ainda recente entre as duas maiores economias do mundo.

BYD, da liderança nos elétricos ao mercado brasileiro

Entre todos os nomes, a presença da BYD é a que mais diz respeito ao consumidor brasileiro. 

A montadora ultrapassou a Tesla em 2025 e se tornou a maior vendedora de carros elétricos do mundo, e nos Estados Unidos já enfrenta uma tarifa de 100% sobre seus veículos, contestada na Justiça por suas unidades americanas no início de 2026.

A entrada na lista militar soma-se a esse cenário de pressão crescente sobre a empresa em território americano.

No Brasil, a situação da BYD é bem diferente. 

A marca se firmou como líder de vendas de elétricos no país e construiu um polo industrial em Camaçari, na Bahia, o que torna o assunto relevante para o mercado nacional, ainda que a lista militar diga respeito a contratos de defesa nos Estados Unidos, e não às operações brasileiras.

Procuradas, BYD e Baidu não se manifestaram de imediato, enquanto a Alibaba negou os vínculos, afirmando não ser uma empresa militar chinesa, e a YMTC disse estar profundamente decepcionada com a decisão.

A entrada da BYD, da Alibaba e da Baidu na lista militar dos Estados Unidos mostra como a disputa entre as duas potências segue avançando sobre tecnologia, carros elétricos e semicondutores. 

A medida não congela negócios da noite para o dia, mas adiciona tensão a uma trégua que já era frágil e amplia a incerteza para empresas dos dois lados.

O próximo capítulo dependerá de como Washington e Pequim escolherem reagir, entre o diálogo e a escalada.

E você, acha que listas como essa ajudam a proteger a segurança nacional ou apenas acirram a guerra comercial entre Estados Unidos e China? Acredita que a pressão sobre a BYD pode, de alguma forma, respingar no mercado brasileiro de elétricos? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes visões, e compartilhe esta matéria com quem acompanha tecnologia e geopolítica.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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