A lista militar, atualizada pelo Pentágono em 8 de junho de 2026, passou a reunir 188 empresas chinesas. A medida não impõe sanções imediatas, mas proíbe contratos com o Departamento de Defesa e mancha reputações. A Alibaba nega vínculo militar, e Pequim protestou contra o que chamou de repressão.
A fabricante de veículos elétricos BYD foi incluída em uma lista militar dos Estados Unidos, ao lado de gigantes como a Alibaba e a Baidu. A relação foi atualizada pelo Pentágono em 8 de junho de 2026 e reúne empresas que o Departamento de Defesa considera ligadas às forças armadas ou à base industrial de defesa da China. A inclusão da BYD chama atenção por estender o escrutínio americano para além do setor de tecnologia, alcançando a indústria automotiva.
Conhecida formalmente como lista 1260H, a relação passou a reunir 188 entidades chinesas, ante cerca de 130 na versão anterior. Segundo a imprensa internacional, entre os novos nomes estão também a farmacêutica WuXi AppTec, a fabricante de robôs humanoides Unitree e a empresa de sensores RoboSense, além das fabricantes de chips de memória CXMT e YMTC, reincorporadas após terem sido retiradas de uma versão anterior. A atualização ocorre em meio à frágil trégua comercial entre Washington e Pequim.
Quem entrou na lista militar do Pentágono

Com a inclusão de Alibaba e Baidu, as três principais empresas chinesas de inteligência artificial passam a figurar no documento, já que a Tencent havia sido adicionada em 2025.
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Entram ainda a fabricante de roteadores TP-Link, a montadora de elétricos NIO e a farmacêutica WuXi AppTec, entre outras companhias.
O Pentágono não detalha provas públicas, mas aponta os critérios que usou.
Segundo o Departamento de Defesa, as empresas se enquadram como contribuintes da chamada fusão militar-civil chinesa, por meio de vínculos com órgãos como a comissão estatal que administra ativos públicos e o ministério da indústria do país.
As fabricantes de memória CXMT, da ChangXin, e YMTC, da Yangtze, voltaram à lista militar depois de ficarem de fora da versão de fevereiro, ausência que havia sido criticada por parlamentares americanos linha-dura em relação à China.
O que a lista militar significa, e o que não significa

Estar na lista militar 1260H não significa, por si só, sofrer sanções.
O efeito direto, segundo a Reuters e a CNBC, é que o Departamento de Defesa fica proibido de fechar contratos diretamente com as empresas listadas a partir deste mês e de adquirir seus produtos por meio de terceiros a partir de junho de 2027.
O peso maior, porém, é reputacional e estratégico.
A designação funciona como um alerta às empresas americanas sobre os riscos de fazer negócios com as companhias citadas, e firmas que entraram nessa lista militar no passado acabaram, com frequência, enfrentando depois controles de exportação e outras restrições.
A inclusão não é necessariamente permanente, e as empresas podem pedir formalmente que o Pentágono reavalie o caso, apresentando documentos e evidências.
A trégua frágil entre Trump e Xi
O momento da divulgação é o que torna o episódio mais delicado.
A atualização da lista militar vem poucas semanas depois de o presidente Donald Trump se reunir com o líder chinês Xi Jinping em Pequim, encontro no qual os dois países selaram uma trégua comercial.
Uma versão ampliada da relação chegou a ser publicada em fevereiro e foi retirada sem explicações, justamente enquanto a viagem de Trump à China estava sendo organizada.
A reação de Pequim foi imediata.
O governo chinês criticou o que classificou como repressão injustificada a suas empresas, opôs-se à generalização do conceito de segurança nacional pelos Estados Unidos e pediu que Washington corrija as práticas que considera equivocadas.
Embora os dois lados venham buscando manter a estabilidade na relação bilateral, a nova lista militar pode tensionar essa trégua ainda recente entre as duas maiores economias do mundo.
BYD, da liderança nos elétricos ao mercado brasileiro
Entre todos os nomes, a presença da BYD é a que mais diz respeito ao consumidor brasileiro.
A montadora ultrapassou a Tesla em 2025 e se tornou a maior vendedora de carros elétricos do mundo, e nos Estados Unidos já enfrenta uma tarifa de 100% sobre seus veículos, contestada na Justiça por suas unidades americanas no início de 2026.
A entrada na lista militar soma-se a esse cenário de pressão crescente sobre a empresa em território americano.
No Brasil, a situação da BYD é bem diferente.
A marca se firmou como líder de vendas de elétricos no país e construiu um polo industrial em Camaçari, na Bahia, o que torna o assunto relevante para o mercado nacional, ainda que a lista militar diga respeito a contratos de defesa nos Estados Unidos, e não às operações brasileiras.
Procuradas, BYD e Baidu não se manifestaram de imediato, enquanto a Alibaba negou os vínculos, afirmando não ser uma empresa militar chinesa, e a YMTC disse estar profundamente decepcionada com a decisão.
A entrada da BYD, da Alibaba e da Baidu na lista militar dos Estados Unidos mostra como a disputa entre as duas potências segue avançando sobre tecnologia, carros elétricos e semicondutores.
A medida não congela negócios da noite para o dia, mas adiciona tensão a uma trégua que já era frágil e amplia a incerteza para empresas dos dois lados.
O próximo capítulo dependerá de como Washington e Pequim escolherem reagir, entre o diálogo e a escalada.
E você, acha que listas como essa ajudam a proteger a segurança nacional ou apenas acirram a guerra comercial entre Estados Unidos e China? Acredita que a pressão sobre a BYD pode, de alguma forma, respingar no mercado brasileiro de elétricos? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes visões, e compartilhe esta matéria com quem acompanha tecnologia e geopolítica.

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