Avanço acelerado de montadoras chinesas amplia disputa no mercado brasileiro de elétricos e pressiona liderança consolidada com novos modelos, preços competitivos e expansão industrial no país.
A Geely entrou de vez na disputa que hoje tem a BYD como principal referência entre os carros elétricos no Brasil, impulsionada pelo EX2, hatch elétrico desenvolvido em parceria com a Renault e já posicionado entre os modelos mais emplacados do segmento.
Nesse contexto de expansão, a chegada da marca reforça a ofensiva das fabricantes chinesas, que ampliaram presença, preços competitivos e oferta de tecnologia no mercado nacional, alterando a dinâmica competitiva e acelerando a adoção de veículos eletrificados em diferentes faixas de consumo.
Ao mesmo tempo, o avanço ocorre em um momento em que essas montadoras já representam perto de 10% das vendas de automóveis e comerciais leves no país, conforme estimativas baseadas em dados da Fenabrave e da Bright Consulting.
-
Mais barato que muitos SUVs compactos usados e sem gastar uma gota de combustível: com motor elétrico de 122 cv, autonomia de até 322 km por carga e porta-malas de 430 litros, este sedã voltou a chamar atenção como uma das formas mais acessíveis de entrar no mundo dos elétricos: conheça o CAOA Chery Arrizo 5e 2019
-
Adeus correia banhada a óleo? Empresa cria kit que troca sistema criticado por corrente metálica e mira donos cansados de dor de cabeça no motor
-
Homem paga só R$ 17,5 mil em Hyundai Creta 2021 de leilão, encontra SUV coberto de lama e com motor parado, mas descobre que o problema era bem menor do que todos imaginavam
-
Mais barato que o JAC T60 Plus: com motor 1.5 flex, opção 1.6 de 138 cv, câmbio automático tipo CVT, câmera 360, teto solar panorâmico e central de 10 polegadas, este SUV chinês usado tenta convencer quem busca pacote completo: conheça o JAC T40 Plus 2022
Segundo projeções citadas por Rogélio Golfarb, essa participação pode alcançar cerca de 35% até 2035, indicando uma mudança estrutural relevante no setor automotivo brasileiro, com impacto direto sobre estratégias industriais, preços e oferta de novos modelos.
Geely EX2 ganha espaço entre elétricos no Brasil
Dentro desse cenário, o EX2 aparece como o principal nome da Geely para incomodar a liderança da BYD entre os elétricos compactos, especialmente por atuar em uma faixa de preço considerada estratégica para ampliar o acesso a esse tipo de tecnologia.
Em março de 2026, o modelo ocupou a terceira posição entre os carros 100% elétricos mais vendidos do Brasil, ficando atrás apenas do BYD Dolphin Mini e do BYD Dolphin, ambos já consolidados no mercado nacional.

Considerando o acumulado do ano, o hatch da Geely também se manteve na terceira colocação entre os elétricos, somando 2.474 emplacamentos, número que evidencia crescimento consistente mesmo diante de concorrentes com presença mais estabelecida.
Enquanto isso, o Dolphin Mini liderava com mais de 14 mil unidades comercializadas, o que demonstra que a BYD ainda possui ampla vantagem, embora comece a enfrentar concorrência mais direta em um segmento-chave para expansão dos elétricos.
Além do produto em si, a força da Geely também está associada ao modelo de operação adotado no Brasil, que conta com o apoio da Renault para ampliar capilaridade comercial e facilitar o acesso a serviços de manutenção e pós-venda.
Com essa parceria, a marca tende a reduzir uma das principais barreiras enfrentadas por novas montadoras no país, que é justamente a construção de confiança em relação à rede de atendimento, disponibilidade de peças e suporte ao consumidor.
Liderança da BYD enfrenta novos desafios
Por outro lado, a BYD saiu na frente no Brasil e consolidou uma linha diversificada com modelos como Dolphin, Dolphin Mini, Song Plus, Song Pro e Seal, que ajudaram a popularizar os veículos eletrificados no mercado nacional.
Além da expansão comercial, a empresa adquiriu a antiga fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia, e planeja ampliar a produção local, embora a operação avance de forma gradual, com etapas de implementação e adaptação industrial.
Apesar da liderança, o crescimento acelerado trouxe desafios operacionais que começam a ser percebidos por parte dos consumidores, especialmente em relação à disponibilidade de peças e ao tempo de reparo em situações de manutenção.
Relatos de demora em reposição de componentes indicam um problema comum em marcas que expandem vendas em ritmo mais rápido do que a estrutura de pós-venda consegue acompanhar, afetando a experiência do usuário.
Esse fator ganha relevância adicional para motoristas que utilizam o veículo como ferramenta de trabalho, já que qualquer indisponibilidade prolongada pode gerar impacto direto na renda e na rotina profissional.
Enquanto isso, a GWM também ocupa espaço relevante no mercado brasileiro, adotando estratégia semelhante de investimento local para consolidar presença e ampliar competitividade frente às demais montadoras.
A empresa adquiriu a antiga fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis, no interior de São Paulo, iniciou a produção nacional e fortaleceu modelos como Haval H6 e Ora 03, ampliando sua atuação no segmento de eletrificados.
Economia do carro elétrico impulsiona mudança
Nesse ambiente competitivo, a disputa entre BYD, Geely e GWM se apoia em uma transformação mais ampla relacionada ao custo de rodagem dos veículos elétricos, que tende a ser inferior ao dos modelos movidos a combustão.
Para motoristas que percorrem longas distâncias diariamente, como profissionais de aplicativo, a economia com energia pode representar uma compensação significativa ao longo dos anos, contribuindo para diluir o investimento inicial na compra do veículo.
Do ponto de vista técnico, o motor elétrico apresenta maior eficiência energética, pois converte uma parcela mais elevada da energia em movimento, ao contrário dos motores a combustão, que dissipam grande parte em forma de calor.
Essa característica ajuda a explicar por que o custo por quilômetro rodado tende a ser menor nos elétricos, embora o resultado final dependa de fatores como tarifa de energia, preço dos combustíveis, tipo de recarga e padrão de uso do veículo.
Ainda assim, a análise de viabilidade não deve se limitar ao consumo de energia, sendo necessário considerar outros aspectos relevantes que impactam o custo total de propriedade ao longo do tempo.
Itens como seguro, desvalorização, custo de pneus, disponibilidade de peças, manutenção da bateria, garantia e acesso à infraestrutura de recarga precisam ser avaliados de forma integrada na tomada de decisão.
Crescimento das chinesas redesenha o setor automotivo
Paralelamente, o avanço das marcas chinesas não se restringe aos veículos totalmente elétricos, já que modelos híbridos e híbridos plug-in também ganham espaço e ampliam a presença dessas fabricantes no mercado brasileiro.
Entre os destaques estão veículos como GWM Haval H6, BYD Song Pro e BYD Song Plus, que combinam eficiência energética com maior autonomia, atraindo consumidores em fase de transição para tecnologias eletrificadas.
Em março de 2026, os veículos eletrificados atingiram um recorde de 35.356 emplacamentos no Brasil, representando cerca de 14% de participação no total de veículos leves comercializados no período.
Esse crescimento pressiona as montadoras tradicionais, que precisam acelerar lançamentos, revisar estratégias de preço e ampliar o nível de tecnologia embarcada para manter competitividade frente ao avanço das novas concorrentes.
Ao mesmo tempo, a chegada de mais marcas intensifica a disputa por serviços de assistência técnica, fornecimento de peças, condições de financiamento e expansão da rede de recarga elétrica no país.
Embora a BYD continue como principal referência entre os elétricos no Brasil, o avanço da Geely indica que o cenário tende a se tornar mais equilibrado, com maior diversidade de opções para o consumidor.
Nesse contexto, o EX2 ainda não superou os modelos líderes da BYD, mas já demonstra potencial para disputar espaço relevante, sinalizando que a liderança entre as montadoras chinesas no país deve se tornar cada vez mais competitiva.


-
-
-
5 pessoas reagiram a isso.