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A maior construção enxaimel do Brasil deste século está ganhando forma em Guabiruba sem um único prego ou parafuso com 270 metros quadrados de madeira nobre encaixada peça a peça onde cada viga pode pesar 300 quilos e tudo será sede do Papai Noel do Mato

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 11/05/2026 às 13:21 Atualizado em 11/05/2026 às 13:26
A maior construção enxaimel do Brasil deste século está sendo erguida em Guabiruba, SC, sem pregos nem parafusos. São 270 metros quadrados em dois andares feitos com madeira nobre e encaixes manuais.
A maior construção enxaimel do Brasil deste século está sendo erguida em Guabiruba, SC, sem pregos nem parafusos. São 270 metros quadrados em dois andares feitos com madeira nobre e encaixes manuais.
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A maior construção enxaimel do Brasil neste século está sendo erguida no Parque Municipal de Guabiruba, no Vale do Itajaí em Santa Catarina, usando apenas encaixes de madeira sem nenhum prego ou parafuso. São 270 metros quadrados em dois andares feitos com madeira nobre que abrigarão a sede da Sociedade do Pelznickel, o icônico Papai Noel do Mato.

Segundo o NSC, a construção enxaimel é uma técnica que remonta à Europa medieval e se tornou símbolo da colonização germânica no sul do Brasil. Em Guabiruba, cidade do Vale do Itajaí em Santa Catarina, a maior obra nesse estilo construída no país neste século está tomando forma no Parque Municipal, com estrutura inteiramente erguida a partir de encaixes de madeira, sem utilizar um único prego ou parafuso em toda a montagem estrutural. O projeto tem a assinatura do mestre artífice Paulo Volles, de Blumenau, que trabalha há quase duas décadas com casas no tradicional estilo germânico.

A edificação terá 270 metros quadrados distribuídos em dois andares e será a sede da Sociedade do Pelznickel, entidade que mantém viva a tradição do Papai Noel do Mato, personagem natalino de origem germânica que atrai visitantes a Guabiruba todos os meses de dezembro. A obra começou no mês passado e as fotos da montagem já permitem visualizar a dimensão da estrutura, que utiliza madeiras nobres como cambará, massaranduba, catuaba e itaúba. A previsão é que tudo esteja concluído até o fim do ano.

Um quebra cabeça de peças que pesam até 300 quilos

Uma das características mais impressionantes da técnica enxaimel é que a construção funciona como uma casa pré-fabricada. Todas as peças são produzidas na carpintaria, encaixadas para teste, depois desmontadas e numeradas uma a uma para facilitar a montagem definitiva no local. O presidente da Sociedade do Pelznickel, Vandrigo Kohler, descreve o processo como um grande quebra cabeça que exigiu quatro meses de trabalho prévio na oficina antes de começar a montagem no parque.

O peso das peças dá a dimensão do desafio envolvido na construção enxaimel. Uma única viga de madeira nobre pode chegar a 300 quilos, e todo o manuseio é feito manualmente. Não há guindastes posicionando estruturas metálicas nem caminhões betoneira despejando concreto. A força e a precisão dos profissionais que trabalham na obra são as mesmas exigidas dos construtores europeus que erguiam casas enxaimel há séculos, com a diferença de que as madeiras utilizadas em Guabiruba são espécies brasileiras selecionadas pela durabilidade e resistência.

A técnica que dispensa pregos e sustenta andares inteiros

O princípio estrutural da construção enxaimel é o encaixe. Cada peça de madeira é cortada com rebaixos, encaixes e entalhes que se conectam às peças vizinhas, formando uma trama rígida que sustenta paredes, pisos e telhados sem depender de elementos metálicos de fixação. É uma engenharia que parece simples quando descrita, mas que exige conhecimento profundo das propriedades de cada tipo de madeira e precisão milimétrica no corte, pois qualquer erro de medida compromete a estabilidade de toda a estrutura.

No projeto de Guabiruba, a escolha das madeiras nobres não é apenas estética. Cambará, massaranduba, catuaba e itaúba são espécies conhecidas pela alta densidade e resistência a intempéries e insetos, características essenciais para uma construção que ficará exposta ao clima subtropical do Vale do Itajaí. A durabilidade dessas madeiras pode superar décadas sem necessidade de tratamento químico agressivo, o que significa que a sede da Sociedade do Pelznickel foi projetada para resistir ao tempo com a mesma solidez das casas enxaimel centenárias que ainda existem na Alemanha.

Paulo Volles: o mestre artífice por trás da obra

A construção enxaimel em Guabiruba leva a assinatura de Paulo Volles, mestre artífice radicado em Blumenau que dedica quase duas décadas ao domínio dessa técnica construtiva. Em um país onde a construção civil é amplamente dominada pelo concreto armado e pela alvenaria, profissionais especializados em enxaimel são raros, e o conhecimento necessário para executar uma obra desse porte é transmitido mais pela prática e pela mentoria do que por cursos formais de engenharia ou arquitetura.

O trabalho de Volles na carpintaria antes da montagem no parque foi tão extenso quanto a obra no local. Os quatro meses de preparação envolveram o corte, o entalhe e o ajuste de cada peça, seguidos pela montagem completa em oficina para verificar se todos os encaixes funcionavam perfeitamente. Só depois dessa validação a estrutura foi desmontada, numerada e transportada para Guabiruba, onde está sendo remontada como um quebra cabeça tridimensional de madeira nobre.

A sede do Papai Noel do Mato

imagem: Patrick Rodrigues/NSC

A construção enxaimel não será apenas um marco arquitetônico. Ela abrigará a Sociedade do Pelznickel, entidade responsável por preservar e promover a tradição do Papai Noel do Mato, uma figura natalina de origem germânica que se diferencia radicalmente da imagem do Papai Noel convencional. Vestido com trajes rústicos feitos de folhas, musgo e elementos da mata, o Pelznickel visita as casas de Guabiruba em dezembro e se tornou o principal atrativo turístico do município.

A escolha da técnica enxaimel para a sede da Sociedade não é aleatória. Ela reforça a conexão cultural entre a tradição natalina germânica e a herança arquitetônica trazida pelos colonizadores que se estabeleceram no Vale do Itajaí. Vandrigo Kohler, presidente da entidade, descreve a obra como algo grandioso feito com carinho para receber o público e valorizar a tradição local. A ideia é que a construção funcione como ponto de referência cultural durante o ano inteiro, não apenas no período natalino.

No mesmo parque, o maior labirinto do Sul do Brasil

O Parque Municipal de Guabiruba, onde a construção enxaimel está sendo erguida, já abriga outra atração de grande porte. O maior labirinto do Sul do Brasil foi inaugurado no fim de 2025, fruto de uma parceria entre a prefeitura de Guabiruba e a cidade alemã de Karlsdorf-Neuthard. A estrutura tem 51,40 metros de diâmetro e é formada por cerca de 6.500 árvores da espécie Podocarpus, com alturas que chegam a 1,70 metro.

Para percorrer todo o labirinto, o visitante precisa dar 11 voltas e caminha quase dois quilômetros entre as paredes verdes. Ao longo do trajeto, 11 pontos informativos apresentam curiosidades sobre o município em três idiomas: português, inglês e alemão. No centro do labirinto há uma estátua do Pelznickel, conectando a atração à identidade cultural da cidade. Com a construção enxaimel e o labirinto no mesmo parque, Guabiruba está montando um complexo turístico que celebra suas raízes germânicas de formas complementares.

Uma construção que olha para o passado e constrói o futuro

A maior construção enxaimel do Brasil neste século é mais do que uma obra arquitetônica. É a prova de que uma técnica com séculos de história pode encontrar relevância no presente quando existe vontade de preservar e investimento para executar. Os 270 metros quadrados de madeira nobre encaixada sem pregos nem parafusos em Guabiruba representam um patrimônio cultural em formação, algo que daqui a décadas pode ter o mesmo valor histórico das casas enxaimel que turistas visitam no Vale do Itajaí hoje.

Você conhecia a técnica enxaimel ou já visitou uma casa construída nesse estilo? Conte nos comentários se pretende conhecer a obra de Guabiruba quando estiver pronta, o que acha de construir sem pregos nem parafusos e se a tradição do Pelznickel já faz parte do seu repertório de Natal. Queremos saber o que você pensa sobre a preservação dessas tradições germânicas em Santa Catarina.

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Sergio Roberto de Andrade Leite
Sergio Roberto de Andrade Leite
11/05/2026 14:57

Bonito trabalho. Carpinteiro engenhoso. É pena que no Brasil, onde temos excelentes madeiras de lei, bonitas, resistentes e duradouras, as construções deste material sejam tão raras. É um paradoxo. O Estado deveria estimular e não dificultar seu uso. Dificulta para o brasileiro, mas não coíbe com eficiência seu contrabando nem estimula o plantio e o aproveitamento destas magníficas essências florestais.

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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