Após resgate no Parque Nacional de Cuc Phuong, oito pangolins seguem pelo Vietnã em caixas de madeira até um ponto secreto. A equipe enfrenta 16 horas de estrada e 7 de trilha no escuro para despistar caçadores furtivos. A soltura mira o mercado negro que vende escamas a US$ 3.000/kg.
Oito pangolins deixam o centro de resgate do Parque Nacional de Cuc Phuong e atravessam o Vietnã em caixas de madeira, com destino a um ponto secreto onde a equipe espera mantê-los longe de caçadores furtivos e do mercado negro.
A viagem vira uma corrida contra o tempo: são 16 horas de estrada e mais 7 de trilha no escuro, após meses de quarentena e tratamento. Antes da soltura, os animais precisam provar que encontram comida, escolhem abrigo e estão saudáveis o bastante para sobreviver sozinhos.
O mamífero mais traficado do mundo está dentro dessas caixas

Dentro de cada caixa está o animal mais comercializado do planeta, o pangolim, descrito como estranho e belo justamente por parecer “de outro tempo”.
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Ele sobreviveu a pelo menos cinco eventos globais de extinção em massa, incluindo o que eliminou os dinossauros, e por isso é tratado como um fóssil vivo, com linhagem que remonta a cerca de 80 milhões de anos.

Apesar de muita gente confundir, ele não é um tatu nem um tamanduá.
O pangolim é citado como mais aparentado aos gatos e ocupa um ramo próprio na árvore evolutiva por um motivo único: é o único mamífero totalmente coberto de escamas.
Por que caçadores furtivos conseguem capturar um “tanque” da natureza
O mecanismo de defesa do pangolim é perfeito contra grandes predadores.
Quando atacado por tigres, leopardos ou leões, ele se enrola numa bola compacta de queratina, como uma armadura.
A ironia é cruel: essa mesma reação, que afasta predadores na selva, facilita a captura humana.
E a pressão não para. Enquanto a missão avança pelo Vietnã, a própria narrativa alerta que pelo menos dois pangolins podem ser vítimas de caça ilegal.
Por isso, a operação inteira é desenhada para terminar em um ponto secreto, longe de caçadores furtivos.
Cuc Phuong, o centro de resgate e a equipe que tenta virar o jogo
A jornada começa no Parque Nacional de Cuc Phuong, descrito como o primeiro parque nacional do Vietnã. São 220.000 hectares de área protegida, com enorme diversidade de flora e fauna, e é ali que funciona o centro de resgate tocado em conjunto com a organização Save Vietnam’s Wildlife.
Chien, que cresceu perto dessas florestas, aparece como chefe dos cuidadores.
O trabalho do centro é resgatar pangolins de traficantes, manter os animais em quarentena e tratamento por meses e só então preparar quem tem chance de voltar para a natureza.
Quando um pangolim não pode ser solto, ele ainda ajuda a equipe a atuar com escolas e comunidades, tentando mudar atitudes e reduzir a demanda que alimenta o mercado negro.
O mercado negro e o preço que explica a brutalidade do tráfico
O mercado negro não gira em torno de um único produto. Um quilograma de escamas de pangolim é citado como vendido por US$ 3.000/kg.
Além disso, a carne aparece como iguaria, a pele vira couro de luxo e o sangue entra na lista junto do chamado vinho de pangolim, feito ao cozinhar um pangolim jovem em vinho de arroz, usado como remédio popular.
A demanda é descrita como internacional, com EUA e China mencionados entre os maiores mercados do comércio ilegal.
Em paralelo, o relato afirma que pangolins avaliados em mais de US$ 100.000 são caçados ilegalmente todos os anos e que não existe estimativa confiável de quantos ainda restam.
Oito pangolins só seguem ao ponto secreto depois de passar por três testes
Antes da viagem final ao ponto secreto, oito pangolins precisam “se formar” numa área semi selvagem, apresentada como parte da selva, com arredores 99% selvagens. É um trampolim entre o cativeiro e a liberdade.
O roteiro de avaliação é direto e exigente: eles precisam demonstrar que encontram comida, que acham seus próprios lugares para dormir e que estão saudáveis o suficiente para sobreviver sozinhos.
Para aguçar instintos, a equipe oferece comida viva.
Isso inclui caçar formigas que fazem ninho nas árvores, e quem participa da coleta sente na pele: as formigas picam.
A viagem que tenta driblar caçadores furtivos
Com os testes aprovados, oito pangolins vão para caixas de madeira e começam a etapa mais sensível: 16 horas de estrada e uma caminhada de aproximadamente 7 horas, carregando as caixas, em parte na mais completa escuridão, numa trilha no escuro.
O horário é estratégico. Pangolins são noturnos e se sentem mais confortáveis no escuro, o que reduz estresse.
Ao mesmo tempo, o caminho é descrito como traiçoeiro, com saliências estreitas e terreno difícil. Por isso, uma força local de proteção florestal se junta ao grupo para garantir segurança numa área remota, de difícil acesso.
Até o clima interfere: chuva deixa tudo escorregadio; calor demais estressa os animais. A escolha de janela “ideal” faz parte da tentativa de manter a rota discreta, longe de caçadores furtivos e fora do alcance do mercado negro.
O que oito pangolins podem mudar quando voltam para a floresta
A soltura acontece à noite e oito pangolins são liberados em locais diferentes, com silêncio e mínima interferência humana.
A aposta é que, longe do mercado negro e protegidos num ponto secreto, eles retomem um papel ecológico grande demais para um animal tão invisível.
O relato destaca números que explicam o impacto: pangolins podem comer até 20.000 formigas ou cupins por dia.
Sem eles, populações desses insetos podem explodir, destruindo florestas e reduzindo habitat de inúmeros organismos.
Na sua opinião, esconder o ponto secreto e fazer trilha no escuro é a única saída para proteger Oito pangolins de caçadores furtivos e do mercado negro?


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