A sequência de eventos que transforma um tremor submarino em ondas capazes de cruzar oceanos envolve placas tectônicas, profundidade e monitoramento por sensores. Entenda como a energia acumulada no fundo do mar muda de escala ao chegar à costa.
Um tsunami se forma quando o fundo do mar se desloca de maneira abrupta e empurra uma grande massa de água, criando ondas capazes de atravessar oceanos em poucas horas.
Em episódios extremos, a energia liberada pelo terremoto que desencadeia esse processo já foi comparada ao equivalente a 23 mil bombas atômicas do tipo Hiroshima, uma medida usada para dimensionar a escala do sismo associado ao tsunami do Oceano Índico, em 2004.
Ao contrário da imagem de uma “parede” de água, a maior parte da trajetória do tsunami ocorre em alto-mar com pouca elevação na superfície.
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O cenário muda ao chegar ao litoral, quando a onda desacelera e pode ganhar altura, concentrando energia em áreas costeiras.
Como a energia se acumula no fundo do mar
A origem mais comum dos grandes tsunamis está nas zonas de subducção, regiões em que uma placa tectônica desliza por baixo de outra.
Nesses limites, a movimentação pode ficar travada por longos períodos, enquanto a tensão se acumula na interface entre as placas.
Quando a ruptura acontece, parte do leito oceânico sobe ou desce em segundos.
Esse salto desloca a coluna d’água acima da falha e dá início a um conjunto de ondas longas que se espalha em várias direções, com potencial para atingir diferentes países a partir de um único evento.
Propagação do tsunami em mar profundo e velocidade da onda
Tsunamis não se comportam como ondas comuns geradas pelo vento.
Eles envolvem uma porção maior da coluna d’água e têm comprimento de onda muito mais longo, o que favorece a propagação da energia por grandes distâncias.
A velocidade também depende principalmente da profundidade.
Em oceano profundo, organismos de monitoramento como a agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, descrevem que um tsunami pode se deslocar a ritmo comparável ao de um avião a jato, superando 500 milhas por hora, cerca de 800 km/h.
Essas características ajudam a entender por que um tremor em área submarina pode gerar efeitos em sequência ao longo de horas, mesmo longe do epicentro, com variações de impacto conforme a geografia costeira e a energia transferida ao mar.
Por que o tsunami é difícil de perceber em alto-mar
Em alto-mar, a altura do tsunami na superfície costuma ser baixa, o que dificulta a percepção por embarcações.
Ainda assim, a energia está presente porque a onda tem grande extensão e envolve o movimento de uma camada significativa de água, não apenas a superfície.
Também por isso a água não avança como um bloco único durante todo o percurso.
O que se propaga é a energia: as partículas de água oscilam, e essa oscilação sustenta a passagem da onda até que ela encontre águas mais rasas.
Efeito da profundidade: por que a onda cresce perto da costa
Ao se aproximar da costa, a profundidade diminui e o tsunami perde velocidade.
Com a energia do sistema se redistribuindo, a onda tende a encurtar e ganhar altura, o que pode ampliar o impacto em áreas litorâneas, sobretudo em trechos onde o relevo submarino, baías e estuários favorecem a concentração do fluxo.
A dimensão da destruição não depende apenas da magnitude do terremoto.
O formato do litoral, a inclinação do fundo do mar e a presença de enseadas podem aumentar a elevação da água em pontos específicos, enquanto outras áreas registram efeitos menores.
Causas de tsunami além de terremotos submarinos
Embora terremotos em zonas de subducção sejam a origem mais frequente de tsunamis destrutivos, não são a única.
Deslizamentos submarinos e erupções vulcânicas também podem deslocar grandes volumes de água e gerar ondas de longo alcance.
Em comum, esses eventos têm o deslocamento rápido do fundo do mar ou de massas de sedimentos como gatilho principal.
Sem esse empurrão repentino, não há formação de um tsunami com capacidade de se propagar por grandes distâncias.
Sistemas de alerta de tsunami e limites de resposta
Depois do desastre de 2004, redes de monitoramento foram ampliadas em diferentes oceanos.
Entre as tecnologias usadas estão os sistemas que combinam sensores de pressão no fundo do mar com boias na superfície, capazes de transmitir dados em tempo real via satélite, como o sistema DART, operado pela NOAA.

Os equipamentos registram variações pequenas no nível do mar em águas profundas e alimentam modelos que estimam altura e tempo de chegada em áreas costeiras.
Mesmo assim, a utilidade do alerta depende do intervalo disponível entre o evento e a chegada das primeiras ondas, o que pode ser reduzido quando o epicentro está próximo do litoral.
No tsunami do Oceano Índico, relatos reunidos por organismos internacionais descrevem que áreas próximas ao epicentro foram atingidas em cerca de 20 minutos, enquanto regiões como Sri Lanka e partes da Índia foram alcançadas em aproximadamente duas horas.
O que os desastres de 2004 e 2011 revelaram sobre o risco
O tsunami do Oceano Índico, em 26 de dezembro de 2004, é citado por instituições humanitárias e obras de referência como um dos desastres naturais mais letais da história recente.
Fontes amplamente usadas apontam um total em torno de 230 mil mortes, com variações conforme critérios de contabilização entre países, desaparecidos e revisões ao longo do tempo.
A comparação com 23 mil bombas atômicas do tipo Hiroshima é associada à energia liberada pelo terremoto que gerou o tsunami, e não a uma medida isolada da “força da onda”.
A referência aparece em reportagens e materiais de divulgação científica como forma de contextualizar a magnitude do fenômeno físico.
Em 11 de março de 2011, no Japão, o episódio evidenciou um desafio adicional: a estimativa inicial de altura das ondas pode ficar abaixo do observado nos minutos seguintes, até que novas medições sejam incorporadas aos modelos.
Em uma publicação de lições aprendidas, a Agência Meteorológica do Japão, a JMA, relata que emitiu um alerta inicial cerca de três minutos após o terremoto, mas que a magnitude e as alturas previstas inicialmente foram subestimadas, com atualizações posteriores baseadas em novos dados.
Sobre medidas de proteção, reportagens internacionais descreveram a construção e o reforço de barreiras costeiras em trechos do Japão após 2011, incluindo estruturas contínuas ao longo de centenas de quilômetros e alturas que chegam a cerca de 14 metros em partes do litoral, segundo os levantamentos citados.


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