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A falha invisível por trás da proteção de bancos, senhas e mensagens pode estar com os dias contados após experimento quântico transformar aleatoriedade imperfeita em números realmente imprevisíveis

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 03/06/2026 às 00:12 Atualizado em 03/06/2026 às 00:37
Cientistas usam física quântica para criar gerador de números aleatórios com aleatoriedade certificada em laboratório
Cientistas usam física quântica para criar gerador de números aleatórios com aleatoriedade certificada em laboratório
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Experimento com qubits supercondutores conseguiu transformar aleatoriedade imperfeita em números certificados como perfeitamente imprevisíveis

Cientistas da ETH Zurich anunciaram um avanço que pode mudar a base da segurança digital, da criptografia e da computação quântica. Pela primeira vez, uma equipe conseguiu produzir números aleatórios considerados perfeitamente imprevisíveis, usando um experimento de física quântica.

A descoberta chama atenção porque a internet moderna depende de números aleatórios para proteger senhas, mensagens, transações bancárias, certificados digitais e sistemas de autenticação. Quando essa aleatoriedade falha, mesmo que de forma quase invisível, a proteção pode ficar mais frágil.

O estudo mostra que é possível pegar uma fonte de aleatoriedade imperfeita e, por meio de um protocolo quântico, transformá-la em uma sequência de zeros e uns sem viés detectável. A pesquisa foi publicada na revista científica Nature em 27 de maio de 2026 e divulgada pela ETH Zurich.

Na prática, isso não significa que celulares, bancos e computadores passarão a usar essa tecnologia amanhã. Mas o resultado abre caminho para uma nova geração de geradores de números aleatórios quânticos, capazes de oferecer uma base mais confiável para sistemas que exigem máxima segurança.

Por que números aleatórios são tão importantes para a segurança digital

A maior parte das pessoas associa números aleatórios a sorteios, jogos, senhas temporárias ou códigos de verificação. Mas, no mundo digital, eles têm uma função muito mais profunda e estratégica.

Quando um sistema cria uma chave criptográfica, ele precisa gerar uma sequência que ninguém consiga prever. Essa chave pode proteger uma conversa privada, uma transferência financeira, um acesso bancário ou a comunicação entre servidores.

O problema é que computadores tradicionais não são naturalmente aleatórios. Eles seguem instruções matemáticas e, por isso, costumam produzir números pseudoaleatórios, que parecem aleatórios, mas nascem de fórmulas e valores iniciais.

Para o uso comum, isso muitas vezes basta. Para sistemas críticos, porém, qualquer padrão escondido pode virar uma brecha. Se um invasor descobre como a sequência foi criada, ele pode tentar reconstruir chaves, prever tokens ou explorar falhas em protocolos de segurança.

O problema escondido nos geradores de números aleatórios atuais

Mesmo os geradores físicos e quânticos mais avançados não estão livres de pequenas imperfeições. Um equipamento real pode ter ruído, falhas de medição, sensores desbalanceados, interferências térmicas ou desvios de calibração.

Essas falhas podem fazer certos resultados aparecerem um pouco mais do que outros. Em uma comparação simples, seria como lançar um dado quase perfeito, mas que ainda assim favorece levemente uma das faces.

Essa diferença parece pequena, mas é justamente aí que mora o risco. Em criptografia, quase aleatório não é o mesmo que perfeitamente imprevisível. Uma pequena tendência estatística pode reduzir a força de uma chave ou abrir espaço para ataques muito sofisticados.

Por isso, o avanço da ETH Zurich não está apenas na geração de números aleatórios, mas na certificação de que aquela aleatoriedade realmente não depende de uma confiança cega no equipamento usado.

Como a física quântica entrou no centro da descoberta

O experimento usou dois chips supercondutores, cada um representando um qubit. Diferente de um bit comum, que assume 0 ou 1, o qubit pertence ao mundo da mecânica quântica e pode estar associado a estados que só se definem no momento da medição.

Os dois chips foram conectados por um tubo de aproximadamente 30 metros, resfriado a temperaturas extremamente baixas. Fótons de micro-ondas circularam entre eles, criando um fenômeno chamado emaranhamento quântico.

No emaranhamento, duas partículas ou sistemas quânticos passam a apresentar correlações muito fortes, mesmo quando estão separados. A medição de um lado se relaciona com o resultado do outro de uma forma que não pode ser explicada por modelos clássicos simples.

Essa estrutura permitiu realizar um tipo de teste conhecido como teste de Bell, usado para verificar se as correlações observadas realmente seguem o comportamento previsto pela mecânica quântica. No caso do novo estudo, esse teste foi essencial para certificar a origem da aleatoriedade.

O que significa amplificação de aleatoriedade

O ponto mais importante do trabalho está em um conceito chamado amplificação de aleatoriedade. A ideia é partir de uma fonte fraca, enviesada ou imperfeita, e extrair dela uma sequência final com aleatoriedade muito mais forte.

Em sistemas clássicos, esse tipo de transformação tem limites. Se a fonte inicial carrega viés ou previsibilidade, a matemática tradicional não consegue garantir, sozinha, uma aleatoriedade perfeita em sentido forte.

A equipe suíça usou o comportamento quântico para superar essa limitação. O protocolo não precisa confiar completamente nos detalhes internos do equipamento, porque a certificação vem do resultado observado no teste de Bell.

Isso é importante porque um sistema de segurança não deveria depender apenas da promessa de que um aparelho foi bem fabricado. O ideal é que ele consiga demonstrar, por evidências físicas e estatísticas, que os números gerados são realmente imprevisíveis.

Por que a descoberta pode impactar criptografia, bancos e identidades digitais

A aplicação mais evidente está na criptografia. Bancos, governos, empresas de tecnologia, serviços de nuvem e plataformas de comunicação dependem de chaves seguras para proteger dados sensíveis.

Quando a base aleatória de uma chave é forte, o sistema fica mais resistente. Quando essa base é fraca, todo o restante da proteção pode ser comprometido, mesmo que o algoritmo criptográfico seja avançado.

O avanço também pode interessar a sistemas de identidade digital, assinaturas eletrônicas, infraestrutura de internet, blockchain, auditorias públicas e serviços que precisam de sorteios técnicos verificáveis. A ideia central é criar uma fonte de aleatoriedade que não seja apenas confiável, mas também certificável.

No longo prazo, essa tecnologia pode funcionar como uma espécie de referência de alta precisão para aleatoriedade, assim como relógios atômicos se tornaram referência para medir o tempo com altíssima exatidão.

O avanço ainda está longe de virar produto comum

Apesar do impacto científico, o experimento ainda exige uma estrutura complexa. Chips supercondutores, resfriamento extremo, conexão criogênica e controle quântico de alta precisão não fazem parte da realidade de aparelhos comuns.

Isso significa que a descoberta é mais um marco de laboratório do que um produto pronto para uso em massa. Ainda será necessário reduzir custos, simplificar a operação e provar que o método pode funcionar de forma estável em ambientes fora da pesquisa acadêmica.

Mesmo assim, a importância do resultado está em mostrar que a aleatoriedade perfeita não é apenas uma ideia teórica. Ela pode ser produzida experimentalmente, desde que o sistema explore corretamente os recursos da física quântica.

Esse tipo de avanço também ganha relevância em um momento em que a segurança digital enfrenta novos desafios, incluindo ataques mais automatizados, inteligência artificial aplicada à invasão de sistemas e a futura chegada de computadores quânticos mais poderosos.

A nova disputa pela confiança nos sistemas digitais

A descoberta reforça uma discussão cada vez mais importante. Em um mundo no qual quase tudo depende de senhas, códigos, autenticação e criptografia, a confiança digital começa em partes invisíveis do sistema.

O usuário comum não vê o gerador de números aleatórios funcionando. Ele apenas espera que o aplicativo do banco, o serviço de mensagens ou o site de compras esteja protegido. Mas, por trás dessa confiança, existe uma cadeia técnica que pode ser forte ou vulnerável.

Ao alcançar uma forma certificada de aleatoriedade perfeita, os pesquisadores dão um passo em direção a sistemas mais transparentes e matematicamente seguros. A promessa não é acabar com todos os riscos digitais, mas fortalecer uma das bases mais importantes da proteção moderna.

A grande questão agora é saber quem terá acesso primeiro a esse tipo de tecnologia quando ela amadurecer. Ela ficará restrita a governos, bancos e grandes empresas de tecnologia, ou poderá virar uma infraestrutura pública de segurança digital?

Você acha que uma tecnologia tão importante para criptografia e proteção de dados deve ser controlada por grandes instituições ou oferecida como serviço aberto para a sociedade? Deixe seu comentário e diga se essa nova era da aleatoriedade quântica aumenta sua confiança no futuro da segurança digital.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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