Com 600 hectares aterrados e US$ 40 bilhões investidos, a Coreia do Sul construiu Songdo, uma cidade inteligente erguida totalmente sobre o mar.
Durante décadas, a costa oeste da Coreia do Sul foi marcada por áreas pantanosas, marés extremas e zonas industriais fragmentadas. Em vez de expandir suas cidades para o interior já saturado, o país tomou uma decisão radical: criar terra onde não existia nada, avançando diretamente sobre o mar Amarelo. Assim nasceu Songdo International Business District, um dos projetos urbanos mais ambiciosos do século XXI.
O plano não era apenas ganhar espaço físico, mas construir uma cidade inteira do zero, integrada à economia global, com infraestrutura digital, logística avançada e padrões ambientais inéditos para um território artificial.
600 hectares de mar transformados em território urbano
Songdo foi construída sobre aproximadamente 600 hectares de terra artificial, obtidos por meio de extensos processos de aterro hidráulico, dragagem e compactação de sedimentos marinhos. Para isso, foram movimentados milhões de metros cúbicos de areia e material sedimentar, retirados do próprio fundo do mar e de áreas costeiras próximas.
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Esse tipo de obra exige controle rigoroso de estabilidade do solo, já que terrenos recém-aterrados estão sujeitos a recalques, liquefação e deformações ao longo de décadas.
Um investimento estimado em US$ 40 bilhões
O custo total do projeto de Songdo é estimado em cerca de US$ 40 bilhões, somando investimentos públicos e privados. Esse valor inclui não apenas os aterros, mas também infraestrutura subterrânea, sistemas de transporte, redes digitais, edifícios comerciais, residenciais e áreas verdes planejadas desde a fundação.
Trata-se de um dos maiores investimentos urbanos concentrados em uma única área já realizados fora de capitais nacionais.
Engenharia de fundações sobre solo artificial
Construir edifícios altos sobre terra recém-criada exigiu soluções avançadas de engenharia. Grande parte das estruturas utiliza estacas profundas cravadas até camadas mais estáveis do subsolo, atravessando o material aterrado até atingir solos consolidados.
Sem esse cuidado, seria impossível sustentar arranha-céus, centros comerciais e infraestrutura pesada sobre um terreno que, até pouco tempo antes, era apenas oceano.
Planejamento urbano feito antes da primeira obra
Diferentemente de cidades que crescem de forma orgânica, Songdo foi inteiramente planejada antes da construção do primeiro edifício. Ruas, quarteirões, redes de energia, água, esgoto, transporte e dados foram projetados de forma integrada.
Cerca de 40% da área urbana foi destinada a espaços verdes, incluindo parques, canais artificiais e áreas de retenção de água, inspiradas em modelos de cidades sustentáveis internacionais.
Uma cidade inteligente desde o nascimento
Songdo ficou conhecida como uma das primeiras “smart cities” concebidas do zero. Sistemas digitais foram embutidos na infraestrutura urbana desde o início, permitindo controle automatizado de tráfego, consumo de energia, iluminação pública e gestão de resíduos.
Sensores distribuídos pela cidade monitoram desde fluxo de veículos até uso de água em edifícios residenciais e comerciais.
Logística e localização estratégica
A cidade está localizada próxima ao Aeroporto Internacional de Incheon, um dos maiores hubs aéreos da Ásia, e integrada a portos e redes ferroviárias nacionais. Essa posição transforma Songdo em uma plataforma logística e financeira, pensada para atrair empresas multinacionais, centros de pesquisa e sedes corporativas.
O projeto buscou posicionar a Coreia do Sul como ponte econômica entre a Ásia Oriental e o restante do mundo.
Avançar sobre o mar como política de Estado
A construção de Songdo faz parte de uma estratégia mais ampla do país, que historicamente utiliza aterros marítimos para expandir áreas urbanas e industriais, devido à limitação de território disponível em terra firme.
Esse tipo de obra exige autorizações ambientais complexas, estudos de impacto marinho e monitoramento contínuo da costa para evitar erosão e danos aos ecossistemas.
Uma cidade ainda em transformação
Embora grande parte da infraestrutura esteja concluída, Songdo continua em desenvolvimento. Algumas áreas ainda passam por ajustes de ocupação, densidade populacional e adaptação social, um desafio comum em cidades planejadas de grande escala.
Mesmo assim, o projeto já funciona como laboratório urbano, influenciando iniciativas semelhantes em outros países asiáticos e do Oriente Médio.
Ao aterrar mais de 600 hectares de oceano e investir cerca de US$ 40 bilhões, a Coreia do Sul mostrou que o limite entre terra e mar deixou de ser definitivo.
Songdo não é apenas uma cidade construída sobre água; é um experimento real de como engenharia, planejamento e tecnologia podem redefinir o conceito de território urbano.
Assim como túneis atravessam oceanos e trilhos cruzam continentes, Songdo prova que, no século XXI, até o mar pode virar cidade — desde que haja dinheiro, engenharia e visão estratégica suficientes.


A onipotência humana é recorrente e não tem limites, achando que com conhecimento e tecnologia pode domar e alterar impunemente ecossistemas naturais consolidados durante milênios. Acabei de ler sobre o Aeroporto Internacional de Kansai, no Japão, que simplesmente está afundando ! ! !
O ser humano não aprende . . .
I live in Songdo. It’s a great place to live. I see sunrises, sea line… nobody lived here before, no pain was felt here, no sorrow. After 19 years living in Seoul this place is a great change.
A Coreia do Sul ganha espaço sobre o Oceano, porém o sonho de lançar o Foguete foi para o espaço.