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A cidade a 130 m abaixo do nível do mar, onde quase ninguém visita, mas já produziu 51.000 toneladas métricas de potássio, virou cidade fantasma, operou ferrovia internacional e marcou o limite histórico da ocupação humana

Publicado em 15/12/2025 às 16:17
Atualizado em 15/12/2025 às 16:23
Assista o vídeoCidade fantasma, Cidade, Dallol
Imagem: Ilustração
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Localizada na Depressão de Afar, a antiga vila combina calor recorde, produção mineral histórica, ferrovia desativada e ausência populacional desde 2005, tornando-se referência científica e turística sobre extremos naturais globais

A cidade de Dallol, na Depressão de Afar, Etiópia, a 130 metros abaixo do nível do mar, com média anual de 34,6 °C entre 1960 e 1966, recorde de 49 °C e produção mineral de 51.000 toneladas métricas, consolida-se como limite histórico da ocupação humana.

Dallol, no norte da Etiópia, tornou-se referência global por registrar a maior temperatura média anual já medida em área habitada, situar-se 130 metros abaixo do nível do mar e reunir histórico econômico, climático e geológico extremo na região de Afar.

Localizada na região de Afar, dentro da Depressão de Afar, a cidade fantasma está inserida em uma das áreas mais ativas geologicamente do planeta, marcada por vulcanismo, salares extensos e condições ambientais severas.

As coordenadas 14°14′19″N e 40°17′38″E posicionam a antiga vila no distrito de Dallol, em zona de difícil acesso e submetida a calor persistente durante todo o ano.

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Desde 2005, não existe estimativa populacional oficial para a localidade, conforme registros da Agência Central de Estatística da Etiópia, o que reforça sua classificação administrativa como cidade fantasma.

O abandono prolongado está diretamente ligado às condições climáticas excepcionais, que impõem limites fisiológicos à permanência humana contínua e inviabilizam a formação de núcleos urbanos estáveis.

Entre 1960 e 1966, Dallol registrou média anual de 34,6 °C, consolidando o maior valor já documentado para uma área habitada em medições climatológicas reconhecidas.

As temperaturas médias máximas superam 41 °C, enquanto, em determinados meses, os valores médios máximos alcançam 46,7 °C, ampliando o estresse térmico ao longo do ano.

O recorde absoluto de 49 °C foi registrado no local, evidenciando um regime térmico extremo, sem resfriamento noturno significativo e com variações diárias muito limitadas.

Além do calor, a região apresenta aridez intensa, com raríssimos dias de chuva ao longo do ano e praticamente nenhuma reposição hídrica superficial.

Clima extremo e limites ambientais

A condição de altitude negativa, associada à posição tropical e à proximidade do Mar Vermelho, intensifica a retenção de calor e agrava o caráter hiperárido da área.

Durante o inverno, a influência marítima eleva ainda mais as temperaturas médias, mantendo Dallol entre os ambientes mais quentes permanentemente monitorados no planeta.

Esses fatores combinados transformaram a vila em símbolo dos limites físicos da ocupação humana em cenários naturais extremos.

Apesar do ambiente hostil, Dallol desempenhou papel econômico relevante no início do século XX, impulsionada pela exploração mineral em escala industrial.

A extração de sal e potássio estruturou a ocupação temporária, atraindo investimentos e infraestrutura logística em uma região até então isolada.

Entre 1917 e 1918, foi construída uma ferrovia de bitola estreita ligando o porto de Mersa Fatma, na atual Eritreia, a um ponto situado a cerca de 28 quilômetros de Dallol.

A ferrovia permitia o transporte do sal até o litoral, viabilizando a operação contínua das áreas de extração mineral no interior da Depressão de Afar.

Nesse período, a produção de potássio alcançou aproximadamente 51.000 toneladas métricas, inserindo Dallol no mercado internacional de minerais industriais.

O declínio ocorreu após a Primeira Guerra Mundial, quando grandes produtores globais passaram a dominar o fornecimento de potássio em escala competitiva.

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A cidade fantasma: exploração mineral e abandono progressivo

Tentativas de retomada da atividade ocorreram entre 1920 e 1941, incluindo operações conduzidas por uma empresa italiana especializada na extração mineral.

Nesse intervalo, foram extraídas cerca de 25.000 toneladas de silvita, sem que a produção alcançasse estabilidade econômica duradoura.

Após a Segunda Guerra Mundial, a ferrovia foi desmontada pela administração britânica, encerrando definitivamente a principal infraestrutura industrial da região.

Com o fim da logística ferroviária, Dallol perdeu sua função econômica central e entrou em um processo gradual de esvaziamento humano.

Nas décadas seguintes, a área permaneceu restrita a atividades pontuais, como extração artesanal de sal e levantamentos científicos esporádicos.

Nos anos 1960, uma empresa norte-americana realizou milhares de perfurações exploratórias, buscando viabilidade econômica para novos empreendimentos minerais.

Apesar do esforço técnico, nenhuma operação permanente foi estabelecida, mantendo a localidade sem atividade produtiva contínua.

Atualmente, a cidade fantasma de Dallol não possui população fixa, sendo visitada apenas por pesquisadores, turistas de aventura e caravanas de camelos conduzidas por povos afar.

Desde 2015, estradas pavimentadas facilitaram o acessoa até áreas próximas, embora o deslocamento final ainda exija veículos off-road e planejamento rigoroso.

O que permanece visível são construções de blocos de sal, estruturas corroídas e um sistema hidrotermal ativo, com fumarolas e terraços minerais multicoloridos, preservando a memória de uma ocupação levada ao limite ambiental.

Com informações de Wikipedea.

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Claudia Oliveira
Claudia Oliveira
22/12/2025 09:05

Brasil hoje tem lugares com está temperatura, e de forma recorrente. Caminhamos para a desertificação, gradativamente, área por área, nada que conteste o fato!

Carlos Alberto
Carlos Alberto
18/12/2025 20:53

Sera que esse povo faz pesquisa meteorológica em Cuiaba? Não é possível que lá ganhe daqui em calor aqui ja chegou a fazer 44graus as 8:30 da noite.

Cesar Augusto Felber
Cesar Augusto Felber
Em resposta a  Carlos Alberto
21/12/2025 20:51

Carlos Alberto, eu morei em Porto Velho – RO e presenciei temperaturas de 45°C de noite, ligar o ventilador dava a sensação térmica de abrir o forno do fogão. A única solução para dormir era deitar no azulejo ou usar ar condicionado se você tivesse. Na época 1989, era um luxo de poucos.

José Alberto Carneiro Santos
José Alberto Carneiro Santos
18/12/2025 04:12

Local ideal para usina solar!

Marcelo Rodrigues de Castro
Marcelo Rodrigues de Castro
Em resposta a  José Alberto Carneiro Santos
18/12/2025 08:01

Calor ambiente não é útil à produção de energia solar. Uma usina solar montada em montanha de clima ameno produzirá mais energia, já que a camada de atmosfera a ser atravessada pelos raios solares será mais fina.

Romário Pereira de Carvalho

Já publiquei milhares de matérias em portais reconhecidos, sempre com foco em conteúdo informativo, direto e com valor para o leitor. Fique à vontade para enviar sugestões ou perguntas

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