Um projeto de US$ 25 bilhões transforma o litoral da China em uma cidade flutuante com arquitetura futurista, luzes brilhantes e estruturas que parecem desafiar a gravidade
A China é conhecida por transformar ideias grandiosas em realidade, e poucas obras representam isso tão bem quanto Ocean Flower Island, um complexo de ilhas artificiais construído no litoral de Hainan, que prometia ser a “Dubai Oriental”. O projeto, idealizado pelo bilionário chinês Su Shulin, começou em 2012 e custou mais de 25 bilhões de dólares, tornando-se uma das maiores obras urbanas sobre o mar já realizadas na Ásia.
Com design inspirado em uma flor de três pétalas vista do espaço, a ilha foi concebida para abrigar resorts, parques temáticos, centros de convenções, museus, marinas e condomínios de luxo. Localizada em Danzhou, na costa norte de Hainan, Ocean Flower Island cobre uma área de 381 hectares e foi inteiramente construída sobre aterros artificiais.
Uma “flor” tecnológica sobre o oceano

A engenharia por trás da Ocean Flower Island é tão ousada quanto seu conceito visual. Cada uma das três ilhas foi interligada por pontes e equipada com sistemas subterrâneos de drenagem, fundações profundas e barreiras marítimas capazes de resistir a tufões e elevações do nível do mar.
-
Megaestádio de R$ 2,5 bilhões financiado pela China fecha estrutura metálica perimetral a 40 metros do solo em El Salvador, com arquibancadas e sistemas internos avançando em paralelo rumo à entrega em 2027
-
Incomodada com milhões de tijolos descartados todos os anos na Noruega, empresa corta peças velhas em fatias finas, prende com sistema metálico e transforma demolição em fachada nova de 1.800 m²
-
Taiwan ergue muralha marítima de 4 km no Porto de Taipei, instala caixões de concreto contra ondas de até 7 metros e transforma sedimentos dragados em nova terra para expandir um dos portos mais estratégicos da ilha
-
Enquanto bitucas de cigarro aparecem em calçadas, praias e bueiros, pesquisadores testaram o lixo em tijolos de argila e calcularam economia de 10% na queima com apenas 1% na mistura
De acordo com a China State Construction Engineering Corporation, responsável pela maior parte das obras, foram usados mais de 65 milhões de metros cúbicos de areia e rocha para formar as bases do arquipélago. A construção exigiu o uso de plataformas de dragagem automatizadas e sensores de monitoramento geotécnico para garantir estabilidade em solos marinhos de baixa densidade.
O resultado é uma paisagem que mistura arquitetura futurista e exuberância turística, com edifícios que se iluminam à noite formando uma verdadeira cidade flutuante sobre o oceano.
Luxo, turismo e controvérsias ambientais
Quando inaugurada parcialmente em 2020, Ocean Flower Island foi apresentada como um novo polo internacional de turismo e negócios. A meta era atrair mais de 10 milhões de visitantes por ano e transformar Hainan, já conhecida por seu clima tropical, em um destino comparável a Dubai e Singapura.
No entanto, o projeto também foi alvo de controvérsias. Em 2021, autoridades ambientais da China ordenaram a suspensão de parte das operações após constatarem danos a recifes de coral e alterações nas correntes marítimas locais. Algumas seções foram demolidas e outras passaram por revisão de licenciamento.

Foto: VCG / Getty Images – Reprodução editorial.
Apesar das restrições, a ilha continua sendo uma das maiores obras de engenharia marítima do mundo e um símbolo da capacidade chinesa de expandir suas fronteiras urbanas para dentro do mar.
O destino incerto da “Dubai Oriental”
Após a prisão do magnata Su Shulin por corrupção, o grupo Evergrande, que assumiu parte do projeto, enfrentou a crise imobiliária mais grave da história da China. Isso afetou diretamente a Ocean Flower Island, que chegou a ter imóveis de luxo encalhados e atrações turísticas com baixa ocupação.
Mesmo assim, o governo local de Hainan tenta revitalizar o complexo, oferecendo incentivos para empresas de turismo, convenções e entretenimento de alto padrão. Recentemente, a ilha foi reaberta com novos hotéis e um museu marítimo interativo, mantendo viva a ambição de transformá-la em um centro global de lazer e negócios.

Foto: Imaginechina / VCG – Reprodução editorial
A ilha artificial permanece como uma das imagens mais emblemáticas da capacidade humana de criar cidades onde antes só existia o mar, e talvez também um lembrete de que todo sonho monumental tem um preço.
Você visitaria a Ocean Flower Island? Acredita que cidades artificiais como essa são o futuro ou apenas símbolos de luxo passageiro? Deixe sua opinião nos comentários e participe da discussão sobre o futuro urbano da China.

Queria fazer aqui uma correção,na verdade o Projeto Líbio foi orçado em trinta e cinco bilhõese não como citei, porém em relação custo/ benefício o Líbio é de longe mais proveitoso…
A história da humanidade é repleta de obras monumentais,de civilizações passadas,logo nos dias atuais não podemos ignorar que muitas delas virão,coloca-las como necessárias.. talvez seja uma dúvida,isto é; há no mundo tantas necessidades básicas que propagadas irão certamente ofusca-las, não muito longe o governo Líbia faz uma obra capaz de transformar um País,gastando um milésimo do custo dessa obra,o que falta nossa sociedade é um mínimo no pensar ao próximo, daí talvez teríamos mais água e comida em vez de obras monumentais..
Apenas ostentação. Se o planeta não comporta o aumento populacional absurdo, vamos tirar terra de um lugar e mudar para outro, com imensuráveis danos ambientais, gastando milhões que poderiam melhorar a vida de milhares de pessoas, apenas para mostrar: olhem o nosso poder, o que podemos fazer… Admiro a China, mas não dá para fazer uma análise imparcial de um projeto como esse…