Projeto chinês em Chongqing usa radares integrados para observar asteroides, Lua e outros corpos celestes a grandes distâncias, em uma estrutura comparada aos olhos compostos dos insetos e ligada aos esforços de defesa planetária contra objetos próximos da Terra.
A China desenvolve em Chongqing, no sudoeste do país, uma instalação de observação espacial conhecida como China Compound Eye, ou China Fuyan, voltada ao monitoramento de asteroides, da Lua e de outros corpos celestes.
A iniciativa utiliza uma rede de radares distribuídos, em vez de um único telescópio, para formar imagens e medir objetos distantes por meio da emissão de sinais de rádio e da análise do retorno desses sinais.
Segundo a agência estatal Xinhua, a estrutura é conduzida pelo Centro de Inovação de Chongqing, ligado ao Instituto de Tecnologia de Pequim, e integra os esforços chineses de defesa planetária contra asteroides próximos da Terra.
-
Um supercomputador prevê quem ganhará a Copa do Mundo e qual jogador levará a Bota de Ouro, mas a projeção deixa o Brasil longe do protagonismo esperado
-
Carros elétricos da GM podem virar “baterias gigantes” para aliviar a rede elétrica enquanto data centers de IA elevam consumo; plano envolve 250 mil veículos bidirecionais, baterias reutilizadas e nova química de sódio para armazenamento industrial
-
Nova tecnologia de dessalinização transforma água do mar em potável, evita salmoura poluente e ainda recupera sais e minerais
-
Rússia coloca no gelo plataforma científica autopropulsada de 10 mil toneladas capaz de derivar por até 2 anos no Ártico, operar a -50 °C, abrigar 48 pessoas e substituir antigas bases soviéticas
Esse tipo de monitoramento depende de dados sobre órbita, distância, forma e movimento dos objetos observados, informações usadas em estudos de trajetória e em avaliações relacionadas a corpos que se aproximam do planeta.
Como funciona o China Compound Eye
O China Compound Eye opera como um radar ativo de espaço profundo, com emissão de ondas de rádio em direção a um alvo e registro do sinal refletido depois do contato com o objeto observado.
A partir desse retorno, o sistema pode estimar características físicas e dinâmicas de corpos que não emitem luz própria ou radiação detectável de maneira suficiente por instrumentos astronômicos passivos.
Esse funcionamento diferencia o projeto de radiotelescópios como o FAST, também construído na China, que capta sinais vindos de estrelas e de outros objetos astronômicos sem emitir pulsos em direção aos alvos.

No caso do radar instalado em Chongqing, os sinais são enviados ao espaço e analisados após o retorno, procedimento usado em observações de objetos como asteroides, superfícies planetárias e regiões lunares.
A denominação “olho composto” está ligada à configuração em rede do projeto, formada por vários radares que trabalham de maneira coordenada para ampliar a área e a capacidade de observação.
Long Teng, acadêmico da Academia Chinesa de Engenharia e presidente do Instituto de Tecnologia de Pequim, comparou o conjunto aos olhos compostos dos insetos, formados por múltiplas unidades de visão.
Segunda fase prevê 25 radares em Chongqing
A segunda fase do projeto começou em fevereiro de 2023 e prevê a construção de 25 radares de alta resolução, cada um com abertura de 30 metros, em uma área de mais de 300 mu, equivalente a cerca de 20 hectares.
De acordo com informações divulgadas por veículos estatais chineses, a conclusão dessa etapa foi prevista para 2025, como parte da expansão da capacidade do sistema de observação em Chongqing.
Quando operam de forma integrada, essas antenas funcionam como partes de um instrumento maior, combinando os sinais coletados por diferentes unidades para ampliar a sensibilidade das medições.
A combinação dos radares permite acompanhar objetos distantes com maior quantidade de dados do que equipamentos isolados, desde que as etapas de integração, calibração e processamento operem conforme o planejamento técnico.
Antes da expansão, a primeira fase havia sido concluída em dezembro de 2022, com quatro radares de 16 metros de diâmetro usados para verificar a viabilidade da tecnologia.
Essa etapa produziu uma imagem tridimensional de crateras lunares obtida por radar terrestre, resultado apresentado por fontes chinesas como demonstração inicial da capacidade do sistema.
Alcance planejado chega a 150 milhões de quilômetros

Na configuração final anunciada por fontes estatais chinesas, a terceira fase deve elevar o conjunto para mais de 100 radares, ampliando a escala da rede em relação às etapas anteriores.
A expectativa divulgada pela Xinhua e por veículos chineses é que o sistema consiga observar asteroides em uma faixa de até 150 milhões de quilômetros da Terra, distância equivalente à escala de uma unidade astronômica.
Além de apoiar a identificação de possíveis ameaças, a instalação deve fornecer dados para pesquisas de ciência planetária e para estudos sobre impactos de asteroides próximos da Terra.
Segundo o China Daily, as medições feitas pelo sistema podem contribuir para avaliar trajetória, rotação, composição e alterações orbitais de corpos celestes em determinadas condições de observação.
Asteroides pequenos podem ser mais difíceis de identificar com antecedência porque muitos refletem pouca luz e não emitem sinais próprios detectáveis por radiotelescópios passivos.
Por esse motivo, radares ativos são usados como complemento às observações ópticas, principalmente quando há necessidade de reduzir incertezas em cálculos orbitais e medições de distância.
Ciência planetária e defesa contra asteroides
Além da defesa planetária, o China Compound Eye deve contribuir para estudos sobre a Lua, planetas rochosos e outros corpos do Sistema Solar, conforme as finalidades divulgadas para o projeto.
Imagens de radar podem registrar relevo, estrutura de superfície e outros detalhes físicos que nem sempre aparecem da mesma forma em observações ópticas, sobretudo em condições de iluminação limitada.
A construção também se insere na ampliação da infraestrutura terrestre chinesa voltada à observação de espaço profundo, área que apoia missões científicas, estudos astronômicos e sistemas de acompanhamento de objetos próximos da Terra.
Ao operar a partir do solo, a rede de radares pode produzir medições contínuas de alvos selecionados, sem depender do lançamento de uma nave específica para cada observação planejada.
A China mantém programas espaciais com missões lunares, sondas interplanetárias e uma estação orbital própria, e o radar de Chongqing acrescenta uma estrutura terrestre a esse conjunto de iniciativas.
Nessa configuração, o projeto reúne engenharia de comunicação, astronomia e processamento de sinais para transformar retornos de rádio em dados sobre corpos que se movem a grandes distâncias da Terra.
Embora a instalação seja apresentada como uma iniciativa científica e de defesa planetária, as informações públicas disponíveis se concentram em etapas de construção, objetivos técnicos e resultados iniciais.
Até o momento, não há confirmação pública ampla e independente sobre o desempenho operacional completo da configuração final com mais de 100 radares.
O avanço do China Fuyan mostra que parte da observação do espaço profundo também pode ocorrer por meio de estruturas fixas em solo, formadas por antenas integradas e sistemas de medição por radar.
Em vez de funcionar como um telescópio óptico convencional, o sistema usa ecos de rádio para gerar dados mensuráveis sobre corpos celestes localizados a milhões de quilômetros da Terra.


Seja o primeiro a reagir!