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A Bacia de Campos produziu 741 mil barris por dia em 2025 e cresceu 11% nos sete primeiros meses de 2026, segundo o anuário que a Firjan lançou em Macaé

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 04/09/2026 às 18:20 Atualizado em 04/09/2026 às 18:27
A Bacia de Campos produziu 741 mil barris por dia em 2025 e cresceu 11% nos sete primeiros meses de 2026, segundo o anuá
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A Bacia de Campos fechou 2025 com 741 mil barris de petróleo por dia e acelerou ainda mais em 2026, com alta de 11% nos sete primeiros meses do ano, números que a Firjan levou a Macaé no lançamento do recorte Norte Fluminense da 11ª edição do Anuário do Petróleo no Rio.

O evento aconteceu em 3 de setembro, na cidade que virou sinônimo de operação offshore no Brasil. A escolha do lugar não é acaso, e o recorte regional da publicação existe justamente para separar o que acontece no Norte Fluminense do agregado estadual.

De acordo com o material apresentado pela Firjan SENAI SESI, a produção da bacia cresceu 9% de 2024 para 2025. O ritmo, portanto, não é recuperação pontual: é uma curva que virou para cima e se manteve.

Uma bacia que já foi dada como madura demais

Para entender o tamanho desses 741 mil barris por dia, é preciso lembrar como a conversa sobre a Bacia de Campos vinha sendo conduzida. Na última década, com a chegada do pré-sal de Santos, a região passou a ser tratada como província em declínio. Falava-se em campos maduros e plataformas no fim da vida útil.

Essa leitura tinha base real. Muitos campos de Campos entraram em produção nos anos 1980 e 1990 e chegaram ao ponto em que cada barril adicional custa mais caro do que custava no começo.

O que mudou foi quem opera e como se opera. Ativos considerados não estratégicos pela operadora principal foram vendidos a empresas independentes. Elas assumiram o campo com estrutura enxuta e foco em revitalização. Ao mesmo tempo, projetos de recuperação avançada devolveram fôlego a reservatórios que pareciam encerrados.

A Bacia de Campos produziu 741 mil barris por dia em 2025 e cresceu 11% nos sete primeiros — imagem 1

Segundo os dados do anuário, o Rio de Janeiro responde por mais de 75% da produção nacional. Ou seja, mesmo com todo o deslocamento do eixo para a Bacia de Santos, o estado continua sendo o lugar de onde sai a maior parte do petróleo brasileiro.

O Norte Fluminense cresce, só que em outro compasso

O recorte regional traz um contraste que vale observar. Enquanto a bacia inteira cresceu 9% entre 2024 e 2025, o Norte Fluminense cresceu 4% no mesmo período.

Em 2026 a distância se manteve na mesma proporção. A bacia avançou 11% nos sete primeiros meses do ano, e o Norte Fluminense avançou 5%.

Crescer menos que a média não é má notícia por si só. Ainda assim, explica bem o clima na região. Macaé e os municípios vizinhos construíram uma economia inteira em torno da operação offshore: base de apoio, oficina, tripulação, hotelaria e serviço especializado.

A Bacia de Campos produziu 741 mil barris por dia em 2025 e cresceu 11% nos sete primeiros — imagem 2

Quando a produção migra para campos operados a partir de outras bases logísticas, o barril continua saindo do mar. Parte do emprego e da contratação de serviço, porém, vai para outro lugar. Dessa forma, produção alta e economia local aquecida deixam de ser a mesma coisa.

É essa distinção que um anuário regional consegue mostrar e que o número agregado esconde. Por isso a Firjan separa o recorte: quem toma decisão em Macaé precisa saber se o crescimento da bacia está chegando ali ou passando ao largo.

Quem estava na mesa em Macaé

O lançamento reuniu poder público, indústria e planejamento energético. Participaram o prefeito de Macaé, Welberth Rezende, a gerente geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso, e o analista de Pesquisa Energética da EPE, Carlos Augusto Pacheco.

A presença da EPE dá o tom do que se discute nesse tipo de encontro. A empresa é o braço de planejamento do setor energético, e é dela que sai a projeção de longo prazo que orienta investimento em infraestrutura e formação de mão de obra.

Esse último ponto costuma ser o mais concreto para a cidade. Formação técnica leva anos, e uma escola só abre turma de soldador, técnico em automação ou operador de sonda se houver previsão de demanda que justifique o curso.

Quando a projeção erra, o custo aparece de dois jeitos. Ou a região forma profissional que não encontra vaga, ou a operadora chega com o projeto pronto e não acha gente qualificada na porta, precisando importar mão de obra de outro estado.

Por isso o número setorial confiável vale tanto para o prefeito quanto para a indústria. Ele é o que separa o planejamento do palpite, e o Norte Fluminense já viveu ciclos suficientes de alta e baixa para saber a diferença entre os dois.

Vale registrar também o que o anuário não resolve. Produção medida em barris não diz quanto daquilo se converteu em contrato local, salário pago na região ou imposto recolhido no município, e essa é a conta que Macaé realmente quer ver.

A Bacia de Campos produziu 741 mil barris por dia em 2025 e cresceu 11% nos sete primeiros — imagem 3

Publicação regional de setor costuma ser tratada como peça institucional, e às vezes é. Contudo, quando ela traz série histórica confiável, vira o único instrumento que uma prefeitura tem para negociar com base em dado, e não em impressão.

Olhando assim, a 11ª edição chega num momento incomum. A Bacia de Campos está produzindo mais do que produzia, contrariando quem já a tinha aposentado, e ao mesmo tempo a região que a serve historicamente cresce em ritmo mais lento que o mar à sua frente.

Convém lembrar ainda que os dados de 2026 cobrem apenas sete meses. A comparação com o ano fechado de 2025 serve como sinal de tendência, não como resultado consolidado. O segundo semestre pode alterar a inclinação em qualquer direção, conforme entrem ou saiam unidades de produção.

Os dois fatos convivem, e é justamente essa convivência que o recorte Norte Fluminense coloca no papel. Para 2027, o número a acompanhar não será o da produção total: será o da distância entre as duas curvas.

Você trabalha ou já trabalhou em Macaé? A cidade sentiu essa retomada da produção ou ela passou longe?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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