A Bacia de Campos fechou 2025 com 741 mil barris de petróleo por dia e acelerou ainda mais em 2026, com alta de 11% nos sete primeiros meses do ano, números que a Firjan levou a Macaé no lançamento do recorte Norte Fluminense da 11ª edição do Anuário do Petróleo no Rio.
O evento aconteceu em 3 de setembro, na cidade que virou sinônimo de operação offshore no Brasil. A escolha do lugar não é acaso, e o recorte regional da publicação existe justamente para separar o que acontece no Norte Fluminense do agregado estadual.
De acordo com o material apresentado pela Firjan SENAI SESI, a produção da bacia cresceu 9% de 2024 para 2025. O ritmo, portanto, não é recuperação pontual: é uma curva que virou para cima e se manteve.
Uma bacia que já foi dada como madura demais
Para entender o tamanho desses 741 mil barris por dia, é preciso lembrar como a conversa sobre a Bacia de Campos vinha sendo conduzida. Na última década, com a chegada do pré-sal de Santos, a região passou a ser tratada como província em declínio. Falava-se em campos maduros e plataformas no fim da vida útil.
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Essa leitura tinha base real. Muitos campos de Campos entraram em produção nos anos 1980 e 1990 e chegaram ao ponto em que cada barril adicional custa mais caro do que custava no começo.
O que mudou foi quem opera e como se opera. Ativos considerados não estratégicos pela operadora principal foram vendidos a empresas independentes. Elas assumiram o campo com estrutura enxuta e foco em revitalização. Ao mesmo tempo, projetos de recuperação avançada devolveram fôlego a reservatórios que pareciam encerrados.

Segundo os dados do anuário, o Rio de Janeiro responde por mais de 75% da produção nacional. Ou seja, mesmo com todo o deslocamento do eixo para a Bacia de Santos, o estado continua sendo o lugar de onde sai a maior parte do petróleo brasileiro.
O Norte Fluminense cresce, só que em outro compasso
O recorte regional traz um contraste que vale observar. Enquanto a bacia inteira cresceu 9% entre 2024 e 2025, o Norte Fluminense cresceu 4% no mesmo período.
Em 2026 a distância se manteve na mesma proporção. A bacia avançou 11% nos sete primeiros meses do ano, e o Norte Fluminense avançou 5%.
Crescer menos que a média não é má notícia por si só. Ainda assim, explica bem o clima na região. Macaé e os municípios vizinhos construíram uma economia inteira em torno da operação offshore: base de apoio, oficina, tripulação, hotelaria e serviço especializado.

Quando a produção migra para campos operados a partir de outras bases logísticas, o barril continua saindo do mar. Parte do emprego e da contratação de serviço, porém, vai para outro lugar. Dessa forma, produção alta e economia local aquecida deixam de ser a mesma coisa.
É essa distinção que um anuário regional consegue mostrar e que o número agregado esconde. Por isso a Firjan separa o recorte: quem toma decisão em Macaé precisa saber se o crescimento da bacia está chegando ali ou passando ao largo.
Quem estava na mesa em Macaé
O lançamento reuniu poder público, indústria e planejamento energético. Participaram o prefeito de Macaé, Welberth Rezende, a gerente geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso, e o analista de Pesquisa Energética da EPE, Carlos Augusto Pacheco.
A presença da EPE dá o tom do que se discute nesse tipo de encontro. A empresa é o braço de planejamento do setor energético, e é dela que sai a projeção de longo prazo que orienta investimento em infraestrutura e formação de mão de obra.
Esse último ponto costuma ser o mais concreto para a cidade. Formação técnica leva anos, e uma escola só abre turma de soldador, técnico em automação ou operador de sonda se houver previsão de demanda que justifique o curso.
Quando a projeção erra, o custo aparece de dois jeitos. Ou a região forma profissional que não encontra vaga, ou a operadora chega com o projeto pronto e não acha gente qualificada na porta, precisando importar mão de obra de outro estado.
Por isso o número setorial confiável vale tanto para o prefeito quanto para a indústria. Ele é o que separa o planejamento do palpite, e o Norte Fluminense já viveu ciclos suficientes de alta e baixa para saber a diferença entre os dois.
Vale registrar também o que o anuário não resolve. Produção medida em barris não diz quanto daquilo se converteu em contrato local, salário pago na região ou imposto recolhido no município, e essa é a conta que Macaé realmente quer ver.

Publicação regional de setor costuma ser tratada como peça institucional, e às vezes é. Contudo, quando ela traz série histórica confiável, vira o único instrumento que uma prefeitura tem para negociar com base em dado, e não em impressão.
Olhando assim, a 11ª edição chega num momento incomum. A Bacia de Campos está produzindo mais do que produzia, contrariando quem já a tinha aposentado, e ao mesmo tempo a região que a serve historicamente cresce em ritmo mais lento que o mar à sua frente.
Convém lembrar ainda que os dados de 2026 cobrem apenas sete meses. A comparação com o ano fechado de 2025 serve como sinal de tendência, não como resultado consolidado. O segundo semestre pode alterar a inclinação em qualquer direção, conforme entrem ou saiam unidades de produção.
Os dois fatos convivem, e é justamente essa convivência que o recorte Norte Fluminense coloca no papel. Para 2027, o número a acompanhar não será o da produção total: será o da distância entre as duas curvas.
Você trabalha ou já trabalhou em Macaé? A cidade sentiu essa retomada da produção ou ela passou longe?
