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A americana Cerebras faz o contrário de toda a indústria e transforma um disco inteiro de silício no maior chip do mundo, do tamanho de um prato, com 4 trilhões de transistores e 900 mil núcleos para treinar inteligência artificial

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 02/07/2026 às 13:42 Atualizado em 02/07/2026 às 13:44
Maior chip do mundo: a Cerebras mantém o wafer inteiro e faz um processador do tamanho de um prato, com 4 trilhões de transistores para inteligência artificial
Maior chip do mundo: a Cerebras mantém o wafer inteiro e faz um processador do tamanho de um prato, com 4 trilhões de transistores para inteligência artificial
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Enquanto Nvidia, Intel e AMD recortam um wafer em centenas de chips minúsculos, a Cerebras mantém a bolacha inteira e cria um processador gigante feito para uma só coisa: rodar inteligência artificial em velocidade recorde

O maior chip do mundo não cabe na ponta de um dedo, ele tem o tamanho de um prato de jantar. A empresa americana Cerebras faz exatamente o oposto do resto da indústria de semicondutores: em vez de cortar o disco de silício em centenas de chips pequenos, ela mantém o wafer inteiro e transforma tudo num único processador colossal, o Wafer Scale Engine, criado para treinar inteligência artificial.

Como um chip pode ser tão grande assim? Porque a Cerebras decidiu não fatiar o wafer, aquele disco redondo de silício de onde saem os chips. Manter a bolacha inteira era considerado quase impossível por causa de defeitos de fabricação, mas a empresa encontrou um jeito de fazer funcionar, e o resultado é um processador com uma potência que nenhum chip tradicional alcança.

O chip que ocupa um disco inteiro de silício

O tamanho é o primeiro choque. Segundo a IEEE Spectrum, o Wafer Scale Engine de terceira geração, o WSE-3, é quadrado com 21,5 centímetros de lado e usa quase um wafer inteiro de 300 milímetros de silício para formar um único chip, algo em torno de 46 mil milímetros quadrados de área.

A comparação com a concorrência escancara a diferença. Segundo a IEEE Spectrum, os fabricantes tradicionais costumam se limitar a chips de no máximo cerca de 800 milímetros quadrados, ou seja, o maior chip do mundo da Cerebras é dezenas de vezes maior que um processador comum. É como escolher entre servir um bolo em fatias ou levar o bolo inteiro para a mesa, e a Cerebras levou o bolo inteiro.

4 trilhões de transistores num só pedaço

Close do wafer de silício da Cerebras, um único chip gigante coberto por bilhões de circuitos.
Close do wafer de silício da Cerebras, um único chip gigante coberto por bilhões de circuitos.

Os números do WSE-3 são de tirar o fôlego. Segundo a Interesting Engineering, o chip reúne 4 trilhões de transistores e 900 mil núcleos otimizados para processar inteligência artificial, tudo num único bloco de silício fabricado pela TSMC na tecnologia de 5 nanômetros.

Guardar tudo isso dentro de um só chip traz um ganho enorme. Segundo a IEEE Spectrum, o processador ainda embute 44 gigabytes de memória no próprio chip, o que evita o vaivém lento de dados que trava os sistemas comuns. Ter memória e processamento no mesmo pedaço de silício é o que dá a velocidade extra, porque a informação não precisa viajar para fora do chip a cada cálculo.

Por que todo mundo corta o wafer, menos a Cerebras

A aposta da Cerebras vai contra décadas de prática da indústria. Todo fabricante de chip parte do mesmo wafer de silício, um disco redondo, e o recorta em centenas de pedacinhos, porque quanto menor o chip, menor a chance de um defeito microscópico estragar a peça inteira. Manter o wafer inteiro sempre foi visto como receita para o desperdício.

O truque foi projetar o chip para conviver com falhas em vez de fugir delas. Ao criar caminhos e núcleos reserva que contornam qualquer defeito, a empresa conseguiu manter a bolacha inteira funcionando mesmo que uma parte dela saia com problema. Transformar o maior inimigo da fabricação, o defeito, em algo administrável foi a virada de chave que tornou o gigante possível.

O maior chip do mundo é 57 vezes maior que a maior GPU da Nvidia

Servidor com o sistema CS-3, onde o chip gigante da Cerebras roda cargas de inteligência artificial.
Servidor com o sistema CS-3, onde o chip gigante da Cerebras roda cargas de inteligência artificial.

A referência do mercado hoje são as GPUs, e é contra elas que a Cerebras mede força. Segundo a Interesting Engineering, o WSE-3 é cerca de 57 vezes maior que a H200, a potente GPU da Nvidia usada para treinar inteligência artificial no mundo todo.

E tamanho, aqui, vira desempenho de verdade. Segundo a Interesting Engineering, o chip consegue tratar um modelo com até 24 trilhões de parâmetros num único espaço de memória, algo que exigiria juntar e sincronizar milhares de GPUs. Segundo a IEEE Spectrum, o WSE-3 ainda dobra o desempenho da geração anterior consumindo a mesma energia. Fazer mais gastando o mesmo é o santo graal num setor em que a conta de luz da IA não para de subir.

Menos código e mais velocidade para a IA

Não é só potência bruta, é também facilidade. Segundo a Interesting Engineering, rodar um modelo de linguagem no chip da Cerebras exige cerca de 97% menos código do que fazer o mesmo numa GPU, e um modelo do tamanho do GPT-3 coube em apenas 565 linhas de programação.

Essa simplicidade economiza tempo e dinheiro dos pesquisadores. Segundo a Interesting Engineering, o sistema consegue treinar um modelo de 70 bilhões de parâmetros em um único dia, uma velocidade que muda a rotina de quem desenvolve inteligência artificial. Cortar meses de trabalho para um dia é o tipo de salto que decide quem chega primeiro na corrida dos modelos de IA.

Quem usa o monstro, da Mayo Clinic à G42

Um chip desse porte não é brinquedo de laboratório, já tem clientes de peso. Segundo a Interesting Engineering, o supercomputador CS-3, montado com esses chips, é usado por instituições como o Argonne National Laboratory, a clínica americana Mayo Clinic e a empresa G42, dos Emirados Árabes.

Cada um usa a potência de um jeito. A Mayo Clinic aplica a inteligência artificial em pesquisa médica, o Argonne em ciência pesada, e a G42 em modelos de linguagem em árabe, mostrando que o apetite por processamento de IA cruza saúde, ciência e idioma. Quando hospital, laboratório nacional e fundo bilionário disputam o mesmo chip de IA, é sinal de que a fome por inteligência artificial virou global.

Quem está por trás da aposta

À frente da Cerebras Systems, sediada na Califórnia, está Andrew Feldman, cofundador e presidente-executivo, que apostou numa ideia que muitos consideravam maluca: fazer o maior chip possível em vez do menor. A empresa vem melhorando o gigante a cada geração, do WSE-1, de 2019, ao WSE-3 atual.

A trajetória mostra persistência numa tese contra a corrente. Enquanto o mundo inteiro perseguia chips cada vez menores, a Cerebras foi na direção oposta e transformou o exagero em vantagem. Ir contra o consenso da indústria e provar que funciona é o que separa uma aposta ousada de uma extravagância cara, e por ora a Cerebras está do lado certo dessa linha.

O que essa aposta representa

O chip gigante da Cerebras é um lembrete de que nem sempre o caminho de todo mundo é o único que dá certo. Ao manter o wafer inteiro, a empresa criou uma ferramenta especializada que ataca o maior gargalo da inteligência artificial, que é a velocidade de treinar modelos cada vez maiores. Não vai substituir a GPU em tudo, mas mostra que há mais de um jeito de resolver o problema mais caro da tecnologia atual.

E você, prefere um futuro da IA dominado por milhares de chips pequenos trabalhando juntos, ou por poucos gigantes como o da Cerebras? Conta aqui nos comentários qual aposta você acha mais promissora.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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