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A alga asiática que se multiplica em pedaços, cobre o fundo do Mediterrâneo como um “tapete morto”, sufoca a vida marinha e já provoca colapso ecológico e crise pesqueira em vários países

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 31/01/2026 às 19:20
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Alga asiática Rugulopteryx okamurae se espalha por fragmentação, forma tapetes no Mediterrâneo, sufoca a fauna marinha e já provoca crise ecológica e pesqueira.

Rugulopteryx okamurae, uma alga marrom originária do noroeste do Pacífico, tornou-se um dos maiores problemas ambientais do Mediterrâneo nas últimas décadas. Introduzida de forma acidental, provavelmente por água de lastro de navios ou por atividades ligadas à aquicultura, a espécie encontrou no litoral europeu um ambiente ideal para se expandir. O resultado é um fenômeno que cientistas já descrevem como a formação de verdadeiros “tapetes mortos” no fundo do mar, capazes de alterar ecossistemas inteiros em poucos anos.

O que torna essa alga especialmente perigosa não é apenas sua origem exótica, mas a combinação de crescimento acelerado, reprodução por fragmentação e ausência de predadores naturais eficazes no Mediterrâneo.

O que é a alga Rugulopteryx okamurae e de onde ela veio

A Rugulopteryx okamurae é uma alga marrom da família Dictyotaceae, nativa das costas do Japão, Coreia e China. Em seu ambiente original, ela faz parte de um ecossistema equilibrado, controlada por herbívoros e competindo com outras algas.

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No Mediterrâneo, porém, esse equilíbrio não existe. A espécie foi detectada pela primeira vez em larga escala na região do Estreito de Gibraltar por volta de 2015. Desde então, espalhou-se rapidamente pela costa da Espanha, norte da África, sul da França e partes da Itália.

Segundo pesquisas do CSIC (Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha), a alga encontrou condições ideais: águas relativamente quentes, substratos rochosos abundantes e baixa pressão biológica contra sua expansão.

Reprodução por fragmentação da Alga asiática Rugulopteryx: o segredo da invasão

Diferentemente de muitas algas que dependem de ciclos reprodutivos específicos, a Rugulopteryx okamurae se espalha principalmente por fragmentação. Pequenos pedaços da alga, arrancados por ondas, correntes ou atividades humanas, são suficientes para gerar novas colônias.

Esse mecanismo transforma tempestades, hélices de embarcações, redes de pesca e até mergulhadores em vetores involuntários de dispersão. Um único fragmento pode se fixar em outro ponto do litoral e, em poucas semanas, formar uma nova mancha densa.

Estudos indicam que essa estratégia permite taxas de expansão muito superiores às de algas nativas, tornando praticamente impossível conter o avanço apenas com remoção manual.

‘Tapetes mortos’: como a alga sufoca o fundo do mar

O impacto mais visível da Rugulopteryx okamurae é a formação de extensos tapetes contínuos sobre o fundo marinho. Essas camadas densas cobrem rochas, areia e recifes, bloqueando a luz e impedindo a fixação de outras algas e organismos bentônicos.

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Espécies nativas de algas, esponjas, moluscos e pequenos crustáceos simplesmente desaparecem sob essa cobertura. A perda de biodiversidade é rápida e profunda, afetando toda a cadeia alimentar.

Pesquisas publicadas pelo CSIC mostram reduções drásticas na diversidade bentônica em áreas dominadas pela alga, com efeitos diretos sobre peixes que dependem desses habitats para alimentação e reprodução.

Impacto direto na pesca artesanal e comercial

A invasão da Rugulopteryx okamurae já deixou de ser apenas um problema ambiental e se tornou uma crise socioeconômica. Pescadores relatam redes retornando do mar carregadas quase exclusivamente de algas, inviabilizando a captura de peixes e crustáceos.

Em regiões do sul da Espanha, como a Andaluzia, houve quedas significativas na produtividade pesqueira. Além disso, o custo de limpeza das redes e equipamentos aumentou, reduzindo a rentabilidade da atividade.

Em algumas praias, toneladas de algas se acumulam após tempestades, exigindo operações de retirada financiadas por governos locais. Mesmo assim, a remoção em terra não resolve o problema na origem.

Por que é tão difícil erradicar a espécie

Uma das maiores preocupações dos cientistas é que não existe atualmente uma estratégia eficaz de erradicação. A remoção mecânica pode até reduzir a biomassa local, mas também gera novos fragmentos, alimentando a dispersão.

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O uso de herbívoros naturais não é viável, pois introduzir novas espécies poderia gerar impactos ainda maiores. Métodos químicos são descartados por riscos à fauna nativa e à qualidade da água.

IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) já classifica a Rugulopteryx okamurae como uma espécie invasora de alto risco ecológico, recomendando esforços focados em monitoramento, contenção e mitigação de impactos, e não em erradicação total.

Consequências ecológicas de longo prazo

Se o avanço continuar no ritmo atual, os cientistas alertam para uma transformação estrutural dos ecossistemas costeiros do Mediterrâneo. Ambientes diversos podem ser substituídos por paisagens homogêneas dominadas pela alga.

Isso significa menos biodiversidade, menor resiliência ecológica e maior vulnerabilidade a mudanças climáticas e eventos extremos. Ecossistemas simplificados tendem a colapsar com mais facilidade diante de perturbações adicionais.

Além disso, a perda de habitats afeta não apenas espécies marinhas, mas também atividades humanas dependentes do mar, como turismo, pesca e aquicultura.

O Mediterrâneo como laboratório de invasões biológicas

O caso da Rugulopteryx okamurae reforça o papel do Mediterrâneo como um dos mares mais vulneráveis do mundo a invasões biológicas. A intensa circulação de navios, a conexão com outros mares e o aquecimento das águas criam condições perfeitas para a chegada e estabelecimento de espécies exóticas.

Cientistas veem a situação como um alerta global. O que acontece hoje no Mediterrâneo pode se repetir em outros mares semi-fechados caso medidas mais rígidas de controle de transporte marítimo e monitoramento ambiental não sejam adotadas.

A Rugulopteryx okamurae já mostrou que não é uma invasora comum. Sua capacidade de fragmentação, crescimento rápido e impacto ecológico profundo a colocam entre as espécies mais problemáticas já registradas no Mediterrâneo.

O desafio agora é aprender a conviver com a presença da alga, reduzindo danos, protegendo áreas sensíveis e evitando que o problema se agrave ainda mais. Para os cientistas, o caso serve como um lembrete claro de que, no ambiente marinho, uma introdução invisível pode gerar consequências irreversíveis.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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