A identificação de três novas espécies de peixes-caracol abissais no Pacífico oriental, coletadas entre 3.268 e 4.100 metros de profundidade com veículos tripulados e remotos, amplia o conhecimento sobre a família Liparidae, que soma 450 espécies válidas, e evidencia a dimensão ainda pouco conhecida da biodiversidade dos oceanos profundos
Três novas espécies de peixes-caracol abissais foram descritas no oceano Pacífico oriental após coletas entre 3.268 m e 4.100 m de profundidade, elevando para 450 o número de espécies válidas da família Liparidae e destacando lacunas persistentes no conhecimento da biodiversidade marinha profunda.
Família Liparidae e sua distribuição ecológica
Os peixes-caracol da família Liparidae habitam ambientes temperados a frios em diferentes bacias oceânicas. O grupo ocorre desde a zona entremarés até trincheiras hadais com mais de 6.000 m de profundidade, desempenhando papéis relevantes em múltiplos ecossistemas marinhos.
A ampla distribuição é atribuída à elevada taxa evolutiva do grupo, que permitiu adaptações a habitats variados. Em águas rasas, muitas espécies utilizam um disco de sucção ventral especializado para aderir a rochas, assumindo postura enrolada que originou o nome comum em inglês.
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Segundo os pesquisadores, a família reúne 31 gêneros aceitos e 450 espécies válidas, das quais 43 foram descritas nos últimos dez anos. Os liparídeos distinguem-se por corpos sem escamas, disco de sucção ventral derivado das nadadeiras pélvicas em vários gêneros e formas corporais alongadas.
Coleta em grandes profundidades no Pacífico oriental
Duas das novas espécies, Paraliparis em e Careproctus yanceyi, foram coletadas a 4.100 m de profundidade por meio de amostrador de sucção. As coletas ocorreram com o veículo tripulado Alvin, operado a partir do navio R/V Atlantis.
A terceira espécie, Careproctus colliculi, foi coletada a 3.268 m de profundidade utilizando um veículo operado remotamente. O ROV Doc Ricketts atuou a partir do navio R/V Western Flyer, em área localizada a menos de 100 km da costa de Monterey Bay, na Califórnia.
As amostragens em profundidades extremas evidenciam o avanço de tecnologias de exploração oceânica e a capacidade de acessar habitats antes pouco estudados. Esses ambientes continuam revelando diversidade significativa de vertebrados marinhos.
Características morfológicas das novas espécies
Para descrever as espécies, os autores utilizaram microscopia, tomografia computadorizada de microescala e medições detalhadas. Foram analisados tamanho, forma e características físicas, como número de raios das nadadeiras e vértebras, compondo diagnósticos taxonômicos precisos.
Careproctus colliculi pode ser identificado pela coloração rosa em vida, 22 raios na nadadeira peitoral, cabeça arredondada, oito raios caudais, olhos grandes e pterigióforos bem desenvolvidos que formam um disco de sucção amplo.
Careproctus yanceyi apresenta disco de sucção ventral moderado, narinas únicas e seis raios branquiostégios. A espécie distingue-se de outros peixes-caracol de águas profundas do Pacífico oriental pelo corpo totalmente preto, cabeça arredondada e boca horizontal.
Paraliparis em diferencia-se pelo corpo longo, preto e lateralmente comprimido, ausência de disco de sucção, mandíbula acentuadamente angulada, único radial peitoral, ânus posicionado anteriormente e cinco raios branquiostégios, compondo um conjunto morfológico distinto.
Análise genética e relevância taxonômica
Além da morfologia, os pesquisadores sequenciaram o DNA dos exemplares para comparações com outros peixes-caracol. Os dados genéticos permitiram posicionar as novas espécies em um contexto evolutivo mais amplo dentro da família Liparidae.
Os autores destacam que a taxonomia é essencial para compreender os organismos que compartilham o planeta e para o estudo e conservação da biodiversidade global. Os oceanos profundos abrigam diversidade expressiva e adaptações notáveis, ainda pouco conhecidas.
A descoberta foi descrita em artigo publicado na revista Ichthyology & Herpetology, reforçando que mesmo em 2025 o conhecimento sobre a vida marinha profunda permanece incompleto e dependente de exploração contínua e sistemática.

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