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A −60 °C, habitantes da Sibéria vivem sobre permafrost contínuo, mantêm carros ligados dia e noite, comem peixe cru congelado, constroem casas suspensas e enfrentam o frio mais extremo já registrado em áreas habitadas

Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 24/01/2026 às 22:40
Assista o vídeoCidade de Yakutsk construída sobre permafrost contínuo na Sibéria
Yakutsk é a maior cidade do mundo construída sobre gelo permanente
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Em uma das regiões mais hostis do planeta, cidades inteiras funcionam abaixo de −50 °C, convivem com a noite polar e revelam como humanos e animais desafiam os limites da sobrevivência

Imagine, antes de tudo, um frio tão agressivo que deixa de ser apenas uma condição climática e passa a agir como uma presença física constante. Na Sibéria, o frio não apenas incomoda. Pelo contrário, ele ataca, paralisa e pode matar. Em temperaturas que chegam a −60 °C, a física aprendida na escola parece falhar. Quando alguém joga água fervente para o alto, ela não cai como líquido. Em vez disso, explode instantaneamente em uma nuvem de cristais de gelo antes mesmo de tocar o chão.

A informação foi divulgada por conteúdos documentais do canal Planeta Vivo, que mostram, com base em registros científicos e históricos, como funciona a vida na região mais fria permanentemente habitada do planeta, segundo relatos de moradores e pesquisadores.

Além disso, o frio extremo transforma até ações simples em riscos reais. Ao tocar metal sem luvas, a pele não apenas congela. Na prática, ela pode se fundir ao aço. Até o som muda. Quando alguém respira ao ar livre, o vapor congela tão rápido que produz um ruído sutil, conhecido pelos nativos como “o sussurro das estrelas”.

Nesse cenário extremo, surge Yakutia, considerada uma das regiões mais hostis e isoladas da Terra. Enquanto boa parte do mundo reclama quando o termômetro cai abaixo de zero, ali crianças tomam sorvete a −40 °C, pois acreditam que isso ajuda a aquecer o corpo. No entanto, sobreviver nesse ambiente exige regras próprias.

A estrada dos ossos e o caminho para o coração do frio

Para chegar ao centro desse inferno congelado, existe apenas uma rota terrestre: a R504, mais conhecida como “A estrada dos ossos”. Contudo, o nome não tem nada de simbólico. Essa rodovia de aproximadamente 2.000 quilômetros foi construída durante o período mais sombrio da União Soviética, sob ordens de Joseph Stalin.

Naquele período, milhões de prisioneiros do Gulag, entre criminosos comuns, intelectuais e opositores políticos, foram enviados para quebrar o permafrost com ferramentas manuais. Eles trabalhavam sob temperaturas próximas de −50 °C, mal alimentados e vestidos com trapos. Quando alguém morria, não havia tempo nem condições de cavar covas no solo congelado. Assim, os corpos eram colocados diretamente na fundação da estrada e cobertos com cascalho.

Hoje, portanto, cada metro dessa rodovia repousa sobre um cemitério invisível. Ainda assim, ela se tornou a única artéria vital que conecta Yakutsk ao resto do mundo. Por isso, existe uma regra inegociável: nunca viajar sozinho. Se um carro quebrar e ninguém passar em até duas horas, a chance de sobrevivência despenca drasticamente.

Yakutsk, a cidade que flutua sobre gelo eterno

Ao chegar a Yakutsk, a primeira sensação não é apenas o frio, mas a cegueira. Durante boa parte do inverno, a cidade fica coberta por um nevoeiro de gelo constante. No entanto, não se trata de neblina comum. Na verdade, esse fenômeno surge da combinação da fumaça de escapamentos, fábricas e da própria respiração humana, que permanece suspensa no ar parado.

Por consequência, a visibilidade pode cair para menos de 2 metros. Mesmo assim, Yakutsk segue funcionando normalmente. Afinal, ela é a maior cidade do mundo construída sobre permafrost contínuo.

Entretanto, Yakutsk não representa o limite do frio habitado. Se seguirmos por mais dois dias para o interior, chegamos a Oimiacon, conhecido mundialmente como o polo do frio.

Oimiacon e temperaturas mais baixas que em Marte

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Em Oimiacon, o termômetro já registrou −71,2 °C, a temperatura mais baixa já medida em um local permanentemente habitado. Para efeito de comparação, esse valor é inferior à temperatura média da superfície de Marte.

Nesse ambiente, o frio dita cada detalhe da vida. A tinta das canetas congela. As baterias dos celulares morrem em segundos quando expostas ao ar. Além disso, óculos com armação metálica podem queimar a pele, deixando marcas permanentes no rosto.

Ainda assim, a rotina segue regras próprias. As escolas só suspendem as aulas quando a temperatura cai abaixo de −52 °C. Antes disso, o dia letivo acontece normalmente, reforçando o quanto o conceito de “normalidade” muda nessas regiões.

Animais forjados pelo frio extremo da Sibéria

Enquanto os humanos precisam de camadas de proteção e aquecimento constante, a vida selvagem prospera. A Sibéria abriga animais que não apenas toleram o frio, mas foram moldados por ele. O maior exemplo é o cavalo Yakut.

Apesar da aparência dócil, esses animais sobrevivem ao relento em temperaturas de −60 °C. Seu pelo é tão denso que a neve não derrete em suas costas. Além disso, durante o inverno, seu metabolismo entra em um estado de economia extrema de energia.

Ao lado deles vivem as renas, verdadeiras nômades da tundra. Curiosamente, seus olhos mudam de cor. No verão, são dourados. No inverno, tornam-se azul profundo, permitindo enxergar luz ultravioleta refletida na neve. Assim, elas localizam alimento e predadores onde humanos ficariam cegos.

Alimentação, água e a lógica invertida da sobrevivência

Da mesma forma, a alimentação humana segue regras próprias. Em Yakutsk, o mercado funciona a céu aberto a −40 °C. Não existem freezers. Afinal, a cidade inteira já é um. Peixes ficam empilhados como troncos de lenha, e o leite é vendido em blocos sólidos.

A iguaria local é a estroganina, feita com peixe cru congelado, raspado em fatias finíssimas e consumido com sal e pimenta. Ao contrário do que parece, a gordura derrete na boca e aquece o corpo por dentro, fornecendo energia essencial.

A água, por sua vez, precisa ser minerada. Durante o inverno, moradores cortam blocos de gelo azul dos rios congelados. Sempre que precisam de água, quebram um pedaço e deixam derreter dentro de casa.

Casas suspensas, aquecimento constante e o risco invisível

Por fim, a moradia representa um desafio de engenharia. Em Yakutsk, os prédios não tocam o solo. Todos ficam suspensos cerca de 2 metros acima do chão, apoiados em palafitas de concreto. O motivo é simples: o calor da construção poderia derreter o permafrost e causar o colapso das estruturas.

Além disso, o aquecimento precisa funcionar 24 horas por dia. Caso falhe, os moradores têm entre 3 e 5 horas para resolver o problema. Caso contrário, a água congela, as tubulações estouram e a casa se torna inabitável até a primavera.

Mesmo diante de tantos desafios, cerca de 33 milhões de pessoas vivem espalhadas por uma região que ocupa 77% do território da Rússia. A regra número um ali é a solidariedade. Na estrada, ninguém deixa ninguém para trás.

A Sibéria não perdoa erros. Ainda assim, para quem chama esse deserto de gelo de lar, o frio não é sofrimento. É identidade.


Você conseguiria viver em um lugar onde o frio pode matar em minutos e cada dia exige estratégias extremas de sobrevivência?

Fonte: Planeta vivo

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Roberto
Roberto
27/01/2026 12:12

O pessoal lá nem precisa pescar, já tira o peixe do congelador.🤣🤣🤣🤣

Cacalo
Cacalo
26/01/2026 15:46

Cadê o tal aquecimento global?

Tiago
Tiago
Em resposta a  Cacalo
26/01/2026 21:53

Não afeta lá pq é perto da muralha do domo

Ciro Geraldo
Ciro Geraldo
26/01/2026 09:50

Excelente matéria!! Informações muito interessantes e fiéis!! Parabéns!!

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Jefferson Augusto

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