1. Início
  2. Setor Offshore
  3. 722 horas de aula de graça: empresa de rebocadores de Niterói abre turma de moço de máquinas com 35 alunos e a Barcas Rio
Faça um comentário 7 min de leitura

722 horas de aula de graça: empresa de rebocadores de Niterói abre turma de moço de máquinas com 35 alunos e a Barcas Rio

Imagem de perfil do autor Maria Heloisa Barbosa Borges
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 04/11/2026 às 14:23
Google News
Rebocador vermelho e branco da Camorim navega na Baía de Guanabara ao lado de outro rebocador e de uma lancha, com a Ponte Rio-Niterói ao fundo.
Rebocadores da Camorim na Baía de Guanabara; a empresa, com sede em Niterói, forma moços de máquinas em seu próprio centro de ensino. Foto: Divulgação/Camorim
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

A Camorim começou na terça-feira (3) a segunda turma do curso de Moço de Máquinas em sua sede, com funcionários e alunos da Barcas Rio. Quem é de fora entra pelo curso da Marinha, que também é de graça e tem prova escrita e de natação.

A Camorim Serviços Marítimos começou nesta terça-feira, 3 de novembro, uma nova turma do curso de Formação de Aquaviários Moço de Máquinas (CFAQ MOM). São 35 alunos, na sede da empresa em Niterói (RJ). O início das aulas foi publicado pelo Portos e Navios.

O curso é de graça para os alunos, e as despesas são pagas pelas empresas parceiras. Pela primeira vez, a parceira da Camorim é a Barcas Rio, que opera a travessia de passageiros na Baía de Guanabara.

São 722 horas de aula, em até quatro meses, com teoria e prática no período da noite. As empresas também vão oferecer o estágio obrigatório aos alunos, informou a Transporte Moderno.

Quem pode fazer o curso de moço de máquinas da Camorim?

Esta turma não tem vaga aberta ao público. Ela reúne colaboradores diretos e indiretos da Camorim e alunos vindos da Barcas Rio, segundo o Portos e Navios.

Alunos de camisa polo bordô sentados em sala de aula na sede da Camorim, em Niterói.
Alunos da nova turma de moço de máquinas na sede da Camorim, em Niterói, em novembro de 2026. Foto: Divulgação/Camorim

O projeto de formação da Camorim chega à oitava edição. Antes desta, a empresa fez seis turmas de Moço de Convés e uma de Moço de Máquinas. Essa última terminou o curso em setembro, de acordo com o ErreJota Notícias.

As aulas são conduzidas pelo Instituto Mar e Portos (Imapor). Os professores são cadastrados no Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (Ciaga). É a escola da Marinha do Brasil no Rio que forma gente para a marinha mercante. O curso tem autorização da Diretoria de Portos e Costas (DPC), da Marinha.

Para receber os alunos, a Camorim comprou máquinas, reformou salas e construiu oficinas para as aulas práticas. A lista de matérias inclui História Marítima, Informática, Básico de Navegação, Meteorologia e Oceanografia. Também tem Manobra da Embarcação, Legislação Marítima e Ambiental, Inglês Técnico Marítimo e Primeiros Socorros.

“A parceria com a Barcas Rio representa uma oportunidade de unir esforços em favor da qualificação profissional e do fortalecimento do setor marítimo”, afirmou Eduardo Adami, vice-presidente da Camorim, no texto publicado pelo Portos e Navios.

O que faz um moço de máquinas?

O moço de máquinas trabalha na seção de máquinas do barco, onde ficam o motor e os sistemas que fazem a embarcação andar. É a porta de entrada dessa área para quem quer embarcar na marinha mercante.

Quem explica o que o profissional pode fazer é a própria Marinha, no PREPOM-Aquaviários 2026, o programa de cursos da DPC. Com o certificado, o moço de máquinas pode chefiar as máquinas de barcos de até 250 kW. Isso vale na cabotagem e no apoio marítimo, perto da costa.

Esses 250 kW equivalem a cerca de 340 cavalos de potência (conta nossa). O limite de distância é de 20 milhas náuticas da costa, ou cerca de 37 quilômetros (conta nossa).

Na navegação interior, em rios e lagoas, o limite sobe para 500 kW, cerca de 680 cavalos (conta nossa). Em barcos de qualquer tamanho, o moço de máquinas pode trabalhar como subalterno de quarto de máquinas e no serviço geral de máquinas.

No curso da Marinha, o aluno tem Motor Diesel e Sistemas de Propulsão (40 horas-aula) e Máquinas e Sistemas Auxiliares (52). Também estuda Sistemas Elétricos Marítimos (32), Tecnologia de Soldagem (24) e Torno Mecânico (24).

Como a turma de Niterói se compara ao curso da Marinha?

PontoTurma da Camorim com a Barcas RioCurso de moço de máquinas no PREPOM 2026
Quem entraColaboradores da Camorim e alunos da Barcas RioQualquer brasileiro de 18 anos ou mais, com o 9º ano, aprovado na seleção
Vagas3570 (40 no Ciaga, no Rio, e 30 no Ciaba, em Belém)
Horas de aula722728 horas-aula de matérias, 753 no total
DuraçãoAté quatro meses, à noiteRio: 9 de fevereiro a 29 de outubro; Belém: 22 de junho a 30 de outubro
Custo para o alunoDe graça, pago pelas empresasDe graça; a inscrição tem taxa
EstágioOferecido pelas empresasDois meses a bordo

Sozinha, a turma de Niterói tem metade das 70 vagas de moço de máquinas que a Marinha programou no PREPOM 2026 (conta nossa). Em todo o programa, a DPC lista 13.676 vagas em 626 cursos.

As horas também se parecem. As 722 horas da Camorim ficam 6 horas abaixo das 728 horas-aula de matérias do curso regular (conta nossa).

Como uma pessoa comum entra no curso de moço de máquinas?

O caminho para quem não trabalha na Camorim nem na Barcas Rio é o curso regular da Marinha. Pelo PREPOM, o candidato precisa cumprir quatro exigências:

  • ser brasileiro nato ou naturalizado;
  • ter pelo menos 18 anos no dia da matrícula;
  • ter estudado até o 9º ano do Ensino Fundamental;
  • estar em dia com o serviço militar e com o título de eleitor.

A inscrição é feita no atendimento ao público do Ciaga, na Avenida Brasil, 9.020, em Olaria, no Rio, ou do Ciaba, em Belém. Também dá para entregar os papéis numa Capitania, Delegacia ou Agência da Marinha mais perto de casa, ou mandar pelo Correio.

A lista de documentos pede identidade, título de eleitor em dia, reservista para os homens e comprovante de residência. Também pede foto 3×4, comprovante de escolaridade e ficha de inscrição. O candidato também paga uma taxa de inscrição, com boleto tirado na página da DPC.

Que provas a seleção de moço de máquinas tem?

A seleção tem duas etapas. A primeira é uma prova escrita de Português e Matemática, no nível do 9º ano. O candidato precisa tirar nota maior que zero em cada matéria.

Os mais bem colocados vão para a segunda etapa, e a Marinha chama o dobro do número de vagas. Nela, o candidato nada 25 metros, sem limite de tempo, e fica dez minutos flutuando sem ajuda.

Para fazer a prova na água, é preciso levar atestado médico. Quem passa ainda entrega o Certificado Médico da Norma Regulamentadora 30, assinado por um médico do trabalho.

Em caso de empate, a vaga fica com quem já é aquaviário. Se ninguém for, fica com o candidato mais velho. A seleção, avisa a Marinha, serve só para classificar os candidatos dentro das vagas do curso. Ela não é uma forma de ingresso na Marinha do Brasil.

Durante o curso, tudo é de graça. O aluno recebe o material emprestado, um complemento de alimentação e, se morar em outra cidade, alojamento quando houver lugar.

O que o aluno recebe no fim do curso?

Depois das aulas, vem o estágio de dois meses a bordo de um navio mercante. O ideal, pelas regras, é um barco com motor de 750 kW ou mais, cerca de 1.020 cavalos (conta nossa).

Rebocador Ciclone, da Camorim, de casco escuro e cabine branca e vermelha, parado no mar.
Rebocador da frota da Camorim; o estágio do curso de moço de máquinas é feito a bordo. Foto: Divulgação/Camorim

Se o estágio for num barco de 300 a 750 kW, o certificado sai com uma limitação. Essa limitação pode ser retirada depois de um ano embarcado.

Aprovado, o aluno recebe o Certificado de Proficiência DPC-1034, que segue a convenção internacional de formação de marítimos (STCW). Recebe também a Caderneta de Inscrição e Registro (CIR), o documento do aquaviário, sem pagar nada.

Para tentar uma vaga, o candidato precisa acompanhar o PREPOM, que a DPC publica, e o edital de seleção do Ciaga ou do Ciaba.

Quem são a Camorim e a Barcas Rio?

A Camorim tem 31 anos e emprega mais de 1.500 pessoas, segundo o ErreJota. A frota passa de 150 embarcações, e a empresa mantém um estaleiro e um terminal portuário próprio em Niterói.

No site da Camorim, a frota aparece com rebocadores azimutais, TKM e convencionais, barcos de apoio a plataformas (PSV), lanchas e balsas. A empresa diz atender 10 portos, de São Luís (MA) a Rio Grande (RS), com matriz em Niterói.

A Barcas Rio é um consórcio de quatro empresas contratado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. Ele opera o transporte de passageiros na Baía de Guanabara. A frota tem 17 embarcações, sendo 14 catamarãs e 3 barcas, e leva 45 mil passageiros por dia, segundo o site do consórcio.

O contrato da Barcas Rio vai de janeiro de 2025 a dezembro de 2029, cinco anos de serviço.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x