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5 profissões a bordo, de taifeiro a moço de máquinas: TST homologa acordo que define salário, horas extras, embarque e folga dos marítimos da cabotagem até 2027

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 04/11/2026 às 14:22
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Dois trabalhadores de macacão vermelho e capacete branco, de costas, subindo uma escada metálica branca sob céu azul forte.
Tripulantes sobem a escada de uma estrutura no convés em imagem institucional da OSM Thome; a foto não registra os marítimos do acordo homologado pelo TST. Foto: Divulgação/OSM Thome
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O Tribunal Superior do Trabalho homologou em 3 de novembro de 2026 o acordo coletivo entre a federação dos trabalhadores aquaviários e a OSM do Brasil. O texto vale em todo o país para os marítimos da cabotagem nas funções de taifeiro, cozinheiro, marinheiro, moço de máquinas e moço de convés. Veja o que muda a bordo e o que vem agora no offshore.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) homologou nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, o acordo coletivo dos marítimos da cabotagem fechado entre a Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários (FNTTAA) e a OSM do Brasil Gerenciamento de Operações Marítimas, segundo o comunicado oficial do TST sobre a homologação.

Cabotagem é a navegação entre portos do próprio Brasil, ao longo da costa. O acordo coletivo alcança cinco funções de bordo: taifeiros, cozinheiros, marinheiros, moços de máquinas e moços de convés, com abrangência nacional.

As partes chegaram ao texto depois de uma mediação no Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos do TST, o Cejusc/TST. O documento assinado define data-base, correção salarial, horas extras e regime de embarque e folga, além de outros pontos que mexem na rotina de quem trabalha embarcado.

Quem entra no acordo coletivo da OSM do Brasil?

Entram os marítimos da cabotagem contratados pela OSM do Brasil nas cinco funções listadas pelo TST. A lista vai da cozinha e do serviço de bordo, com taifeiros e cozinheiros, até o convés e as máquinas, com marinheiros e moços.

O acordo coletivo dos marítimos da cabotagem foi negociado pela FNTTAA, que reúne os sindicatos dessas categorias. Oficiais e eletricistas ficam de fora deste documento: os da OSM têm acordos próprios, negociados pelo Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante, o Sindmar.

Na cabotagem, o tempo entre o início da vigência e a assinatura varia muito de empresa para empresa. No caso da OSM, a homologação no TST veio quando o período do acordo já estava quase no fim.

O que o acordo coletivo define para quem trabalha embarcado?

O TST listou os temas que o documento cobre. O comunicado não detalha valores cláusula por cláusula, então a tabela abaixo mostra o tema e o que ele quer dizer na prática para os marítimos.

Tema do acordoO que quer dizer
Data-basemês de referência para negociar a correção dos salários
Correção salarialreajuste das tabelas de salário da categoria
Insalubridadeadicional por trabalho em ambiente que faz mal à saúde
Horas extras e adicional noturnopagamento do tempo além da jornada e do trabalho à noite
Gratificações, abonos, licenças e benefíciosvalores e direitos extras previstos no acordo
Regimes de embarque e folgaquantos dias o tripulante fica a bordo e quantos fica em terra
O comunicado não detalha valores cláusula por cláusula, então a tabela abaixo mostra o tema e o que ele quer dizer na prática para os marítimos.

O último item é o que mais pesa na vida de quem está no mar. Regime de embarque e folga decide quanto tempo a pessoa passa longe de casa a cada ciclo de trabalho e quanto descansa depois.

Por que um acordo de 2025 só foi homologado em novembro de 2026?

A vigência do acordo coletivo vai de fevereiro de 2025 a 31 de janeiro de 2027, e a data-base da categoria vai até 1º de fevereiro de 2027, informou o TST.

Ou seja, o documento chega ao tribunal com 21 dos 24 meses de vigência já corridos (conta nossa). Da homologação até o fim do prazo sobram 89 dias, menos de três meses (conta nossa).

A juíza auxiliar da Vice-Presidência do TST, Roberta Carvalho, tratou o resultado como uma “grande conquista” pela forma como foi construído. “Será uma base para a próxima negociação”, afirmou ela, no comunicado do tribunal.

A página de acordos coletivos da FNTTAA ajuda a medir a demora. Ela ainda lista a OSM do Brasil entre as empresas de cabotagem com acordo em negociação. Nos acordos vigentes de outras empresas do setor, a assinatura saiu bem antes.

Empresa (cabotagem)Início da vigênciaAssinaturaDistância
Elcano01/01/202507/11/2024assinado antes do início
Log-In01/05/202517/09/2025cerca de 4,5 meses
Wilhelmsen01/02/202524/06/2025cerca de 5 meses
Mercosul Line01/09/202503/02/2026cerca de 5 meses
Transpetro01/11/202515/04/2026cerca de 5,5 meses
Norsul01/08/202428/04/2025cerca de 9 meses
Knot01/06/202506/07/2026cerca de 13 meses
OSM do Brasilfevereiro de 2025homologação no TST em 03/11/2026cerca de 21 meses
Fontes: FNTTAA (vigências e assinaturas) e TST (OSM). Distância em meses: conta nossa.

Como o TST entrou na negociação dos marítimos?

Pelo caminho da mediação pré-processual. É um procedimento facultativo: as próprias partes pedem ao Judiciário que ajude na conversa, sem que exista um processo de briga aberto. O objetivo, segundo o TST, é facilitar a comunicação e chegar a opções construídas em conjunto.

Grupo de homens e mulheres de terno posando em pé atrás da bancada de madeira de uma sala com a palavra Conciliação na parede.
Foto divulgada pelo TST no comunicado da homologação do acordo coletivo dos marítimos da cabotagem, em 3 de novembro de 2026. Foto: Bárbara Cabral/TST

Na audiência de homologação, o vice-presidente do TST, ministro Caputo Bastos, elogiou a maturidade de sindicatos, trabalhadores, empresa e advogados dos marítimos da cabotagem. “A conciliação são vocês que constroem, é a lei de vocês, da forma que melhor atende a cada uma das categorias”, disse, segundo o relato da audiência publicado pelo TST.

O Ministério Público do Trabalho acompanhou a audiência e o diálogo entre as entidades, olhando a validade das cláusulas diante da lei. O processo tem o número RPP-1000703-78.2026.5.00.0000.

Do lado dos marítimos, José Válido, diretor para Assuntos de Gente do Mar da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Aéreos, na Pesca e nos Portos (Conttmaf), deu o crédito ao tribunal, como registrou a notícia oficial do TST. “Só estamos conseguindo chegar a esse acordo graças à participação do TST”, afirmou. Ele lembrou que a categoria existe no Brasil desde a chegada da família real portuguesa, em 1808.

O acordo coletivo traz reajuste de salário para os marítimos?

Traz correção salarial, que está entre os temas definidos no documento. O comunicado do TST, porém, não publica o percentual nem as novas tabelas de salário da OSM do Brasil para as cinco funções.

Para ter uma régua, vale olhar os acordos que os oficiais e eletricistas da mesma empresa aprovaram com o Sindmar. São documentos diferentes, de outra categoria, e não valem automaticamente para taifeiros, cozinheiros, marinheiros e moços.

Acordo do Sindmar com a OSMO que foi aprovadoAprovação
Apoio marítimo, ACT 2025/2027 (aprovado em 13/01/2026)inflação pelo INPC mais ganho real nos dois períodos, gratificação Helideck, regime de embarque e folga 28×2883% favoráveis
Cabotagem, termo aditivo (aprovado em 13/08/2026)reposição da inflação mais ganho real nos dois anos, melhora no vale-alimentação e na ajuda de custo, equipamentos para exercício a bordo69% de aceitação

Os dados vêm das notícias do Sindmar sobre o acordo dos oficiais no apoio marítimo e sobre o termo aditivo dos oficiais na cabotagem.

No regime 28×28, o oficial passa 28 dias embarcado e depois 28 dias de folga em terra. É esse tipo de regra que o acordo coletivo da FNTTAA também precisou fixar para as cinco funções da cabotagem.

O que vem agora para os marítimos do offshore?

Vêm aí mais quatro acordos coletivos, agora no offshore. A advogada da OSM do Brasil, Vanuza Rocha Sampaio, disse na audiência do TST que a empresa quer assinar os documentos e que as propostas para outras quatro categorias de aquaviários estão em tratativas.

Quatro tripulantes de capacete branco e macacão sorrindo no convés de um navio, com o mar verde ao fundo.
Tripulantes no convés em imagem institucional da OSM Thome sobre gestão de tripulações. Foto: Divulgação/OSM Thome

São os trabalhadores de apoio marítimo (offshore), de unidades de produção do tipo FPSO e FSO, de shuttle tankers e de CTV. Eles vão discutir os textos em assembleia com os sindicatos, e a previsão é de assinatura ainda em novembro de 2026.

Shuttle tankers são os navios aliviadores, que fazem a ponte entre as plataformas e a costa. Num acordo anterior dos oficiais da OSM nesses navios, aprovado em 2023, o Sindmar informou que o tempo máximo a bordo caiu para 42 dias seguidos, segundo a notícia do sindicato.

No apoio marítimo offshore, a lista de embarcações com oficiais ligados à OSM do Brasil inclui a Floatel Victory, uma unidade semissubmersível de acomodação. Segundo a ficha técnica da Floatel, ela tem cabines para 560 pessoas e refeitório para 250 por turno.

A próxima rodada de negociação já está no calendário. Para os marítimos da cabotagem da OSM do Brasil, a nova data-base chega em fevereiro de 2027, e a fala da juíza Roberta Carvalho indica que o acordo coletivo homologado agora será o ponto de partida.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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