1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. 50 vezes mais rápido que árvores: Sistema de algas vivas reduz o calor interno, resultando em edifícios com maior eficiência energética.
Faça um comentário 4 min de leitura

50 vezes mais rápido que árvores: Sistema de algas vivas reduz o calor interno, resultando em edifícios com maior eficiência energética.

Imagem de perfil do autor Fabio Lucas Carvalho
Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 23/01/2026 às 21:00
Sistema com microalgas em edifícios reduz calor interno, corta consumo de energia e pode remover até 1.000 kg de CO2 por ano.
Sistema com microalgas em edifícios reduz calor interno, corta consumo de energia e pode remover até 1.000 kg de CO2 por ano.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
5 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

A Universidade Murdoch desenvolve, na Austrália Ocidental, um sistema arquitetônico com fotobiorreatores de microalgas que reduz o calor interno dos edifícios, melhora a eficiência energética e pode capturar carbono de 10 a 50 vezes mais rápido que plantas terrestres, com aplicações residenciais, industriais e urbanas

A arquitetura baseada em microalgas está sendo estudada para integração direta em casas, apartamentos, barracões de mineração e projetos urbanos na Austrália Ocidental. A proposta utiliza fotobiorreatores preenchidos com microalgas vivas, incorporados às estruturas para absorver calor e filtrar radiação solar.

O projeto é desenvolvido no recém-criado Centro de Inovação em Algas da Universidade Murdoch. O candidato a doutorado Amin Mirabbasi dedicou três anos ao desenvolvimento, engenharia e otimização desses fotobiorreatores voltados à construção civil e a ambientes extremos.

Segundo o pesquisador, as condições climáticas da Austrália Ocidental favorecem o cultivo de microalgas, devido à alta incidência solar e às baixas temperaturas de congelamento, criando um ambiente estável para o funcionamento contínuo do sistema.

As microalgas são descritas como organismos de alta eficiência ambiental. Elas capturam dióxido de carbono e reduzem emissões de gases de efeito estufa por meio de crescimento rápido e elevada produtividade de biomassa.

De acordo com os dados do projeto, essas microalgas conseguem fixar CO2 a taxas entre 10 e 50 vezes mais rápidas do que plantas terrestres comuns, tornando o sistema significativamente mais eficiente em comparação a soluções verdes tradicionais.

Redução do superaquecimento e economia de energia

Além da captura de carbono, a integração das microalgas aos edifícios tem como objetivo reduzir a carga térmica interna. O meio aquoso onde as algas se desenvolvem absorve calor e filtra parte da radiação solar incidente sobre as superfícies.

Testes conduzidos pela equipe indicaram redução significativa do superaquecimento em ambientes internos. Segundo Mirabbasi, esse efeito é especialmente relevante no clima da Austrália Ocidental, onde o uso de ar condicionado é intenso nos horários de pico.

A diminuição da dependência do ar condicionado resulta em economia direta de energia e redução de custos operacionais. O sistema atua como uma solução passiva de controle térmico, funcionando de forma contínua enquanto as microalgas estão em crescimento.

O pesquisador explica que o desempenho térmico está diretamente ligado à densidade e ao ciclo de crescimento das microalgas dentro dos fotobiorreatores, mantendo estabilidade térmica ao longo do dia.

Protótipo Árvore de Algas Urbanas

Como demonstração prática, a equipe desenvolveu um protótipo em forma de árvore denominado Árvore de Algas Urbanas. A estrutura foi projetada para imitar funções de uma árvore natural em ambiente urbano.

O protótipo fornece sombra, capta água da chuva e opera inteiramente com energia solar coletada no próprio sistema. O volume total do equipamento é de 1.500 litros, distribuídos em compartimentos de cultivo de microalgas.

De acordo com os dados apresentados, essa estrutura seria capaz de remover aproximadamente 1.000 kg de CO2 por ano e liberar cerca de 700 kg de oxigênio no mesmo período, funcionando como um sistema ambiental ativo.

O modelo serve como base para aplicações maiores e demonstra a viabilidade técnica da integração das microalgas em estruturas arquitetônicas funcionais, tanto em espaços públicos quanto privados.

Aplicações em áreas de mineração e bem-estar humano

Na fase final de seu doutorado, Mirabbasi passou a direcionar o projeto para aplicações no mundo real, com foco em áreas rurais e locais de mineração, conhecidos por condições climáticas adversas e isolamento prolongado.

A proposta envolve equipar unidades habitacionais pré-fabricadas, conhecidas como dongas, com fotobiorreatores de microalgas integrados às fachadas e coberturas dessas estruturas.

Essas unidades funcionariam como sistemas multifuncionais, oferecendo sombreamento solar passivo, absorção de calor e purificação do ar, ao mesmo tempo em que produzem oxigênio fresco para os trabalhadores.

Além do desempenho técnico, o projeto considera impactos psicológicos. A estética inspirada em ficção científica e os interiores com elementos naturais seriam uma forma de aliviar o estresse dos mineiros em ambientes exigentes e isolados.

Segundo Mirabbasi, espaços mais frescos e visualmente conectados à natureza ajudam os trabalhadores a se desconectarem mentalmente, retornando ao trabalho mais apoiados e revigorados no dia seguinte, mesmo em rotinas desgastantes.

Expansão para projetos biourbanos

A visão da pesquisa não se limita a áreas remotas. A tecnologia pode ser aplicada em ambientes urbanos por meio de projetos biourbanos, transformando pontos de ônibus, abrigos públicos e áreas comerciais em estruturas vivas.

A proposta inclui a instalação de fotobiorreatores tubulares iluminados por LED em calçadas e fachadas, permitindo que o público observe o crescimento das microalgas e a formação de bolhas em tempo real.

Essa abordagem cria uma experiência biofílica visualmente marcante, conectando ciência e natureza no cotidiano urbano. A observação direta do sistema reforça a consciência ambiental de forma discreta e contínua.

Para o pesquisador, a combinação entre ciência visível e natureza ativa transforma a arquitetura em uma ferramenta educativa e funcional, ampliando o papel dos edifícios na eficiência energética e na saúde ambiental, mesmo em espaços densamente ocupados.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x