Dois modelos antes criticados pelo visual passaram por viradas marcantes de design e hoje são referência estética nas linhas da Hyundai e da Toyota.
Muito além da ideia de “mudar da água para o vinho”, dois sedãs que já foram sinônimo de design sem graça, ou até motivo de piada entre entusiastas, hoje figuram entre os modelos de visual mais marcante da indústria.
Hyundai Elantra e Toyota Prius carregam um passado de linhas controversas, mas passaram por viradas profundas de estilo e se transformaram em vitrines das novas linguagens de design de suas marcas.
Ao longo das últimas décadas, o desenho automotivo deixou de ser apenas complemento da ficha técnica para se tornar um dos principais motivos de compra.
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Nesse caminho, alguns carros nasceram com a missão de ser eficientes ou acessíveis, abrindo mão de proporções mais harmônicas.
Foi o caso de Elantra e Prius em suas gerações mais antigas, frequentemente apontados em listas e comentários como carros de visual pouco inspirado, apesar da boa reputação em consumo e confiabilidade.
Com o tempo, porém, as montadoras redesenharam esses modelos do zero.
Hoje, o sedã médio coreano e o híbrido japonês ajudam a comunicar inovação, tecnologia e modernidade, e não apenas racionalidade.
Em comum, eles mostram como um projeto com histórico de chacota pode se tornar referência estética quando recebe atenção de estúdio de design, plataforma atualizada e linguagem visual coerente com o restante da gama.
Hyundai Elantra ganha identidade e abandona visual apagado
Lançado no início dos anos 1990, o Hyundai Elantra começou a vida como um sedã médio global de proposta simples.
A ideia era entregar espaço e custo-benefício em mercados onde rivais japoneses e europeus dominavam o segmento.
Nas duas primeiras gerações, o foco era essencialmente funcional.
As linhas retas e a carroceria pouco trabalhada ajudavam a manter o preço competitivo, mas o visual não despertava desejo.
Na metade dos anos 2000, o modelo passou por uma grande remodelagem.
A quarta geração, apresentada em 2006, adotou formas mais arredondadas, com faróis grandes e volumes que lembravam compactos de baixo custo.

Em vários mercados, essa fase consolidou a imagem de um carro honesto, porém sem charme.
O que se via era um sedã eficiente, mas distante de qualquer pretensão de beleza ou sofisticação.
O ponto de virada veio com a quinta geração, lançada em 2010.
Nela, a Hyundai introduziu a filosofia de design Fluidic Sculpture, caracterizada por superfícies esculpidas, vincos marcados e um perfil bem mais dinâmico.
O Elantra deixou de parecer apenas funcional e passou a exibir linhas mais fluidas, faróis afilados e traseira elevada.
O impacto desse redesenho não ficou restrito à percepção do público.
A geração com linguagem escultural conquistou prêmios importantes, incluindo o título de North American Car of the Year em 2012, destacando justamente o estilo ousado como diferencial.
Mesmo após essa fase, a Hyundai continuou a evoluir o modelo.
A atual linhagem internacional do Elantra, já na sétima geração, adota a linguagem Parametric Dynamics, com vincos triangulares, dianteira agressiva e ampla grade integrada ao conjunto óptico.
O perfil lembra um cupê de quatro portas, reforçando a ideia de sedã esportivo.
No Brasil, o Elantra foi vendido oficialmente entre 2011 e 2020.
Mesmo com a despedida do mercado nacional, a evolução estética do sedã segue evidente nos modelos oferecidos em outros países.
A diferença em relação ao passado funcional é hoje incontestável.
Toyota Prius deixa polêmica para trás e adota linhas esportivas
Se o Elantra nasceu como sedã convencional, o Toyota Prius surgiu com uma missão diferente.
O modelo foi criado para simbolizar a chegada da era dos híbridos, apostando em eficiência energética, baixas emissões e aerodinâmica.
As primeiras gerações priorizavam o fluxo de ar e o espaço interno, e por isso apresentavam proporções pouco usuais.
A segunda e a terceira geração, produzida entre 2009 e 2015, consolidaram o Prius como referência em economia de combustível.
Ao mesmo tempo, reforçaram a fama de carro de visual polêmico.
O formato triangular, a traseira alta e as rodas pequenas garantiam excelente coeficiente aerodinâmico, mas renderam ao híbrido posições recorrentes em listas de carros de aparência duvidosa.
Mesmo assim, o modelo acumulou vendas expressivas e ajudou a popularizar a tecnologia híbrida no mundo.
No Brasil, o Prius foi vendido entre 2013 e 2021.

Cumpriu função de vitrine tecnológica, mas nunca atingiu grande volume de vendas, sendo ofuscado por híbridos como Corolla e Corolla Cross.
A transformação radical veio com a quinta geração, apresentada internacionalmente a partir de 2022.
Construído sobre a plataforma TNGA-C, o novo Prius abandonou o ar de laboratório sobre rodas e adotou proporções mais baixas, largas e com apelo esportivo.
A carroceria recebeu linha de cintura elevada, faróis estreitos com assinatura luminosa moderna e rodas maiores.
O conjunto confere identidade totalmente nova ao híbrido da Toyota.
Além do estilo, o modelo ganhou conjuntos mecânicos mais potentes, combinando motor 2.0 a gasolina com unidade elétrica revisada e baterias mais eficientes.
Em algumas versões, a potência total supera 190 cv, com opção de tração integral em mercados específicos.
Essa combinação de desempenho mais vigoroso e design marcante elevou o Prius a outro patamar de percepção.
A quinta geração acumulou prêmios internacionais, incluindo o World Car Design of the Year 2024, reforçando o salto estilístico em relação às gerações anteriores.
Sem confirmação oficial de retorno ao Brasil, o Prius atual segue como referência interna de design dentro da Toyota.
A estética adotada no híbrido influencia elementos presentes em outros modelos da marca, como linhas limpas, proporções esportivas e assinaturas de luz mais sofisticadas.
Depois de tantas mudanças, a trajetória de Elantra e Prius abre espaço para uma curiosidade natural do público: entre esses dois antigos patinhos feios, qual deles protagonizou a transformação estética mais marcante?
