Economista Fernando Ulrich destaca que a saída do megainvestidor expõe riscos de bolha no setor de veículos elétricos chineses, com possíveis reflexos no Brasil e no mundo
A decisão de Warren Buffett de zerar sua posição na BYD e o alerta do CEO da Great Wall Motors (GWM), que falou em uma “Evergrande automotiva”, acenderam um sinal de alerta no setor global de mobilidade elétrica. O economista Fernando Ulrich ressalta que o movimento expõe a fragilidade de modelos de negócios altamente dependentes de subsídios e crédito estatal na China, podendo gerar turbulências em escala internacional.
Segundo Ulrich, a Berkshire Hathaway, de Buffett, lucrou mais de dez vezes desde 2008 com a valorização da BYD, mas decidiu encerrar totalmente a posição no início de 2025. O investidor não viu mais margem de segurança, diante de riscos crescentes em uma indústria marcada por excesso de oferta, práticas contábeis agressivas e uma demanda turbinada artificialmente por incentivos governamentais.
O peso dos subsídios na indústria de elétricos
O economista Fernando Ulrich destaca que grande parte da rentabilidade da BYD e de suas concorrentes vem de subsídios diretos e indiretos, tanto para consumidores quanto para montadoras.
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No caso da BYD, estimativas apontam que cerca de 25% do lucro líquido em 2024 foi resultado de incentivos governamentais, registrados no balanço como “outros subsídios”.
Esse cenário levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do setor.
Sem benefícios fiscais, linhas de crédito direcionadas e reduções de impostos, a demanda real por veículos elétricos poderia ser menor, reduzindo a capacidade das montadoras de se manterem competitivas no longo prazo.
Estratégias financeiras questionadas
Outro ponto apontado por Ulrich é o uso de artifícios financeiros para reforçar o caixa, como o adiamento dos pagamentos a fornecedores.
Enquanto montadoras tradicionais como Toyota e Honda levam em média 30 a 50 dias para quitar compromissos, a BYD chegou a postergar mais de 130 dias.
Na prática, fornecedores acabam financiando parte da operação, mascarando o real nível de endividamento da companhia.
Relatórios de casas de análise, como a GMT Research, já classificaram a prática como “financiamento disfarçado”, o que pode distorcer a saúde financeira apresentada ao mercado.
O alerta da GWM: uma “Evergrande automotiva”
Jack Wei, CEO da Great Wall Motors, declarou em entrevista que “a Evergrande da indústria automotiva já existe, apenas não colapsou”.
A comparação remete à crise imobiliária chinesa iniciada com a falência da construtora Evergrande, símbolo de uma bolha que se arrastou por anos e afetou toda a economia do país.
Segundo Ulrich, se um colapso semelhante ocorrer no setor de veículos elétricos, os impactos seriam ainda mais amplos.
Isso porque a indústria automotiva tem presença global, com cadeias de fornecimento que envolvem Europa, Estados Unidos e América Latina.
O Brasil, que já é um dos principais mercados para marcas chinesas, também sentiria reflexos diretos.
Reflexos para os mercados globais e o Brasil
A crise potencial no setor de elétricos chineses poderia gerar desvalorização em ações ligadas à mobilidade elétrica, retração nos investimentos em novas fábricas e pressões sobre fornecedores internacionais.
No Brasil, onde a BYD e a GWM expandem operações, uma eventual desaceleração pode comprometer planos de produção local e afetar empregos no setor automotivo.
Ulrich ressalta que, embora governos possam intervir para salvar empresas estratégicas, a própria fala de Jack Wei mostra que o setor vive um momento de excessos comparável ao pré-colapso imobiliário da China.
Isso reforça a necessidade de cautela para investidores e de acompanhamento próximo por parte de governos que têm na indústria automotiva um pilar de crescimento.
A saída de Warren Buffett da BYD e a fala dura do CEO da GWM funcionam como um duplo alerta: de um lado, a insustentabilidade de negócios dependentes de subsídios; de outro, o risco de uma crise que ultrapasse fronteiras e reverbere em toda a economia global.
E você, acredita que a BYD e outras montadoras chinesas conseguirão se sustentar sem subsídios massivos? Ou estamos diante de uma bolha que pode explodir como a da Evergrande? Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir quem vive e acompanha esse mercado na prática.


Os grandes da indústria do petróleo está sentindo o golpe!
Não se esqueçam gente que grandes empresas automotivas mundiais, principalmente as americanas estão com sérios problemas diante da ofensiva chinesa sobre eles. A propaganda negativa é umas das armas que elas normalmente trabalham para derrubar os concorrentes que trazem preços e tecnologias igual ou melhor do que as deles sempre com o objetivos de nos oferecerem carroças com preços de mustang.
É muito simples, está acontecendo uma poda natural das companhias chinesas, depois de incentivar o crescimento do setor as empresas com o melhor desempenho continuam e as demais se vão. BYD só vai ter problemas com carros elétricos se o uso de veiculos voadores crescer, mas não duvido que futuramente teremos voadores elétricos.