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Vulcão que ficou 700.000 anos adormecido começa a subir 9 centímetros em apenas 10 meses e acende alerta após estudo detectar pressão a até 630 metros de profundidade

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 23/02/2026 às 12:29
Atualizado em 23/02/2026 às 12:31
Vulcão Taftan sobe 9 cm em 10 meses após 700 mil anos e estudo aponta pressão a 630 metros de profundidade.
Vulcão Taftan sobe 9 cm em 10 meses após 700 mil anos e estudo aponta pressão a 630 metros de profundidade.
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Estudo com satélites Sentinel-1 detecta elevação de 9 centímetros em 10 meses no vulcão Taftan, após 700.000 anos adormecido, indicando aumento de pressão a até 630 metros de profundidade e possível risco de explosões freáticas no sudeste do Irã

Um vulcão no sudeste do Irã apresentou elevação de cerca de 9 centímetros em 10 meses após 700.000 anos adormecido. O sinal foi detectado por satélites Sentinel-1 e indica aumento de pressão próximo ao topo da cratera do vulcão Taftan.

O vulcão é o Taftan. Ele não entrou em erupção na história da humanidade. O novo sinal, porém, indica que o sistema está em atividade e precisa ser monitorado, segundo estudo publicado na revista Geophysical Research Letters.

Monitoramento do vulcão com radar espacial

Os cientistas rastrearam o solo com InSAR, método de radar que mede o movimento do solo a partir do espaço. Foram utilizados satélites Sentinel-1, capazes de operar dia e noite e enxergar através das nuvens.

A elevação do vulcão Taftan durou pouco mais de dez meses e concentrou-se perto do cume. O movimento não recuou, sugerindo que a pressão ainda não se dissipou dentro da estrutura.

Pablo J. González, do Instituto de Produtos Naturais e Agrobiologia do Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha, IPNA, é o autor principal que orienta o trabalho.

Taftan é uma região remota e carece de instrumentos terrestres, como receptores GPS contínuos. Isso torna o radar espacial a melhor forma de monitorar uma montanha pouco visitada, embora cercada por muitas cidades.

Fonte de pressão localizada a até 630 metros

A equipe modelou uma fonte localizada entre 490 e 630 metros abaixo da superfície. Essa profundidade rasa sugere a presença de gases que se movem e se acumulam dentro de um sistema hidrotermal.

Nesse ambiente, água quente e gás circulam sob um vulcão. Os pesquisadores testaram causas comuns e descartaram chuvas fortes e terremotos próximos como possíveis gatilhos do fenômeno observado.

O sinal subiu e desacelerou sem influência externa. Isso condiz com processos internos atuando dentro da estrutura do vulcão Taftan.

Mais profundamente encontra-se o reservatório de magma, uma massa de rocha derretida subterrânea situada a mais de 3,2 quilômetros de profundidade. O impulso atual provavelmente vem de gases acima dele, e não de magma fresco atingindo a superfície.

O padrão observado é de compressão lenta. Primeiro o solo subiu. Depois estabilizou à medida que novas rachaduras se abriram e parte do gás encontrou caminhos para escapar.

Classificação e histórico do vulcão Taftan

Rótulos como vulcão extinto podem induzir ao erro. O vulcão Taftan é um estratovulcão de 3.940 metros, formado por camadas de lava e cinzas.

Ele emite gases por fumarolas no topo, aberturas que liberam gases e demonstram que o sistema permanece em movimento. Os registros de erupções dos últimos 10.000 anos são escassos.

O silêncio nos registros não significa inatividade em termos de rocha e gás. Vulcões podem permanecer inativos por longos períodos e mudar de atividade em meses.

Por isso, os cientistas observam não apenas plumas de cinzas. Eles monitoram gases, calor e movimentos do solo como sinais de alerta precoce. A nova deformação é uma medida concreta, não apenas um rótulo.

Elevações sem magma e hipóteses avaliadas

Um fator provável é o acúmulo de gás em rochas compactas e fraturas. À medida que a pressão aumenta, a rocha se eleva levemente e o cume responde primeiro.

Outra possibilidade é um pequeno pulso de magma que liberou voláteis nas camadas superficiais. Esses gases escapam e exercem pressão nos poros das rochas.

Ambas as hipóteses se encaixam na fonte rasa identificada e no momento em que ocorreu a elevação. Os dados mostram que, à medida que o gás encontrava saídas, o ritmo de ascensão diminuiu.

Nada disso exige uma erupção. Exige atenção, pois a pressão precisa de uma saída, e a forma como será liberada é relevante para a região.

Riscos associados ao vulcão Taftan

Os principais perigos a curto prazo não são fluxos de lava. São explosões freáticas, impulsionadas por vapor quando fluidos quentes se vaporizam repentinamente perto da superfície.

Explosões de gás podem causar irritação nos olhos, pulmões e plantações a sotavento por curto período. A cidade de Khash fica a cerca de 50 quilômetros de distância.

Essa proximidade é suficiente para que moradores sintam cheiro de enxofre quando o vento sopra na mesma direção. Segundo González, a pressão terá que ser liberada no futuro.

Ele afirmou que o estudo não visa gerar pânico. Trata-se de um alerta às autoridades da região no Irã para que destinem recursos à análise da situação.

São avisos claros, não previsões. A mensagem é preparar-se enquanto a montanha apresenta sinais iniciais, não quando houver intensificação.

Próximos passos no monitoramento do vulcão

As equipes pretendem medir gases nas fumarolas e encostas. Leituras contínuas de dióxido de enxofre, dióxido de carbono e vapor de água podem indicar aumento ou diminuição da pressão.

Também defendem a instalação de rede básica de sismógrafos e unidades de GPS. Mesmo configuração modesta melhoraria a precisão da medição do tempo e reduziria pontos cegos.

Os satélites continuarão o acompanhamento. O InSAR detecta pequenas mudanças que podem ser verificadas em poucos dias por equipes de campo.

Autoridades podem planejar rotas de evacuação, criar mapas de risco e compartilhar orientações simples com comunidades vizinhas. Etapas documentadas hoje reduzem confusão quando condições mudam.

Contexto tectônico e importância dos satélites

Taftan está localizado onde uma placa tectônica desliza sob outra em zona de subducção. Essa configuração cria magma em profundidade e fluidos ricos em gás em camadas superficiais.

O vulcão possui dois picos principais e fumarolas de longa duração. Essas características indicam que o calor ainda sobe do subsolo.

Muitos vulcões apresentam mudanças lentas semelhantes que não culminam em erupção. Outros intensificam a atividade rapidamente após períodos de calmaria.

Os satélites de radar enxergam através de nuvens e fumaça, de dia ou de noite. Isso é útil em locais secos e de grande altitude, onde o clima é rigoroso.

O Sentinel-1 utiliza radar de banda C e repete passagens com frequência suficiente para criar registro do movimento. Observações repetidas são essenciais quando a mudança é de poucos centímetros.

Com mais satélites em órbita, intervalos de revisita diminuem. Isso fornece atualizações mais rápidas quando as condições mudam.

Se o solo começar a afundar, a pressão pode estar diminuindo. Se a elevação continuar ou acelerar, a pressão ainda estará aumentando.

Mudanças repentinas nas medições de gás ou em pequenos tremores sob o cume também seriam sinais de alerta. Os cientistas testarão se o encanamento interno permaneceu estanque ou se abriu.

Para moradores próximos, medidas simples podem ajudar. É importante observar padrões de vento, manter máscaras à mão e seguir orientações oficiais.

O monitoramento constante transforma surpresas em problemas conhecidos. No caso do vulcão Taftan, a deformação registrada é um dado objetivo que orienta as próximas decisões das autoridades e dos cientistas.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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