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Visto do espaço, NASA registra jato de ar do Ártico empurrando frio extremo até a Flórida e pintando o mar com uma pluma gigante de lama submarina de 240 km, em redemoinhos que parecem uma tempestade branca no Golfo do México

Escrito por Ana Alice
Publicado em 09/06/2026 às 23:30
Atualizado em 09/06/2026 às 23:34
Imagem da NASA mostra pluma azul no mar da Flórida após ar ártico levantar sedimentos ricos em carbonato de cálcio. (Imagem: Ilustrativa)
Imagem da NASA mostra pluma azul no mar da Flórida após ar ártico levantar sedimentos ricos em carbonato de cálcio. (Imagem: Ilustrativa)
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Uma imagem de satélite da NASA mostra uma mudança incomum no mar da Flórida, ligada ao avanço de ar ártico e a processos oceânicos que revelam detalhes invisíveis a partir da superfície.

Uma imagem registrada pelo satélite Terra, da NASA, em 3 de fevereiro de 2026, mostrou uma faixa azulada de sedimentos marinhos suspensos sobre a plataforma continental a oeste da Flórida, no Golfo do México.

O registro, divulgado pelo NASA Earth Observatory, indica como uma onda de ar ártico que atingiu o leste da América do Norte também alterou, de forma temporária, a aparência das águas rasas próximas às Florida Keys.

O fenômeno não foi associado pela NASA a poluição ou floração de algas.

Segundo a agência espacial, a tonalidade clara apareceu principalmente por causa de lama rica em carbonato de cálcio, levantada do fundo do mar por ventos e correntes ligados à frente fria.

O material ficou suspenso na água e formou padrões espiralados visíveis em imagens de satélite.

A comparação feita pelo NASA Earth Observatory mostra a diferença entre 24 de janeiro de 2026, antes da chegada do ar gelado, e 3 de fevereiro de 2026, quando a água já aparecia mais clara sobre a West Florida Shelf, uma ampla área rasa da plataforma continental.

A região é descrita pela agência como uma “rampa carbonática”, por concentrar sedimentos formados a partir de organismos marinhos.

Onda de ar ártico atingiu a Flórida e mudou a cor do mar

No fim de janeiro e no início de fevereiro de 2026, massas de ar ártico avançaram sobre o leste da América do Norte e provocaram frio intenso em parte dos Estados Unidos.

A NASA informa que neve e gelo cobriram áreas extensas do país, com registros tão ao sul quanto a Geórgia, enquanto condados da Flórida tiveram temperaturas abaixo de zero no começo de fevereiro.

A explicação meteorológica envolve a dinâmica do vórtice polar, expressão usada pelo Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos para descrever uma grande área de baixa pressão e ar frio ao redor dos polos.

Esse sistema existe de forma permanente nas regiões polares, mas pode se expandir durante o inverno e favorecer o deslocamento de ar frio para latitudes mais baixas, com a influência da corrente de jato.

Nesse contexto, o mesmo padrão atmosférico que levou ar congelante para cidades e estradas também produziu efeitos sobre o oceano.

Ao alcançar a Flórida, o ar frio ajudou a resfriar águas rasas sobre a plataforma continental.

Com ventos fortes na superfície, o fundo marinho foi revolvido, e partículas finas acumuladas no leito oceânico subiram para camadas mais visíveis.

Carbonato de cálcio explica a pluma azul-clara no Golfo do México

O carbonato de cálcio é um composto comum em rochas como calcário, mas, nesse caso, a NASA atribui a origem do material a processos biológicos.

A lama suspensa vista na imagem é formada sobretudo por restos de corais, algas, conchas e outros organismos que vivem na plataforma continental.

Quando esses seres morrem, suas estruturas ricas em carbonato se depositam no fundo do mar ao longo do tempo.

Por ser rasa e extensa, a West Florida Shelf acumula esse tipo de sedimento em grande quantidade.

Em condições normais, boa parte desse material permanece no fundo.

Durante eventos de vento e resfriamento, no entanto, as partículas podem ser agitadas e ficar suspensas na coluna d’água, mudando a forma como a luz solar é refletida.

James Acker, cientista de suporte de dados no NASA Goddard Earth Sciences Data and Information Services Center, explicou ao Earth Observatory que a lama foi levantada principalmente pelas águas agitadas pelo vento durante o evento de ar frio.

Segundo ele, o resfriamento da água rasa aumenta sua densidade em relação à água oceânica aberta ao redor.

Com esse aumento de densidade, a água pode afundar e se deslocar para fora da plataforma com o movimento das marés.

Nesse processo, parte dos sedimentos é carregada em direção à borda da plataforma continental.

A combinação desses fatores ajuda a explicar por que a pluma aparece em faixas, curvas e redemoinhos, e não como uma mancha uniforme.

Imagens de satélite revelam redemoinhos perto das Florida Keys

A parte mais concentrada da pluma aparece ao norte das Florida Keys, com destaque para a região próxima a Key West e ao Parque Nacional Dry Tortugas.

Imagens feitas pelo Landsat 9, também analisadas pela NASA, mostram estruturas menores dentro da faixa azulada, incluindo formas conhecidas como “hammerhead eddies”, ou redemoinhos em formato de cabeça de martelo.

Esses redemoinhos podem surgir quando filetes estreitos de água fria e densa, carregados de sedimento, encontram águas mais lentas do Golfo do México.

De acordo com a explicação da NASA, esse encontro cria pares de vórtices que giram em sentidos opostos, produzindo duas curvas conectadas a uma mesma corrente.

Mais ao sudoeste, perto de Dry Tortugas, a agência aponta outra dinâmica.

A água carregada de sedimentos saiu da plataforma por canais voltados para o sul e foi rapidamente levada para leste pela Loop Current, uma corrente oceânica do Golfo do México.

Esse tipo de interação também foi observado após o furacão Ian, que atingiu a Flórida em 2022 e revolveu sedimentos na região.

A diferença, segundo a análise apresentada pelo Earth Observatory, está no tipo de perturbação.

Furacões costumam agitar o fundo marinho com intensidade maior.

Frentes frias, por outro lado, podem suspender sedimentos por meio da combinação de vento, resfriamento da água e circulação sobre plataformas rasas.

Pluma marinha ajuda cientistas a estudar sedimentos no oceano

Além do registro visual, a imagem é usada por cientistas para observar como sedimentos carbonáticos se movem em ambientes marinhos rasos.

Esse processo faz parte dos estudos sobre a circulação de partículas ricas em carbono no oceano, embora a contribuição específica de frentes frias ainda seja menos documentada do que a de ciclones tropicais.

A NASA informa que pesquisadores acompanham esse tipo de evento porque ele ajuda a indicar quando e como materiais acumulados no fundo podem ser deslocados para outras áreas.

No caso dos ciclones tropicais, estudos citados pela agência apontam esses sistemas como mecanismos relevantes para transportar carbono de sedimentos rasos para águas mais profundas.

As frentes frias, conforme a descrição do Earth Observatory, parecem atuar em escala mais local.

Nesses casos, a alteração na cor do oceano pode ser evidente nas imagens de satélite, mesmo sem o mesmo transporte de material para áreas profundas observado após tempestades tropicais mais intensas.

O caso também mostra a utilidade dos satélites para acompanhar mudanças rápidas em áreas oceânicas de difícil observação direta.

Em um intervalo de poucos dias, sensores orbitais registraram a mudança de cor da água, o avanço da pluma e a formação de redemoinhos associados à circulação oceânica.

Para a pesquisa, esse tipo de imagem reúne informações sobre vento, temperatura, densidade da água, sedimentos e correntes marinhas.

Para o público, o registro permite observar de que maneira um evento atmosférico ocorrido sobre o continente pode deixar marcas temporárias no oceano, a centenas de quilômetros das áreas mais afetadas pelo frio.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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