Escavação clandestina em Castel di Guido revelou mosaicos, afrescos, implúvio e uma estátua rara em área associada à antiga Lorium
Uma vila romana luxuosa foi descoberta nos arredores de Roma após uma escavação clandestina revelar uma estrutura até então desconhecida pelos arqueólogos.
A propriedade foi encontrada em Castel di Guido, a cerca de 19 quilômetros a oeste das antigas muralhas da capital italiana.
Segundo a Superintendência Especial de Roma, os vestígios indicam uma residência de alto padrão, possivelmente ligada à aristocracia romana e à família imperial Antonina.
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A localização também chama atenção. Na Antiguidade, a região era conhecida como Lorium, área frequentada por importantes figuras da Roma imperial, como Adriano, Antonino Pio e Marco Aurélio.
Escavação ilegal levou autoridades até a vila romana
A descoberta começou em fevereiro, após autoridades receberem uma denúncia sobre atividades de escavação não autorizadas em um terreno público.
De acordo com o Ministério da Cultura da Itália, os responsáveis usaram uma retroescavadeira no local.
A ação causou cortes profundos em partes da estrutura antiga e deixou grandes montes de terra espalhados pela área.
Diante do risco de perda arqueológica, uma equipe liderada por Alessia Contino, da Superintendência Especial de Roma, iniciou uma intervenção emergencial.
Segundo Contino, a denúncia local e a resposta imediata permitiram identificar parte de uma grande vila imperial. A equipe também encontrou uma variedade de decorações preservadas e uma estátua de mármore branco.
Mosaicos, afrescos e implúvio revelam o luxo da residência
As escavações revelaram o átrio principal da vila, além de salas decoradas com afrescos e mosaicos.
Os arqueólogos também identificaram áreas ligadas às atividades agrícolas da propriedade, o que reforça o caráter rural e aristocrático do complexo.
Segundo os pesquisadores, a construção pode ter sido erguida no início do século 1.
Posteriormente, a vila teria sido abandonada por volta do século 3.
Um dos elementos mais preservados é o implúvio central, uma bacia usada para coletar água da chuva dentro do átrio.
A estrutura era cercada por mosaicos em preto e branco, com motivos botânicos e geométricos.
As paredes também preservam trechos de afrescos em tons vermelhos, painéis multicoloridos, figuras humanas e elementos vegetais.
Cômodos menores reforçam o alto padrão da propriedade
A equipe arqueológica identificou quatro cômodos menores ao redor da área principal.
Três deles ainda preservam pisos de mosaico com diferentes padrões geométricos.
Entre os desenhos encontrados, aparecem painéis retangulares, formas octogonais e composições em preto e branco.
A qualidade dos materiais e a dimensão da residência reforçam a hipótese de que seus proprietários pertenciam à elite romana.
Estátua rara pode representar Silvano, divindade ligada ao campo
Outro destaque da descoberta foi uma estátua fragmentada de cerca de 80 centímetros de altura.
A peça foi encontrada dentro da bacia central do átrio.
A escultura representa um homem barbudo, vestido com túnica curta e carregando uma cesta com frutas e pássaros.
Segundo os arqueólogos, a imagem pode retratar Silvano, divindade romana associada às florestas, às áreas rurais e à proteção dos rebanhos.
Esse detalhe reforça a ligação da vila com o ambiente rural e com as atividades agrícolas desenvolvidas na propriedade.
Lorium aumenta o mistério sobre a ligação com imperadores
A região onde a vila foi encontrada tinha forte importância na Roma Antiga.
Fontes antigas indicam que Antonino Pio passou parte da infância em Lorium.
O imperador também teria construído um palácio imperial na localidade.
Mais tarde, Antonino Pio morreu em Lorium aos 74 anos.
A presença histórica da dinastia Antonina na área torna a nova descoberta especialmente relevante para os pesquisadores.
Novos estudos devem explicar a origem e o abandono da vila
Os próximos estudos devem ajudar a definir com mais precisão a cronologia da construção.
As análises também podem esclarecer se o abandono da propriedade esteve relacionado à transferência da família imperial para outras regiões.
Enquanto as pesquisas continuam, a Superintendência Especial de Roma prevê abrir o local ao público em 20 de junho.
A programação inclui uma caminhada arqueológica gratuita e visitas guiadas.
Para Alessia Contino, a vila recém-descoberta representa mais uma peça importante para compreender e preservar um território rico em história.
O que você acha que essa descoberta pode revelar sobre a Roma Antiga: novos detalhes sobre os imperadores Antoninos ou pistas sobre o cotidiano da elite rural romana? Deixe sua opinião!

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